Novos brasileiros na Fórmula 1 2009

Bruno Senna

No automobilismo, um sobrenome de peso muitas vezes ajuda bastante um piloto a chegar à Fórmula 1. No caso de Bruno Senna não poderia ser diferente, mas ser sobrinho do tricampeão mundial Ayrton Senna nem sempre o favoreceu. Com a trágica morte do tio em uma corrida, a família passou a ser contrária à sua escolha de carreira como piloto de competição. Por conta disso, Bruno ficou dez anos longe das pistas. Apenas em 2004, quando já estava com 20 anos de idade, voltou a acelerar, desta vez em categorias de monopostos – sua altura já não permitia que voltasse para o kart. E ele até que tentou, mas a aventura não foi bem-sucedida, e acabou lhe custando algumas costelas quebradas.

A volta às pistas de corrida esquentou as discussões sobre seu futuro, mas, para a surpresa de muitos, seu desempenho fez, sim, jus ao seu famoso sobrenome. Depois de passar pela Fórmula BMW, foi terceiro colocado no campeonato de Fórmula 3 Européia e vice-campeão da GP2 deste ano. Para 2009, Bruno Senna negocia contrato com várias equipes da F-1. Seu objetivo é conseguir uma vaga de piloto titular. Caso isso não aconteça, pretende correr mais uma temporada na categoria GP2. Especula-se que o time mais provável para sua estréia na mais importante das modalidades do automobilismo mundial seja a Toro Rosso, que tem entre seus sócios Gerhard Berger, amigo muito próximo da família.


MOTOR SHOW: Você se sente totalmente preparado para correr na Fórmula 1?

Bruno Senna: Acho que sim. Corri os últimos dois anos na Fórmula GP2, cujo carro é o que mais se aproxima do da Fórmula 1. Conheci também a maioria dos circuitos, inclusive aqueles do Oriente Médio. Isso não significa que não seja necessário um período de adaptação, como acontece com qualquer outro piloto estreante. Se conseguir uma vaga de piloto titular, testar e me envolver com o dia-a-dia da equipe, vou acelerar este aprendizado.

MS: Com quais equipes você está negociando? Com qual delas é mais provável assinar?

BS: Conversei com a maioria delas, com exceção de Ferrari, Red Bull e Renault. Mas não dá para apontar uma mais provável. Há muita coisa que também não depende de mim.

MS: Para entrar na Fórmula 1 é fundamental que se tenha um bom patrocinador?

BS: Não mais. As equipes são quase todas de fábrica ou pertencem a grupos muito sólidos. As equipes que viviam do aluguel de carros desapareceram.

MS: Quais serão seus objetivos neste primeiro ano de categoria?

BS: O primeiro deles é arrumar uma vaga em uma equipe… (risos)

MS: Como é estar à beira de compor o grid mais concorrido e sonhado do mundo?

BS: Claro que estou ansioso. Venho me preparando para correr na Fórmula 1, mas não quero apenas chegar lá. O mais difícil é se manter. Tenho de retribuir a chance que me for oferecida da melhor maneira possível.

MS: O que será mais difícil, dominar um carro de Fórmula 1 ou as pressões políticas e pessoais da categoria?

BS: Esta é uma pergunta que eu só poderei responder com certeza depois de passar meu primeiro ano completo na Fórmula 1…

MS: As diferenças de performance do carro e do desgaste físico da GP2 para a Fórmula 1 são muito grandes?

BS: Os carros da Fórmula 1 são de cinco a sete segundos mais rápidos que os da GP2, dependendo do circuito, e o formato dos grandes prêmios também é bem diferente. Nos finais de semana, os carros da F-1 andam muito mais que os da GP2. Na sexta-feira, por exemplo, tínhamos apenas um treininho de 30 minutos e uma sessão classificatória com a mesma duração. Mas a maior diferença está mesmo nas corridas: as da Fórmula 1 têm 300 quilômetros, enquanto a mais longa da GP2, na abertura da rodada dupla no sábado, só chega a 180 km.

Por tudo isso, o desgaste físico na Fórmula 1 é evidentemente maior. Mas estou bem preparado, também no aspecto físico, para essa mudança. Eu tenho trabalhado bastante meu condicionamento para não sofrer quando a oportunidade finalmente aparecer.

Aos 13 anos de idade, Lucas di Grassi começou a correr de kart. Apesar de não ter iniciado tão cedo como a maioria dos pilotos que desejam seguir carreira no esporte, foi campeão Bandeirante, Paulista do Interior, Sul-americano e Pan-americano. Todas estas vitórias já indicavam o futuro promissor que teria pela frente. Dito e feito: ao sair do kart foi vice-campeão brasileiro de Fórmula Renault, vicecampeão da Fórmula 3 Sul-americana e vencedor do GP de Macau de F-3 mundial. Mesmo com todo esse belo currículo no automobilismo de base, uma das maiores alegrias da carreira de Lucas foi sua seleção para o programa de desenvolvimento de pilotos da equipe Renault de F-1. A partir de 2004 a equipe passou a gerenciar sua carreira, escolhendo equipes e campeonatos de que participaria. Com isso, em 2005, fez seu primeiro teste na F-1, pilotando o carro de Fernando Alonso, e no ano seguinte estreou na GP2, desenvolvendo o carro da categoria. Depois de passar uma temporada difícil na GP2, pilotando um carro não tão competitivo, mudou de equipe e, em 2007, obteve ótimos resultados, levando a ART Grand Prix a conquistar o vice-campeonato de construtores da GP2. A recompensa veio com a contratação para ocupar a vaga de terceiro piloto da equipe Renault de F-1, posição que ainda ocupa. Para a temporada 2009, Lucas tem muitas chances de se tornar o piloto titular. Segue entrevista exclusiva com o brazuca.

MOTOR SHOW: Você se sente totalmente preparado para a Fórmula 1?

Lucas di Grassi: Acho que já estou preparado, sim. E a equipe Renault também acha, como disse o Pat Symonds, diretor de engenharia, que elogiou meu trabalho em uma entrevista recente. Se ele, que é quem dirige a área técnica, está contente com o meu desempenho, então acho que cheguei mesmo ao nível competitivo da F-1.

MS: Com quais equipes você está negociando? Com qual delas é mais provável assinar?

LG: Meu contrato é diretamente com a Renault. Então, não negocio com outras equipes. Eles é que determinam meu futuro. Além da própria Renault, sei que posso competir em outros times. Mas isso depende diretamente da Renault. Meu passe é deles, e acredito que vão fazer o melhor possível, estou confiante.

MS: Para entrar na F-1 é fundamental que se tenha um bom patrocinador?

LG: Se você não tiver dinheiro ou sobrenome famoso, fica mais difícil. Mas isso não é tudo. Se trabalhar e tiver talento, vai chegar lá. Hoje, apenas duas dezenas de pilotos de todo o mundo têm o privilégio de competir na F-1. Mais uns dez (eu entre eles) podem testar estes supercarros. É muito pouco, considerando que há milhares de pilotos sonhando com isso.

MS: Quais serão seus objetivos neste primeiro ano de categoria?

LG: Tenho que ser humilde. Preciso mesmo é aprender. Mas sei que não posso me contentar apenas em satisfazer a mim mesmo. Tenho que mostrar resultados. Hoje há muito dinheiro na F-1. E dinheiro não tem paciência nem é bonzinho. Dinheiro, seja na F-1, seja na bolsa, quer resultado. Senão, você está fora.

MS: Como é estar perto de compor o grid mais concorrido do mundo?

LG: É mais ou menos como mergulhar no escuro. Mesmo tendo acompanhado a equipe por alguns anos como contratado da Renault, ainda há aquela sensação de que você não sabe o que irá acontecer. Eu sei que estou pronto, que sou bom piloto – meus resultados têm mostrado isso. Mas a F-1 é um mundo à parte. Então, tenho que ser melhor ainda. E vou ser. É minha única alternativa.

MS: O que será mais difícil: dominar um carro de F-1, ou as pressões políticas e pessoais da categoria?

LG: O carro eu já domino. Provei isso nos testes que fiz em Jerez. Quanto à pressão, ela é um problema para todos, do pior piloto ao campeão. Ninguém escapa. Mas isso a gente ameniza com bons resultados. E eu costumo lidar bem com essas coisas.

MS: As diferenças de performance do carro e do desgaste físico da GP2 para a Fórmula 1 são muito grandes?

LG: A diferença é grande. Mesmo assim o GP2 é um carro fantástico. Não dá para negar que os F-1 são melhores em tudo, frenagem, contorno de curva… Enfim, é uma categoria realmente superior.

 

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