Nos boxes do trofeo linea

Largada da primeira etapa do Trofeo Linea de 2011, no Autódromo de Interlagos

A equipe comandada por Wilson e Christian é uma das mais bem-estruturadas do Linea

A equipe em reunião. À direita, olhos ligados nos monitores

O resultado conquistado em uma corrida é fruto do esforço de um time. Pude sentir isso na pele passando um fim de semana como integrante da equipe Fittipaldi na primeira etapa do Trofeo Linea, em Interlagos. A equipe, uma das mais bem-estruturadas da categoria, é uma sociedade entre Wilson Fittipaldi e seu filho Christian, um dos pilotos, ao lado de Hoover Orsi.

O trabalho começa no início da semana, mas os carros só vão para a pista na quarta-feira para os primeiros treinos extras. Apenas na sexta-feira é que se inicia a busca intensa pelo acerto ideal para a corrida. Cada equipe recebe dois jogos de pneus novos por carro a cada etapa. Para fazer o acerto, os pilotos rodam com as unidades usadas na etapa anterior poupando os pneus novos.

1- Wilson conversa com Hoover sobre os ajustes do carro. 2- Mecânico pluga o rádio comunicador antes da primeira prova do domingo. 3 – Christian se prepara para entrar no carro com apoio da mulher e da filhinha. 4 – Mecânicos trocam os pneus do carro de Christian, buscando o acerto ideal. 5 – Depois do treino, os pilotos conversam com Wilson sobre as possíveis melhoras no carro

Cheguei no boxe na sexta-feira por volta das 10h. O primeiro treino livre estava marcado para as 11h10. Wilson Fittipaldi foi quem me recebeu. “Nós não pagamos décimo terceiro”, brincou, quebrando o clima sério do momento.

Recebi um fone de ouvido e passe livre dentro do boxe, mas não pude colocar a mão na graxa. Minha inexperiência atrapalharia o ritmo da equipe. Christian trabalha com o engenheiro Admir Felippelli e Hoover recebe as ordens deWilson. Pelo rádio, o assunto é exclusivamente o desempenho do carro. Admir e Wilson nem olham para a pista. Ficam concentrados no visor que mostra o tempo de cada volta e a cronometragem de quatro trechos. Anotam os acertos usados, os pneus utilizados e os tempos obtidos.

O maior problema dos dois carros, até aquele momento, era a tendência para sair de frente. As equipes podem mexer na calibragem da suspensão, na cambagem, na altura do carro e na calibragem dos pneus, então, diversos ajustes de convergência foram feitos. No final do treino, Hoover e Christian se reúnem a portas fechadas com Admir e Wilson para discutir o que foi feito no carro e analisar os tempos de voltas. Como Christian havia sido mais rápido, a decisão foi copiar seu acerto para o companheiro. No treino seguinte, o maior problema era a falta de rendimento dos carros no trecho na subida da junção.

De sexta para o sábado os mecânicos subiram alguns milímetros da traseira e baixaram um pouco a frente, com o objetivo de melhorar a saída de curva. Sábado de amanhã foi o último treino livre antes da classificação. O resultado das mudanças não foi positivo. O carro estava melhor de frente, mas pulava muito na saída de curva. A solução foi voltar a traseira para a altura anterior.

O tempo melhorou. Poucos minutos antes de terminar a sessão, Christian resolveu colocar pneus novos para ter certeza de que havia encontrado o acerto ideal. Antes mesmo de concluir a volta, as parciais já apontavam uma grande melhora, mas, no último trecho, o carro falhava por falta de combustível. Mesmo assim, Admir disse para Christian tentar fechar a volta. Apesar das falhas, seu tempo foi o segundo melhor. “Ufa! Foi aos 45 do segundo tempo”, comemorou o piloto.

A estratégia para a classificação era dar apenas uma volta, para poupar os pneus novos para a corrida. Christian fez o quarto tempo e Hoover, que pegou tráfego, acabou em 13º. Na segunda parte do treino, Fittipaldi fez o sexto tempo, pois os pneus não estavam mais no ponto ideal.

Por volta das 10h do domingo, os carros foram para o grid. Christian preferiu o silêncio. Já Wilson, pelo rádio, deu conselhos a Hoover. “Pense no campeonato. Vamos atrás dos pontos”, disse. Logo nas primeiras voltas, Hoover escapa de um acidente pela grama no “S” do Senna e cai para as últimas posições. A situação da equipe fica mais complicada quando Christian, até então no pelotão da frente, abandona a prova por quebra da caixa de direção.

Hoover escapou de todas as confusões e passou bastante gente. O resultado foi melhor do que o esperado para o estreante na categoria (apesar de piloto experiente): um sexto lugar, que acabou virando quinto por conta da desclassificação de um piloto. Mas no boxe não tinha lugar para comemorações. Todos trabalhavam duro no conserto do outro carro para a segunda bateria. Os mecânicos descobriram que o suporte do motor quebrou e fez com que o propulsor atingisse a caixa de direção. Daí até as 13h30, horário da segunda bateria, foi uma verdadeira correria. Mas o esforço não foi em vão.

Hoover largou na quinta posição (o grid da segunda bateria é invertido para os oito primeiros colocados da primeira) e Christian em último. Fittipaldi chegou em quarto com seu companheiro logo atrás, mas, pouco depois de chegarem ao boxe, descobriram que o Hoover tinha recebido uma punição por um toque na pista e havia caído para a nona posição. “Foi uma punição injusta. Não tive espaço para evitar o toque”, reclamou.

O clima era de dever cumprido. “No fim do campeonato você não tem noção de quão importante serão esses pontos”, afirmou Wilson com propriedade de quem já comandou a única equipe brasileira na Fórmula 1.

6 – Mecânicos checam alinhamento e balanceamento do carro em cada volta ao boxe. 7 – Carro de Christian alinhado para a largada. 8 – A equipe se empenha para trocar a caixa de direção do carro de Christian. 9 – Hoover se concentra para a segunda bateria. 10 – Carro da equipe passando pela vistoria técnica da CBA

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