Não é só um rosto bonito

Assim, à primeira vista, parece que reestilizar o Gol foi moleza – afinal, aparentemente a principal novidade do carro está na dianteira, que veio praticamente pronta do Fox e de outros modelos da Volks. Mas reestilizar um carro líder de vendas há duas décadas e meia, com seis milhões de unidades comercializadas, nunca é uma tarefa simples. Envolve algum risco e, certamente, uma boa dose de tensão. Não se pode errar a mão ao reformular um ícone. “É muita responsabilidade. Mexer em time que está ganhando é sempre complicado”, afirma Luiz Alberto Veiga, chefe de design da marca. Por isso, foram cerca de dois anos de trabalho para chegar a este modelo das fotos.

A base do Novo Gol continua a mesma do modelo anterior, mas a evolução no design foi sensível, dando a impressão de que o carro ficou mais largo e robusto

As mudanças visuais foram pensadas até nos mínimos detalhes, como a calotinha no centro da roda, o logotipo dianteiro esculpido como o do Passat, o novo capô com linhas mais definidas, os prismas do farol, os frisos cromados horizontais na dianteira e o segundo vinco na tampa do porta-malas, que estão ali para dar a impressão de que o carro ficou mais largo e robusto.

Embora o Gol pareça ter crescido, sob a nova carroceria está a mesma plataforma da quinta geração. Ainda assim, o carro evoluiu. Mais do que um rostinho bonito, ele ganhou conteúdo para enfrentar novidades de peso que estão para chegar em breve, como o Hyundai HB 20 (leia reportagem nesta edição), o Toyota Etios e o Chevrolet Ônix.

Na traseira, novos vincos e lanternas: compare com o modelo anterior, acima

O interior reformulado – com novo acabamento e bancos revestidos com tecidos provenientes de garrafas PET – esconde o que talvez seja uma das maiores evoluções do modelo. “Com relação à arquitetura eletrônica, o Gol deu um salto enorme”, afirmou José Luiz Loureiro, gerente de desenvolvimento de produtos da Volkswagen. Antes, para que cada sistema do carro conversasse entre si era necessária uma ligação física entre eles, e, obviamente, existia um limite para isso. Nesse novo modelo, as centrais conversam entre si como em uma rede de computadores sem o. Isso abre um leque sem m de opções em itens de conveniência. Exemplos? Quando o motorista engata a ré com o limpador de para-brisa ligado, o limpador traseiro também é acionado; quando a ignição é desligada, a palheta sempre volta à posição inicial; há aviso de faróis acesos quando o motorista abre a porta; o computador de bordo ganhou novas funções programáveis; e o retrovisor direito aponta para a guia sempre que se engata a ré. Tudo graças ao novo esqueleto eletrônico.

Nas versões mais caras há um novo botão (à esq.) para acionar os faróis. São novos também toda a parte central do painel, com o rádio, e as saídas de ar. Compare com o modelo antigo, à direita

Mecanicamente, as mudanças apareceram apenas no motor 1.0 (avaliado no Voyage, nas próximas páginas). O Gol 1.6 continua o mesmo em desempenho e comportamento dinâmico. A única modificação é que agora o modelo pode ser equipado com rodas aro 16 e, nesse caso, a suspensão recebe acerto diferenciado, de forma a garantir o mesmo nível de conforto, apesar do perfil mais baixo do pneu, adotado para manter o diâmetro externo do conjunto.

Os bancos de couro são opcionais, e o terceiro apoio de cabeça traseiro é de série – apenas nas versões mais caras

Entre os itens de série, desde a versão 1.0 mais barata (a partir de R$ 27.990), o compacto passa a oferecer faróis com máscara negra, cinto de segurança traseiro retrátil, contagiros, novo limpador de para-brisa, novas saídas de ar com ajuste milimétrico, vidros dianteiros com acionamento elétrico, trava central, abertura interna do porta-malas, limpador e desembaçador do vidro traseiro, banco do motorista com ajuste de altura e console central com porta-copos. Mas ainda há faltas: o terceiro encosto de cabeça traseiro, por exemplo, destacado como importante item de segurança pela marca, aparece apenas nas configurações mais caras, e a direção hidráulica só vem de série na versão Power 1.6 I-Motion avaliada.

Por R$ 40.890, o Gol topo de linha traz ainda acionamento dos faróis por botão giratório, alavanca de seta acionada com um leve toque (como a do Polo), volante com ajuste de altura e profundidade, airbag duplo, ABS, faróis de neblina, refletores no para-choque traseiro e roda aro 15. Entre os opcionais, ar-condicionado, volante multifunção e borboletas para troca de marchas, CD com USB (sem a desnecessária entrada para cartão SD), bluetooth e interface para iPod, vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores elétricos com função tilt down (que abaixa em manobras), sensor de estacionamento (com barras de aproximação no display central), função Coming & Leaving Home, alarme, chave canivete e travamento por controle remoto.

Sem dúvida esse Novo Gol é um carro superior em design, acabamento e tecnologia, que cumpre bem sua missão de “cozinhar” a concorrência em banho-maria até o m de 2013, quando o mundo conhecerá a sexta e completamente nova geração do Gol.

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