Nova geração, nova transmissão

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Roberto Assunção

Na geração anterior do Renault Logan – e do hatch derivado dele, o Sandero – a transmissão automática era amplamente criticada por ser ultrapassada, com apenas quatro marchas. Não permitia explorar todo o potencial do motor e aumentava seu consumo. Agora, a marca a trocou por uma automatizada, chamada Easy’R. Essa nova caixa faz sua estreia mundial no Brasil,
e segue a tendência do mercado – pois as automatizadas garantem consumo mais baixo que as automáticas, já que não têm conversor de torque. A exemplo dos rivais Dualogic (Fiat), I-Motion (Volks) e Easytronic (Chevrolet), o sistema Easy’R tem apenas uma embreagem – e, por isso, custo menor que o das caixas de dupla embreagem, como PowerShift (Ford) e DSG (Volks).

A Easy’R sai por R$ 2.400, um valor abaixo da média do mercado: a Fiat cobra R$ 2.973 pelo seu Dualogic Plus e a I-Motion, da Volks, custa R$ 3.150 (um automático convencional
sai por R$ 4.000 a R$ 5.000). Mas você não pode adicionar só o câmbio. No Logan Expression, tem de levar junto o MediaNav, ótimo sistema multimídia com GPS, e o preço vai de R$ 43.320 para R$ 47.220. Já no Dynamique, o pacote inclui MediaNav, sensor de ré e ar-condicionado automático – e o carro sai por R$ 51.420.

Vale a pena? Sim, principalmente para quem vive no trânsito pesado. O sistema da alemã ZF tem atuador elétrico, em vez de hidráulico, e por isso tem trocas um pouco mais lentas do
que nos sistemas da concorrência. Tem bom funcionamento no plano e quando se dirige com o “pé leve”, mas em subidas íngremes ou em acelerações súbitas, hesita nas decisões. Apesar
de não ter modo esportivo acionado por botão, 


reconhece a forma de dirigir do motorista e se adapta, passando a trocar as marchas em rotações mais altas (mas como o motor 8V tem bom torque em baixa, nem compensa muito).
Para sair de vagas apertadas, basta tirar o pé do freio que o carro avança lentamente, sem a necessidade de se pisar no acelerador. 

Como em todo automatizado simples, o pior tranco ocorre na passagem da primeira marcha para a segunda marcha, quando se acelera mais forte – em saídas de farol ou mudanças de faixa,
por exemplo. A dica é a de sempre: aliviar o pé direito quando notar que ele vai trocar a marcha. Já em uma direção mais esportiva, é possível usar o modo sequencial, movendo a alavanca
para a frente ou para trás (não há a opção de borboletas no volante). Você continua trocando marchas, mas assume o controle, alivia o pé direito na hora certa – evitando os trancos – e
o pé esquerdo ca bem descansado.