Nissan vai ser mais ousada no Brasil


A Nissan cansou de ser discreta no Brasil. Dona atualmente de 2,33% de participação no mercado de automóveis + comerciais leves, a marca japonesa ocupa a nona posição no ranking, com 24.783 carros vendidos de janeiro a maio. A meta da Nissan é atingir 3% em março de 2016, quando termina seu ano fiscal. Quando estabeleceu essa meta, em março deste ano, sua participação era praticamente a mesma de hoje: 2,32%. Em março de 2014 era de 1,88%. No ano passado, a Nissan vendeu no Brasil 60.760 automóveis (2,43%) e 11.596 comerciais leves (1,39%), totalizando 72.356 veículos (2,17%).

No atual cenário de crise econômica e de vendas baixas para quase todas as marcas, não há milagres a fazer. Mas, como diria Geraldo Vandré, quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Por isso, a Nissan vai começar a trazer para o Brasil alguns de seus produtos de sucesso mundial, mesmo que sejam caros e com pouco volume, para iniciar um trabalho de fortalecimento da marca. Os primeiros a chegar serão os crossovers Qashqai e Juke. Existe alguma chance de virem também o X-Trail e até o Murano (vendido no Brasil de 2006 a 2010), bem como carros esportivos como o 370 Z e o GT-R.

O slogan da marca, “innovation that excites” (inovação que excita), passará a ser fortemente perseguido pela operação brasileira. E, de fato, já não era sem tempo. Embora tenha sido a primeira montadora do mundo a criar um crossover totalmente do zero, ao lançar o Qashqai em 2007 (o Ford EcoSport nasceu em 2003, mas aproveitando a carroceria do Fiesta), a Nissan está fora do segmento de SUVs e crossovers desde 2010, portanto ausente de um mercado que englobou 57 modelos e emplacou 298.305 veículos em 2014. Só este ano, os crossovers reúnem 40 modelos e somaram mais de 106.000 vendas em apenas cinco meses.

Tanto o compacto Qashqai (estimado em R$ 130.000) quanto o radical Juke (estimado em R$ 100.000) virão em quantidades reduzidas, mas servirão para que a empresa forme a imagem de fabricante de crossovers aspiracionais, confiáveis e surpreendentes, quesitos que o Qashqai e o Juke possuem tranquilamente, criados que foram sob a pena refinada do designer mundial da Nissan, Shiro Nakamura, premiado recentemente no Festival Internacional do Automóvel de Paris. Tudo com o objetivo de preparar terreno para o pequeno Kicks, um crossover menor que o EcoSport, que ainda é apenas um conceito. Espera-se que a produção do Kicks seja confirmada em breve – e, nesse caso, ele seria fabricado no Brasil e viria com preço inferior ao do Eco.

Para saber um pouco mais sobre os próximos carros da Nissan, fiz cinco perguntas para o diretor de comunicação da Nissan do Brasil, João Veloso Júnior (na foto, ao lado de um Juke).

1) O que os crossovers da Nissan têm que os outros não têm?
O pioneirismo de ser a marca que inventou o crossover, com o Qashqai, qualidade japonesa e “innovation that excites”, que é trazer o que o cliente quer e que não seja somente da parte técnica, por um preço justo para o comprador.

2) A Nissan vai produzir o Kicks no Brasil?
Hoje o Kicks é um conceito. Primeiro ele precisa virar um produto. Adoraríamos ter esse produto, que foi inspirado no Brasil, criado em San Diego com designers brasileiros e com apoio do estúdio de design do Rio, tudo sob a supervisão de Shiro Nakamura, chefe do design mundial da Nissan no Japão.

3) Qual dos crossovers da Nissan ajudaria a formar uma base de admiradores para o Kicks?
Hoje, posso dizer que qualquer modelo global da Nissan pode chegar ao Brasil, mas não temos a confirmação de nenhum produto específico. Entre os crossovers, todos. Mas principalmente o Juke, que é um crossover compacto com um design muito expressivo e original. E o Qashqai, apesar de ser de um segmento maior, foi o primeiro crossover a redefinir o mercado europeu nessa linha.

4) Vocês podem trazer também os esportivos GT-R e 370Z?
Todos os carros da Nissan no mundo podem chegar ao Brasil, mas hoje não há planos.

5) O Nissan X-Trail tem qualidades off road para brigar com o Jeep Cherokee e o Discovery Sport?
Tem qualidades não só para brigar, como para ir além.