Não basta acelerar, é preciso ter estilo

Pixabay/PickPik/ Pxhere/ Wikipedia/Divulgação
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Nigel Mansell é o cara famoso mais desprovido de estilo do automobilismo. Até onde se sabe, não marca presença no visual, não pilotava como Senna ou Piquet, não tem uma vida pessoal, digamos, memorável. É rico. Ponto. Senna tinha estilo? Piquet? Quem tinha mais: Ford ou Ferrari? Pinifarina ou Bertone? James Hunt ou Niki Lauda? Fala sério, não bastasse estilo ser qualidade aplicável a quase tudo (do vestir ao falar, do pilotar ao seduzir…), discutir estilo é como mesa redonda: um bate-papo legal, bem-humorado, mas  às vezes interminável. Em parte é isso que a gente quer nesse blog: diversão, reflexão e conhecimento, mas sem mimimi, sem treta.

A começar pelo conceito de estilo. Há uma enciclopédia de estudos, ensaios, teses e chutes sobre o que é ter estilo – atributo tão etéreo quanto “ser cool”, ou “ter pegada”. Vamos devagar. Estilo é atitude, não apenas marca. Você pode ter uma Ferrari e não ter estilo. Ou andar num fusquinha e ser o Steve McQueen do pedaço. Sei, talvez você não saiba quem é o Steve McQueen, “the king of cool”. Ou talvez confunda o astro de Hollywood (idealizador do filme Le Mans) com o diretor Steve McQueen. Ou com o estilista Alexander McQueen. Ou com aquela banda… Ok, relaxa, my friend.

Estilo é isso: tem a ver com informação. É, portanto, um valor humano. Um carro tem estilo porque um designer o criou. Um piloto desenvolve seu estilo depois de estudar, treinar e errar. Você tem mais chance de montar ou consumir estilo se conhecer design (estética & função) e ter referência histórica (o jeans, como o fusca, sempre representou despojamento, não importa quantos dólares você pagou por aquela calça Diesel 15 anos atrás). Estilo, claro, está associado à tecnologia do período (gadgets, materiais, desenvolvimento fabril). E ao espírito da época (o famoso zeitgeist). Mas uma coisa não muda: estilo tem mais a ver com comportamento/visão de mundo (atributo intelectual), do que com os objetos que você consome ou deseja (uma coisa tangível, palpável). Alouu: “mais a ver” não quer dizer “nada a ver”. Veja bem.

Acelerando aqui: estilo junta 1) seu desejo de consumo com 2) vontade de pertencer a uma tribo (mesmo que essa tribo seja a galera que não pertence a tribo nenhuma) com 3) o jeito que você coloca sua individualidade no coletivo. Estilo, em resumo, se constrói mais com informação do que com dinheiro. Se juntar os dois, você está feito.

Este blog só existe porque a gente quer bater esse papo legal com você. Para, talvez, ajudá-lo a expressar sua identidade com mais precisão, honestidade e transparência (valores da contemporaneidade), quer por meio do carro ou da moto que você dirige, quer por meio da roupa e dos acessórios que você usa, ou por meio dos prazeres que você consome/pratica. Quem curte motor tem pela frente um universo inesgotável, muito além da combustão (ou da reação química de uma bateria). A aventura ligada ao motor não se resume à aceleração, ao momento quase sensual de deixar a inércia, ao ronco, à adrenalina de chegar no limite, aos mistérios da mecânica. A aventura do deslocamento – razão da existência do motor – tem a ver com qualidade de vida, sedução, mobilidade, bem estar, status, carreira, segurança, turismo, conforto, vida social, autoconhecimento. Você sabe, um carro não é só um carro. Um carro – ou uma moto –, com o perdão do clichê, pode ser um estilo de vida.

Dito isso, vamos por partes – como fazia seu Leon, aquele fabricante de motocicletas carioca dos anos 60 que montava coisas lindas usando partes de Javas e afins. Você pode ter uma visão anárquica sobre estilo, como a de Henry Chinaski (alter ego do escritor safo Charles Bukowski), encarnada pelo ator Ben Gazzara no filme Crônica de um Amor Louco (de Marco Ferreri, 1981). Dá uma olhada.

Ou você pode começar a trabalhar seu estilo pelo lado visual – parte mais perceptível dele, queira você ou não. Vê só como o guitarrista e compositor John Mayer pensa na composição do que veste. Não, não se apegue ao que ele veste, mas no que ele diz à revista GQ sobre identidade, individualidade, autoconhecimento, conforto…

(Ps.: perdão, só achei em inglês sem legendas)

Taí: mesmo que você só pense em carro 24/7, sempre vale dar uma voltinha no que está por trás e na órbita dele. Não se trata aqui de cravar regras. Pelo contrário: a gente só quer dar uma força na hora de você calibrar sua presença, expressar seus valores no mundo moto/automotivo. Você sabe que não basta encher o tanque ou o cofre. Ser cool pede sustança. Conta com a gente. Como farol ou estepe.

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