Nissan Qashqai: o precursor dos crossovers

Andy Morgan

A Nissan se considera a criadora dos crossovers, pois foi a primeira a apresentar um carro totalmente novo dentro do conceito que une um SUV a qualquer outra categoria. O carro, no caso, foi o Qashqai, lançado em 2007, promovendo o encontro do compacto urbano tradicional com o utilitário esportivo. Evidentemente, a Nissan não considera o Ford EcoSport, lançado no Brasil em 2003, baseado no Fiesta. De qualquer forma, mesmo tendo inventado os crossovers, a Nissan abandonou o segmento no Brasil em 2010 (depois de vender o Murano por quatro anos), ficando de fora de um mercado que englobou 57 modelos e emplacou 298.305 veículos em 2014.

Só este ano, os crossovers reúnem 40 modelos e somaram mais de 106.000 vendas em apenas cinco meses. Mas agora a brincadeira acabou! Os crossovers da Nissan estão voltando ao mercado brasileiro. Os primeiros a chegar serão o Qashqai e o Juke, que dirigimos na Inglaterra, a convite da Nissan do Brasil. O X-Trail também foi apresentado, mas sua importação é menos provável. O Qashqai, que estreou a segunda geração na Europa em no final de 2013 é a estrela entre os crossovers nissanianos. Além de ter sido o precursor na Europa, o Qashqai está a anos-luz de distância do novo queridinho dos brasileiros, o Honda HR-V, pois manteve bastante evidente suas características de utilitário esportivo, sem perder as de hacth compacto urbano.

Com seus 4,377 m de comprimento, o Nissan Qashqai ficará posicionado exatamente entre os Honda HR-V (4,294 m) e CR-V (4,530 m). Segundo Marco Fioravanti, gerente geral de crossovers da Nissan, a primeira geração do Qashqai vendeu mais de 1 milhão de unidades porque ele é um “compacto acessível e fácil de dirigir”. Ele tem uma dirigibilidade agradável, como pudemos comprovar em um test drive feito na Inglaterra. A segunda geração – que deverá chegar ao Brasil até o primeiro trimestre de 2016 – ficou mais refinada, para dar “prestígio e distinção”, e conseguiu um bom equilíbrio na relação performance/conforto. O motor 1.6 do Qashqai desenvolve 120 cv de potência e 24,5 kgfm de torque.


A versão do Qashqai que virá para o Brasil será a completa. Ela conta com volante de couro multifuncional, um belo e eficaz navegador, sistema multimídia com várias funções e bons porta-objetos no console central

O desenho do novo Qashqai é primoroso. A lanterna avança lateralmente quase até a porta traseira. As rodas cromadas, com fundo preto, vestem pneus 215/55 R18 ou 225/45 R19 e compõem um belo conjunto visual. A posição de dirigir é mais alta do que a do HR-V. O volante de couro tem um diâmetro médio e controles do áudio, telefone e limitador de velocidade. O quadro de instrumentos é convencional, mas com ótima leitura, usa ponteiros inclusive nos marcadores de combustível e temperatura do motor. Ao centro, uma tela em LCD traz informações do computador de bordo.

A utilização do Qashquai é intuitiva. Os botões de ajuste dos espelhos estão bem localizados e o console central tem dois porta-objetos largos e profundos, além de dois espaços extras para garrafas e um compartimento fechado. As portas também possuem ótimos porta-trecos. A tela multimídia central é grande, com navegador por GPS e botões para volume e sintonia do rádio. O conforto fica evidenciado com o ar-condicionado automático digital e o teto solar panorâmico. Rodando, o Qashqai mostra-se firme nas mãos do motorista, mas o carro não é duro.

Apesar de ter a meta de subir dos atuais 2,5% para 3,0% de participação no mercado de automóveis até março de 2016, a Nissan não conta muito com o Qashquai para isso. Sua missão, assim como a do Juke (leia na página seguinte), é a de ampliar a gama da marca no Brasil e preparar terreno para outro crossover compacto, o Kicks, que deverá ter sua produção confirmada em breve (e, se isso ocorrer, ele será feito no Brasil). Com preço estimado entre R$ 125.000 e R$ 130.000, o volume de importações do Qashqai será pequeno.

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Ficha técnica:

Nissan Qashqai 1.6 Tekna

Motor: 4 cilindros em linha 16V
Cilindrada: 1618 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 120 cv a 5.600 rpm
Torque: 24,5 kgfm entre 2.000 e 4.000 rpm
Câmbio: manual, seis marchas
Tração: dianteira
Direção: hidráulica
Dimensões: 4,377 m (c), 1,806 m (l), 1,590 m (a)
Entre-eixos: 2,646 m
Pneus: 225/45 R19
Porta-malas: 430 litros
Tanque: 55 litros
Peso: 1.365 kg 0-100 km/h: não divulgado
Velocidade máxima: 199 km/h
Consumo cidade: 15,8 km/l (Europa)
Consumo estrada: 24,0 km/l (Europa)
Emissão de CO2: 138 g/km (Europa)
Nota do Inmetro: não participa

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