Não sou careta

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Enfim, surge o novo Corolla, um dos lançamentos mais esperados dos últimos anos. Apresentado ao mundo na Califórnia (EUA), no início de junho, a 11ª geração do modelo abandonou completamente as linhas caretas e a sobriedade para dar uma guinada em sua história, como fez o Civic em 2005. Com 47 anos de vida e mais de 40 milhões de unidades vendidas no mundo, o Corolla precisava rejuvenescer para conquistar clientes mais jovens, sem, no entanto, abandonar os atuais fãs. O processo de renovação, que começou com o Conceito Furia, exibido este ano no Salão de Detroit, visa, segundo a marca, mudar a percepção dos consumidores com relação ao sedã médio.

O sedã ganhou faróis alongados e grade mais ampla, que lembram o novo RAV4, contornos mais musculosos, com medidas maiores (o comprimento aumentou em cerca de 10 cm e a distância entre-eixos foi de 2,60 para 2,70 m), linha de cárater bem marcada na lateral e superfícies limpas, que ajudam a mesclar elegância com agressividade. O teto ficou mais longo e sua caída em direção ao porta-malas está mais rápida, diminuindo a visão do terceiro volume e dando ares quase de cupê ao modelo, o que aumenta a sensação de movimento. Mas é claro que para acabar com a imagem de carro de tiozão, não basta apenas investir em linhas mais modernas para a carroceria. E a Toyota fez a lição de casa: mudou o interior e até o comportamento dinâmico do veículo, para que tudo ficasse condizente com a radicalidade que o visual pretende vender.

Por dentro, houve um salto enorme com relação à sobriedade do modelo atual. Mas, ainda assim, o resultado não ficou tão moderno se comparado a alguns sedãs desse segmento. Talvez isso tenha uma explicação: os designers da Toyota precisavam mudar, mas chocando positivamente, sem agredir seus consumidores fiéis.

Por isso, a racionalidade interna, que sempre foi uma de suas características mais marcantes, foi mantida. Não há dentro da cabine firulas exageradas e desnecessárias. Os clientes mais tradicionais, ainda que fiquem chocados com as linhas externas, terão a sensação de acolhimento quando acessarem o habitáculo. Truques que precisam ser usados ao se recriar um best-seller.

Apesar disso, houve muito espaço para mudanças. Com linhas horizontais, o painel duplo amplia o espaço percebido e o acabamento melhorado – com uso de materiais metálicos, texturas e pintura black piano – contibui para maior elegância. Toda a área que se toca na cabine tem revestimento macio e costuras aparentes, que dão a ideia de algo artesanal, feito à mão. Além disso, o interior está agora mais silencioso, graças à adoção de isolamento acústico nos paralamas, capô e atrás do painel. A oferta de equipamentos também foi ampliada com a oferta de acesso inteligente por presença e tela touchscreen entre outros itens.

Em relação à mecânica, o Corolla apresentado nos EUA traz um motor 1.8 VVT-i com duas diferentes potências. A versão S, de visual mais arrojado (o modelo vermelho mostrado nessas páginas), curiosamente, é menos potente e desenvolve 132 cv. Já a versão LE Eco (veja quadro) entrega 140 cv. As duas unidades podem vir acopladas a um câmbio manual de seis marchas ou a um automático CVT. A transmissão de relações infinitas não parece a escolha ideal para dar mais sensação de esportividade ao carro mas, se for adotada no modelo brasileiro, deve garantir uma economia de combustível maior do que a da versão atual, com a antiquada caixa de quatro velocidades. Além disso, a marca garante que se trata de uma nova geração de CVT – chamada de CVTi-S –, com recursos técnicos que garantem a sensação de que as trocas estão sendo realizadas, como em um câmbio automático tradicional. Para completar, a versão S tem sete marchas simuladas, que permitem trocas sequenciais usando a alavanca ou as borboletas junto ao volante.

Quanto aos motores nacionais, eles se manterão inalterados, já que a marca produzirá as unidades 1.8 e 2.0 Dual VVT-i DOHC (de 144 cv e 153 cv, respectivamente) usadas atualmente no sedã em sua nova unidade industrial de Porto Feliz (SP) a partir do ano que vem – exatamente quando o novo Corolla dará as caras por aqui. O sedã ainda não foi avaliado, mas espera-se uma dinâmica mais próxima à de seu rival Civic – com suspensões mais firmes, volante mais direto e dirigibilidade menos anestesiada. Com essa nova receita, o Corolla parece ter todos os requisitos necessários para voltar à liderança dos sedãs médios, que hoje está nas mãos de seu arqui-inimigo, o conterrâneo Honda Civic.

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