Após 18 anos, a Nissan confirmou o fim da produção do R35 GT-R, com a conclusão da montagem para o mercado japonês. A marca divulgou recentemente as imagens do encerramento.

O esportivo era montado na fábrica da Nissan em Tochigi, localizada a cerca de 100 km ao norte de Tóquio. Ao todo, aproximadamente 48 mil unidades foram montadas e vendidas ao longo do ciclo de vida do modelo.

E está enganado quem pensa que o último modelo vai para um museu. O veículo final, uma edição Premium T-Spec, com acabamento na cor Midnight Purple, tem como destino um cliente no Japão.

Nissan GT-R R35 – Foto: Divulgação

+ Nissan revela novo GT-R reestilizado com duas versões especiais
+ Nissan Skyline GT-R V-Spec II guiado por Paul Walker está à venda

GT-R e seu ‘coração’ cada vez mais potente

No coração do GT-R R35 bate o motor V6 biturbo VR38DETT, com o sistema de tração integral ATTESA ET-S. Ao longo de sua produção, uma equipe central de apenas nove mestres artesãos – chamados Takumi – na fábrica da Nissan em Yokohama, Japão, montou à mão, cada um dos motores instalados nas 48.000 unidades produzidas. Seus nomes estão imortalizados em uma placa afixada em cada motor.

Ao longo da produção, a potência máxima aumentou de 480 cv, na estreia do modelo, para 570 cv, a partir do ano-modelo de 2017.

O GT-R de competição tem um ganho ainda maior, para 600 cv. Segundo a Nissan, o propulsor foi modificado por engenheiros da Nismo, divisão esportiva da marca, ao adotar turbocompressores com especificações de carros de corrida GT3, bem como peças de alta precisão e balanceamento de peso, incluindo anéis de pistão, bielas e virabrequim. O resultado foram rotações mais altas.

Nissan GT-R Nismo – Foto: Divulgação

Adeus ou um até logo?

Mas o fim de produção do R35 GT-R é um adeus ou um até logo? Segundo Ivan Espinosa, presidente e CEO da Nissan, o modelo deve retornar algum dia.

 “Após 18 anos extraordinários, o GT-R R35 deixou uma marca duradoura na história automotiva. Seu legado é uma prova da paixão da nossa equipe e da fidelidade dos nossos clientes em todo o mundo. Obrigado por fazerem parte desta jornada extraordinária. Aos muitos fãs do GT-R em todo o mundo, quero dizer que este não é um adeus definitivo ao GT-R; é nosso objetivo que o nome GT-R retorne um dia.”

A Nissan ressalta que segue comprometida com o GT-R, “com a visão de reinventá-la para uma nova geração” e pede “paciência”.

“Entendemos que as expectativas são altas, o emblema GT-R não é algo que pode ser aplicado a qualquer veículo; ele é reservado para algo verdadeiramente especial, e o R35 elevou o padrão. Portanto, tudo o que posso pedir é paciência. Embora não tenhamos um plano hoje, o GT-R evoluirá e ressurgirá no futuro”, ressalta Espinosa.

Nissan GT-R R35 – Foto: Divulgação

Crise na Nissan

A Nissan não fala que o fim da linha do GT-R está associado com a crise que assola a montadora nos últimos anos. Para se ter uma ideia, a marca considera fechar fábricas no Japão e no exterior, disseram fontes da Reuters, como parte de um plano de corte de custos anunciado no meio de 2025.

A montadora prometeu reduzir sua força de trabalho em cerca de 15% e cortará as fábricas de 17 para 10 em todo o mundo.

A montadora está pensando em fechar a fábrica japonesa de Oppama, onde a Nissan iniciou a produção em 1961, e a fábrica de Shonan, operada pela Nissan Shatai, no que a deixaria a companhia com apenas três instalações de fabris no Japão.

No exterior, além de Argentina e México, a Nissan está considerando encerrar a produção em fábricas na África do Sul e Índia, disse uma das fontes.

Veículos Nissan são exibidos na prévia para a imprensa do Salão Internacional do Automóvel de Nova York, na cidade de Nova York, EUA, em 16 de abril de 2025
Veículos Nissan são exibidos na prévia para a imprensa do Salão Internacional do Automóvel de Nova York, na cidade de Nova York, EUA, em 16 de abril de 2025 – Foto: REUTERS/Jeenah Moon

Com informações de Reuters*