O caçula da Stock


Embora popular no Brasil, o automobilismo não é nada acessível. Poucos têm oportunidade e recursos para praticá-lo, ainda mais em competições profissionais. Um piloto que segue carreira no esporte gasta R$ 15 mil, em média, para participar dos principais campeonatos de kart do País. Depois que ele passa para os autódromos, os gastos aumentam ainda mais. A Stock Car é, indiscutivelmente, a modalidade nacional mais importante, competitiva e popular. É o último passo para quem construiu sua carreira nos carros de turismo. O custo de cada prova, dependendo da equipe, costuma chegar aos três dígitos.

Mas, em 2006, a empresa JL resolveu dar uma chance para quem deseja ingressar no automobilismo sem ter tantos recursos financeiros, e, inspirada na categoria americana LegendsCars, criou a Stock Car Jr. “Queríamos lançar um campeonato de base dentro do calendário da Stock Car. Ela seria uma modalidade escola”, conta Felipe Giaffone, chefe de equipe e um dos idealizadores da Stock Jr. Para participar desta categoria, a única exigência é que o interessado tenha carteira de piloto de competição (há cursos que as fornecem) e seja filiado à CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), com represetações nos principais Estados brasileiros.

A LegendsCars é uma categoria presente em varios países, porém é nos Estados Unidos que a modalidade tem mais força. Lá, costuma abrir as corridas da Fórmula Indy. A JL trouxe os carros da LegendsCars para criar aqui a Stock Car Jr. A diferença dos carros da Legends para os da Stock Jr. é a carenagem , que foi criada pela JL aqui no Brasil

Os motores devem estar com desempenho igual. Abaixo, Felipe Giaffone acelera no dinamômetro para garantir que todos eles estão com a mesma potência

O Stock Car Jr. tem a carenagem feita em fibra de vidro, produzida aqui no Brasil. As rodas são aro 13″ e os pneus, todos radiais, importados dos EUA – feitos exclusivamente para este tipo de carro. Seu interior é apertado e rústico. No painel há apenas o conta-giros, a chave geral, o botão de ignição e a luz que indica a hora certa para a mudança das marchas

Diferentemente da Stock V8, Light e Pick-Up, o piloto não precisa adquirir o carro. Todos os bólidos são alugados por prova, ao custo de R$ 13.900. No valor já estão incluídos mecânicos, pneus, traslado dos carros e reparos de possíveis quebras. Fica por conta do piloto apenas a inscrição da prova, que vai de R$ 800 a R$ 1.500, e as despesas de viagem. Em casos de batida, os próprios participantes possuem um tipo de seguro. Segundo Giaffone, há um acordo que determina que o piloto envolvido no acidente deve pagar uma franquia de R$ 500, e o resto do prejuízo é dividido ao meio – metade é paga pelo próprio piloto e a metade rateada entre os competidores.

Para proporcionar total igualdade de condições dos equipamentos, após as corridas os carros voltam para a JL, onde passam por um serviço de revisão, limpeza e, se necessário, reparo. Depois de tudo acertado, todos são submetidos ao dinamômetro para garantir que estão com a mesma potência. O carro tem um chassi tubular importado dos EUA, motor Yamaha 1.250 cc, câmbio seqüencial e pneus radiais aro 13″, também importados dos EUA. Com os 118 cv, aliados aos baixos 550 kg, o veículo chega no final da reta do Autódromo de Interlagos a 185 km/h. Isso porque o goro do motor está limitado em 9.000 rpm.

O Campeonato da Stock Jr tem 11 etapas, todas acompanhando o calendário da Copa Nextel. Atualmente a categoria possui 17 participantes e é dividida em dois campeonatos, o Master (pilotos acima de 30 anos) e o Pró (pilotos de até 30 anos). Ao longo das etapas, R$ 50 mil são dados de premiação, e, no fim do ano, o campeão de cada modalidade ainda ganha um carro zero-quilômetro. Essas premiações completam o pacote de atrativos da categoria para os pilotos novatos e, até mesmo, os mais experientes.

Afinal, o que todo piloto em ascensão deseja é poder participar de uma categoria que oferece baixo custo, boa visibilidade e muita disputa. Exatamente as principais características da Stock Car Jr. Talvez seja por isso que, em apenas três anos de existência, ela já se tornou uma das mais promissoras modalidades do automobilismo brasileiro.