Nacional de grife

Para os fãs da BMW pode até parecer um sacrilégio, mas a decisão de produzir carros com tração dianteira se trata, na verdade, de bomsenso industrial. Com essa opção, a marca alemã abre mão, em parte, de investir na dinâmica inigualável e característica de seus modelos para usufruir das vantagens oferecidas por esse esquema construtivo. Ter motor e tração na frente é economicamente conveniente; por isso, grande parte dos fabricantes opta por essa solução. Além de garantir mais espaço a bordo, faz com que as reações do carro sejam mais facilmente consertadas por pilotos menos experientes. Por essa razão, a BMW decidiu que a plataforma que a Mini pretende desenvolver para seus futuros modelos, a partir de 2013, será utilizada por todo o grupo.


Dessa nova base, chamada pelo codinome UKL, sairão, até 2020, um milhão de veículos por ano, um terço de todos os BMW. O segredo do sucesso se esconde na exibilidade da nova plataforma, que pode acomodar carros de diversas dimensões, entre 3,8 e 4,3 m de comprimento. Segundo antecipou Klaus Draeger, responsável pelo projeto, nessa base serão produzidos de seis a nove modelos com suas variantes de carroceria. A primeira aplicação será a terceira geração da família Mini, que ganhará ainda um inédito monovolume. Logo depois, a UKL abrigará todos os modelos compactos da BMW, incluindo a terceira geração de clássicos como o Série 1 e o X1. Estão ainda previstos um roadster, provisoriamente chamado de Z2, um monovolume e um SUV abaixo do X1. Além disso, em 2014, a marca lançará um compacto de luxo, sob o código inicial de City. O modelo, mostrado nestas páginas, deverá ser o primeiro carro da marca totalmente fabricado no Brasil.

No mês de abril deste ano, MOTOR SHOW antecipou que a BMW estaria prestes a anunciar uma produção em CKD (Completely Knock -Down) no Brasil, muito provavelmente do X1. Informação con rmada por Grame Grieve, vice-presidente da BMW para a América Latina, durante o Salão de Frankfurt , no mês passado. “Estudamos vários aspectos, como o local da fábrica, o tipo de produção, a possibilidade de usar fornecedores locais e ter ou não investimento ou parceiros externos”, contou. O executivo disse ainda que existem dúvidas sobre a viabilidade econômica da nova planta, mas con rmou que o anúncio deve ser feito entre os meses de outubro e novembro e que o projeto já foi apresentado ao ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Já o local de instalação da nova unidade, ele não quis revelar, dizendo apenas que será no Sul ou no Sudeste. Fontes apontam a cidade de Campo Largo, no Paraná, como a escolhida.

A ideia inicial é montar o X1 com peças trazidas da Alemanha já a partir do nal de 2012. Assim que a plataforma UKL estiver pronta, em 2013 chegará a hora de ampliar os negócios, passando da montagem para a fabricação total do modelo no Brasil. Aqui seriam produzidos também, além do X1 de terceira geração, o compacto City, em versão hatch e sedã, e alguns modelos da Mini. “A plataforma UKL vai ter de 10 a 12 variações e é sim uma grande possibilidade para o Brasil”, a rmou à MOTOR SHOW Ian Robertson, vice-presidente de marketing da BMW e presidente da Rolls-Royce. “Estamos analisando muito profundamente as possibilidades para con rmarmos a nossa presença de forma de nitiva no País, podendo ir do CKD até uma produção total”, completou. Com a mudança na cobrança do IPI para importados (leia mais nesta edição) é possível que a BMW decida partir diretamente para a fabricação completa.

Posicionado abaixo do Série 1, o City terá cerca de quatro metros, como New Fiesta, Punto e Polo, mas, so sticado, disputará mercado com médios mais caros como Focus, Bravo, Golf e i30. E, ainda assim, deverá custar mais do que todos eles. A nal, onde quer que estejam as rodas de tração, e independentemente do tamanho da carroceria, um BMW continua sendo um BMW: com dinâmica irretocável e tecnologia de ponta. E a marca cobrará por isso. Ou seja, não espere um carro com o logotipo da montadora por menos de R$ 70 mil. Mecanicamente, ele terá suspensão dianteira com MacPherson, traseira com três braços e, sob o capô, um motor 1.6 turbo de 136 cv, além de novos três cilindros.

A BMW tem tudo para dar um grande salto no Brasil. Quanto à concorrência… “Estamos estudando”, disse à MOTOR SHOW Philipp Schiemmer, vice-presidente de marketing da Mercedes-Benz, sobre a possibilidade de voltar a fazer carros no Brasil. Já a Audi parece menos con ante no potencial local. “O volume é inviável. Não conheço o negócio da BMW mas, para nós, ter a produção na Europa é uma vantagem competitiva”, a rmou Paulo Sérgio Kakinoff, presidente da Audi do Brasil, em conversa exclusiva com a MOTOR SHOW. As entrevistas completas você confere nesta edição, na cobertura do Salão de Frankfurt.

Colaboraram: Fabiano Mazzeo e Flavio R. Silveira, de Frankfurt (Alemanha)

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