Novo Nissan March: evolução radical

Quattroruote

Todo carro de sucesso passa por mudanças de geração. Mas às vezes essas mudanças são tão drásticas que ele parece se transformar em um outro carro. É exatamente o que vai acontecer ainda no ano que vem com o Nissan March (que é chamado de Micra na Europa). Sua nova geração será muito diferente do modelo produzido hoje em Resende (RJ). Tanto que a Nissan até pensa em adotar um novo nome. As dicas sobre o novo design vieram dos conceitos Kicks, que estreou no Salão de São Paulo no ano passado, e Sway, exposto em março no Salão de Genebra. A grade em V é a mesma dos mais recentes Nissan, pára-choques e laterais são fortes, os ombros são esculpidos e o teto “flutua” sobre a coluna C.

Em suma, um design sofisticado, quase pretensioso. O futuro March será de vanguarda e, por isso, talvez fique mais caro. O raciocínio dos executivos da Nissan é bastante simples: “E se nós decidíssemos aplicar a mesma lógica radical e os mesmos padrões de qualidade de carros de sucesso com Juke e Qashqai em nosso modelo urbano?” Transferir esse conceito para o March/Micra significa colocá-lo em desacordo com a filosofia de produto de base que caracteriza o modelo atual, nascido como carro global – uma forma “politicamente correta” para indicar um veículo desenvolvido tendo como prioridade a contenção de custos de producão e destinado principalmente para os mercados em desenvolvimento.


Os conceitos Sway (à esq.) e Kicks (à dir.) dão os rumos do novo design. O painel será mais comportado, claro

Do ponto de vista mecânico, a nova plataforma será bastante similar à atual, mas modernizada com componentes da plataforma modular CMF: um conjunto de cinco módulos intercambiáveis (agregado dianteiro, agregado traseiro, motor, habitáculo e arquitetura eletrônica) com os quais a aliança Renault-Nissan começou a construir seus modelos recentes. Os benefícios? Para começar, um entre-eixos 10 centímetros maior (o March atual tem 2,45 m e o Hyundai HB20, 2,50 m). Já seu comprimento passará de 3,83 m para quase 4 metros, superando a concorrência (na faixa de 3,90 m). O sistema eletrônico será mais moderno, incluindo monitoramento por câmeras. A única coisa que não muda muito é a oferta de motores – aqui, ele manterá o recém-lançado moderno 3 cilindros 1.0 (com fabricação no complexo industrial da marca em Resende) e também o atual 1.6 – pelo menos em um primeiro momento.

Esse novo March/Micra chega ainda em 2016 à Europa, onde foi concebido (na Inglaterra) e será fabricado pela parceira estratégica Renault em sua unidade locaizada em Flins, França. Parte da produção, claro, continuará na fábrica indiana de Chennai e – o mais importante – também aqui no Brasil. A fabricação nacional deve começar em 2017 para dar mais força ao compacto na briga contra os mais refinados rivais Hyundai HB20, Ford Ka, Volkswagen Up e cia (leia comparativo da geração atual contra eles aqui – e descubra por que ficar mais refinado é uma necessidade). Talvez ele divida a linha com o modelo atual, que seria mantido com preço mais baixo.