O clássico voltou

JEEP WRANGLER R$ 104.900

Em um mundo onde os utilitários esportivos estão cada vez mais urbanos, em que os “crossovers” como o Nissan Murano oferecem dirigibilidade e conforto de sedãs, mas com tração 4×4 para um eventual percurso em estradas de terra, os aventureiros fãs de trilhas mereciam este (re)lançamento.

Importado de 1997 a 2001, o antigo Jeep Wrangler Sport não foi um sucesso de vendas. Apenas 600 unidades foram comercializadas na época, uma média de 12 carros/mês. O que não significa que ele fosse ruim, mas era (como ainda é) um carro de nicho: para trilheiros, amantes da marca Jeep e dos jipes clássicos.

E muita coisa nele, além de sua capacidade offroad, é feita para agradar esses compradores. As dobradiças das portas expostas e as cintas que as seguram quando abertas, as travas do capô, os faróis redondos e a grade dianteira, por exemplo, são parte do DNA do carro. Não podem ser mexidos ou redesenhados, sob risco de reclamações.

O Wrangler conta agora com vidros e travas elétricas, airbag e controle de estabilidade. Mas ainda falta o ajuste dos retrovisores externos. Seu porta-malas acomoda apenas 50 litros de carga ou 173 litros, com a remoção dos bancos

Mas isso não significa que ele não possa melhorar. Na verdade, este jipe vem evoluindo desde 1941, nos tempos da Segunda Guerra, quando se chamava Willys MB (depois Ford-Willys) e era de uso militar. Depois da guerra, as versões civis começaram a ser vendidas e, mais tarde, a marca Jeep seguiu vendendo o carro.

Em relação ao modelo anterior, o Novo Wrangler Sport também traz evoluções. O motor 4.0 com seis cilindros em linha foi substituído por um V6 de 3,8 litros e 199 cv. Um motor que privilegia o torque (32,1 kgfm), importante nas trilhas pesadas.

Não que seu desempenho seja ruim (ele acelera até 100 km/h em 10 segundos, com baixo ruído), mas as retomadas são lentas e ele tem um comportamento dinâmico “normal”. Com construção tipo carroceria sobre chassi, ele é, afinal, um jipe. Para quem dirige um Troller (principal concorrente, junto com Pajero TR4), seu comportamento até merece elogios. Mas na comparação com um carro de passeio, é sofrível. Mas a tecnologia está aí para tornar o Wrangler mais seguro no asfalto. Com controle de estabilidade, ABS, sistema anti-capotamento, airbag duplo, diferencial com deslizamento limitado e amortecedores a gás, os problemas de dirigibilidade ficam amenizados.

As tração pode ser traseira ou 4×4, com opção de neutro (para usar o guincho, opcional) e reduzida. Os eixos foram reforçados (o dianteiro é um Dana 30 e o traseiro Dana 44) e, além disso, pela primeira vez, o Wrangler tem barra estabilizadora dianteira e sistema Brake-lock, que freia as rodas sem aderência em situações off-road e passa o torque para as demais.

As dobradiças expostas e as cintas de tecidos são mantidas desde os modelos mais antigos

Para completar, 36,4 graus de ângulo de entrada, 29,8 de saída e 50 cm de imersão (vale a pena pensar em pneus lameiros, já que eles não vêm de série). A unidade fornecida para a avaliação de MOTOR SHOW tinha apenas o teto de lona, mas, quando se compra o Wrangler, ele vem também com a capota rígida. A novidade é que ela agora é dividida em três partes, que podem ser retiradas individualmente.

Para quem curte trilhas e tem dinheiro para gastar (R$ 104.900), uma boa opção. O TR4 (R$ 75/80 mil) não tem tanta personalidade e o Troller (cerca de R$ 20 mil mais barato), roda com diesel, mas não tem airbags, ABS, piloto automático e outros requintes do Wrangler. Faça sua escolha e caia nas trilhas.

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