O ataque dos vírus

Não bastavam as ameaças aos computadores domésticos. Agora os vírus, aquelas pragas da informática, ameaçam nossos automóveis. Imagine um carro que, sob um ataque virtual, saia do controle: acelere ou freie sozinho, pare subitamente, acione a buzina, trave as portas, acenda luzes espias… Parece uma daquelas bobagens que povoam a internet, mas não é bem assim. Algumas dessas coisas podem começar a acontecer, de fato, na vida real.

Hoje, os carros são repletos de redes digitais que, em maior ou menor grau, controlam o funcionamento do veículo. As informações captadas por sensores são interpretadas por uma central eletrônica, que as usa para fazer funcionar motor, direção, câmbio, freios, ABS, controles de estabilidade, travamento das portas, airbags e suspensões, entre outros. Isso não é um problema até que essa parafernália esteja exposta na internet. Mas hoje muitos automóveis já são capazes de interagir com a rede de computadores, tornando-se vulneráveis a ataques de hackers. Mesmo os que não têm essa tecnologia podem ser invadidos por meio de seus sistemas de entretenimento. Muitos permitem, por exemplo, que o condutor plugue um celular ou um tablet e os utilize como modem, criando uma rede de conexão a bordo. Pronto, a porta está aberta.

Em 2010, um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia mostrou ser possível tomar o controle de um carro usando um notebook com um software caseiro ligado à central eletrônica. Reduziram a velocidade, frearam rodas e pararam o veículo, sem que o motorista conseguisse evitar. Agora, estão repetindo a experiência, sem conexão física, via bluetooth.

Sistemas de imobilização ou assistência remota baseados na web também podem ser uma porta de entrada. No Texas, um ex-funcionário de uma concessionária travou a ignição e disparou a buzina de centenas de carros por meio de um sistema de travamento remoto que é utilizado para imobilizar o carro caso o proprietário deixe de pagar as prestações. Era o que o jovem hacker precisava para se vingar dos chefes.

Um outro tipo de ataque foi testado pelos pesquisadores das universidades Rutgers e South California. Eles interceptaram os sinais de radiofrequência dos sensores que enviam dados de pressão dos pneus. Com isso, conseguiram seguir o trajeto do carro a distância. Esse mesmo tipo de sinal, em alguns modelos, é usado no acelerador eletrônico, o que evidencia o risco potencial.

Não há sistemas totalmente à prova de hackers, mas, sim, mais ou menos eficientes. A questão é saber se as montadoras estão tomando precauções e adotando protocolos mais seguros quando decidem expor seus modelos à internet. “Se pensarmos que um malware pode esconder-se dentro de um inocente arquivo MP3, entenderemos por que não podemos minimizar esse problema”, afirma Stuart McClure, vice-presidente sênior da McAfee, a gigante americana da segurança de informática. “No momento, tudo o que está circulando não tem proteção alguma. Para a maior parte dos fabricantes de carros, segurança digital é um acessório”, completa o executivo.

Um estudo realizado pela McAfee em 2011 garante que os automóveis serão justamente os próximos alvos dos hackers, que poderão tomar o controle da condução e roubar dados dos equipamentos eletrônicos dos ocupantes e até descobrir sua localização. Será que em pouco tempo teremos que rodar o antivírus cada vez que formos tirar o carro da garagem? Estamos preparados para pressionar ctrl + alt + del cada vez que o motor travar? Por enquanto, nos resta tomar cuidado com a integridade do que plugamos no carro, seja um smartphone, seja um tablet ou um MP3.

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