Após alguns flagras, o novo Chevrolet Sonic finalmente foi revelado oficialmente. O novo modelo estreia em maio, posicionado entre o hatch aventureiro Onix Active e o SUV compacto Chevrolet Tracker para encarar principalmente Volkswagen Nivus e Fiat Fastback — mas pode roubar também clientes de Fiat Pulse, Volkswagen Tera e outros modelos que, em versões mais caras, invadem a faixa entre R$ 130 mil e R$ 150 mil.

Por trás da silhueta de “SUV-cupê”, segundo a marca, e do nome resgatado do passado, o que temos é a velha receita do “truque do Nivus” (derivado do Polo) e aplicada sobre a base do Onix: pegar um hatch compacto, elevar capô e suspensões e trocar a tampa traseira e mais alguns detalhes, transformando-o em um “SUV”.

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Receita conhecida

O projeto, desenvolvido integralmente em ambiente virtual com o auxílio de IA, nada mais é do que um exercício de otimização de custos. A plataforma é a mesma do Onix, mantendo o entre-eixos de 2,55 m, mas a carroceria foi esticada para 4,23 m.

A modificação no design é para tentar convencer o consumidor de que ele está comprando um “legítimo” SUV (a altura de 1,53 m é a mesma do Onix Activ, (cerca de 5 cm a mais que o hatch “tradicional” por conta da suspensão elevada).

novo Chevrolet Sonic
Chevrolet Sonic (foto: divulgação)

A marca insiste no termo SUV-cupê, mas trata-se de ilusão de design a queda do teto (o mesmo do Onix) é sutil, servindo mais para diferenciar o modelo do Tracker do que para evocar um real espírito esportivo.

Ao menos, com 20 cm de vão livre, o Sonic ganha fôlego para encarar valetas e buracos urbanos — mas a proposta para por aí.

Sob o capô, mantém o motor 1.0 turbo de 116 cv com a polêmica correia banhada a óleo, o que o coloca em desvantagem contra os 130 cv do Fiat Pulse/Fastback e os 128 cv do VW Nivus.

Banho de loja tecnológico

Para justificar o posicionamento acima do Onix Activ e abaixo do Tracker, a GM apostou no chamado Virtual Cockpit System. É a tentativa de criar um ambiente high-tech unindo painel digital e multimídia em uma moldura única.

Há um esforço visível no acabamento, com materiais macios no painel e nos bancos (os mesmos do Tracker), mas a estrutura central da cabine entrega o parentesco com o hatch de entrada.

O volante multifuncional agora ostenta a “gravata” preta horizontalizada, parte da nova identidade visual que a marca quer emplacar em 2026.

novo Chevrolet Sonic
Chevrolet Sonic (foto: divulgação)

Marketing vs. realidade do Chevrolet Sonic

A GM fala em “código de pertencimento” e “expressão pessoal” para atrair o público jovem. Na prática, o Sonic chega em maio para ocupar a décima vaga na linha de utilitários e crossovers da marca, tentando ser o SUV mais acessível para quem não quer o visual careta de um utilitário tradicional.

Com mais de 70 acessórios disponíveis — incluindo gravata iluminada —, a Chevrolet parece saber que o que vai vender o Sonic não é a performance ou a pureza do conceito “cupê”, mas sim o quanto ele consegue parecer um carro de categoria superior.

Fica a dúvida: o consumidor vai aceitar pagar o prêmio de “SUV-cupê” em um carro que compartilha tanto DNA (e limitações) com o Onix, ou o Nivus continuará sendo a referência de quem busca essa estética?

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Chevrolet Sonic (foto: divulgação)