Nascar é o automobilismo raiz

Principal competição automobilística americana, a Nascar ainda sofre com o preconceito. Mas a categoria tem muitas atrações para os fãs de velocidade. Vale a pena conhecê-la

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No Brasil, ainda é muito comum associar a Nascar (National Association for Stock Car Auto Racing) a corridas que envolvem pilotos “caipiras” sem talento, com carros velozes, mas desprovidos de tecnologia, e realizadas apenas em circuitos ovais. Parte dessa definição ainda é válida, mas, mesmo assim, quem gosta de automobilismo não deve ignorar a maior e mais bem-sucedida categoria de esportes a motor dos Estados Unidos, que só perde para o futebol americano na preferência do público. Se você não conhece a Nascar e deseja saber mais sobre ela, confira a seguir as principais características da competição.

O campeonato possui três categorias: Camping World Truck Series (picapes), Xfinity Series e Monster Energy Nascar Cup Series (principal). Todos os carros têm estrutura tubular e carenagens de três montadoras: Chevrolet, Ford e Toyota. Nas picapes, os modelos representados são Silverado, F-150 e Tundra; na Xfinity estão Camaro, Mustang e Camry (versão intermediária) e na Monster Cup aparecem Camaro, Fusion e Camry (topo de linha).

Os conjuntos motrizes são iguais para as três categorias: motor V8 movido a etanol e câmbio manual de quatro marchas, com tração traseira. Na Monster Cup, a alimentação é feita por injeção eletrônica e os propulsores entregam 725 cv. Na Xfinity e nas picapes, porém, os motores têm carburador e desenvolvem 700 cv e 600 cv, respectivamente.

Os carros da Nascar não possuem recursos eletrônicos como limitador de velocidade para os pit-lanes, asas móveis ou potência extra para ultrapassagens. Além disso, também há restrições ao uso de apêndices aerodinâmicos nas carrocerias. Assim, cabe ao piloto mostrar talento nas ultrapassagens. É o chamado “automobilismo raiz”.

Mas é fato que a categoria privilegia os circuitos ovais. Tanto que das 36 etapas do calendário, apenas duas (Sonoma e Watkins Glen) são disputadas em traçados mistos. Mas, ao contrário do que alguns pensam, correr em ovais não é nada fácil. Basta imaginar o que é estar a cerca de 300 km/h com vários rivais lado a lado disputando posição. Isso nos leva a outra característica das provas da Nascar: os acidentes.

Na Nascar, é comum os pilotos “encostarem” ou até mesmo trocarem “empurrões” durante as corridas. Mas, como a pressão aerodinâmica em altas velocidades nos circuitos ovais é muito grande, basta uma pequena turbulência para provocar a perda de controle do carro e uma sequência de acidentes. Os maiores, inclusive, são chamados de “Big Ones” e são frequentes nos traçados de altíssima velocidade (superspeedways), como o de Talladega, no Alabama, o maior da categoria.

Como as corridas costumam ser muito demoradas, a Nascar instituiu a disputa por segmentos, dividindo cada prova em três partes, mas só quem vence a última é considerado o vencedor da etapa, ganhando o direito de disputar os playoffs no fim da temporada, quando 16 pilotos (os que venceram corridas e os mais bem colocados no campeonato) disputam as dez últimas provas em sistema eliminatório, com duas eliminações por prova, até que sobrem quatro. Estes disputam a grande final em Homestead, Miami, onde aquele que chegar na frente leva o título. Pode parecer confuso, mas, acredite, o sistema funciona.

Então, se quiser ver uma competição com velocidade, pilotos habilidosos, e extremamente disputada, dê uma chance à Nascar, pois você pode se surpreender. O canal Fox Sports 2 transmite quase todas as provas nos finais de semana e tem um programa semanal com a cobertura completa. Confira a programação e divirta-se!

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