O desafio agora é dos grandes

Apostando no fato de que quase ninguém usa a tração integral e na tentativa de baratear o preço de seus modelos, Honda e Toyota lançaram opções 4×2 de seus SUVs. Primeiro foi o CR-V, que em 2008 ganhou a opção com tração dianteira e preço mais atraente. Funcionou. As vendas decolaram e a Toyota apostou que poderia obter o mesmo resultado com o seu RAV4, apresentado na versão 4×2 no final de 2010, durante o Salão do Automóvel em São Paulo. Em novembro de 2010, por exemplo, o CR-V fechou o mês com um recorde de vendas. Foram 2.095 unidades comercializadas, a maioria da versão 4×2 – uma marca que o colocou no topo do segmento, atrás apenas do (mais barato) Ford EcoSport. Mas será mesmo que a Toyota poderá ameaçar a rival ou, ao menos, repetir o seu feito?

A primeira coisa que diferencia o CR-V do RAV-4 é o preço. Enquanto o modelo da Honda, fabricado no México e trazido ao Brasil sem o pesado imposto de importação, custa R$ 88.400, o rival da Toyota, japonês legítimo, foi apresentado com valor maior: R$ 92.500. Não seria uma diferença tão grande se o pacote de equipamentos a justificasse, mas não é o que acontece. Os dois modelos oferecem uma lista de itens muito semelhante, com trio elétrico, ar-condicionado (no Honda com dutos para a traseira e no Toyota com regulagem independente de temperatura para motorista e passageiro), volante multifunção (controle de som no RAV4 e do piloto automático no CR-V), direção com regulagem de altura e profundidade, banco do motorista com regulagem de altura, sistema de som com entrada para iPod (no Honda ela não fica no som em si, mas há uma tomada no painel para o aparelho), banco traseiro reclinável, rebatível e deslizante, airbag duplo e freios com ABS. Nos dois casos, itens mais requintados – como bancos revestidos em couro e bolsas infláveis laterais e de cortina – não podem ser adquiridos nem mesmo como opcionais, ficando exclusivos para as versões 4×4, bem mais caras.


Se na lista de equipamentos a diferença de preço do Toyota não se justifica, ao rodar com o carro ela parece fazer mais sentido. O motor Honda 2.0 de 150 cv e 19,4 kgfm de torque parece pouco para impulsionar a pesada carroceria do CR-V. Mesmo equipado com um câmbio automático de cinco marchas, não são raras as situações de retomadas em que é preciso recorrer à alavanca para fixar uma marcha mais baixa (ou apertar o botão em sua lateral que desliga o modo overdrive) e ganhar força para finalizar uma ultrapassagem, o que acaba sendo um tanto incômodo. No RAV4, pelo contrário, há muita força nas arrancadas. O motor 2.4 com comando variável desenvolve suficientes 170 cv e, mesmo com a carroceria mais pesada que a do rival, ele deslancha com mais facilidade, graças ao seu bom torque, de 22,8 kgfm. Não é um número excelente para a cilindrada do motor, mas é suficiente para garantir agilidade no trânsito e retomadas mais tranquilas, embora ainda não ideais. Na estrada, a quinta marcha faz uma certa falta. O motor fica mais barulhento e gastão se comparado ao do rival.

No RAV4, acessar o porta-malas exige mais espaço livre, pois sua tampa se abre lateralmente

As semelhanças são muitas, e a decisão fica nos detalhes

No interior, novamente a paridade se restabelece. A sensação a bordo dos modelos é praticamente a mesma. Há muito espaço para as pernas e os ombros (que ficam um pouco mais bem acomodados no RAV4), assoalhos traseiros planos e bagageiros monstruosos, que podem passar dos 2.000 litros com o rebatimento dos bancos traseiros (situação em que ambos ficam com o espaço de carga totalmente plano), com uma boa vantagem em volume para o porta-malas do Honda quando os bancos estão em posição normal. A mesma igualdade se percebe no comportamento dinâmico dos dois modelos, que são estáveis mas pouco aptos a exageros – como é normal em carros do segmento, com centro de gravidade mais alto.

Em modernidade, o CR-V leva vantagem. O modelo da Honda acabou de passar por uma atualização de design (capô, pára-choque e grade), que a garantiu uma sobrevida à carroceria atual. Uma nova geração só deve aparecer em 2012. Já o RAV4, em contrapartida, já mudou completamente na Europa (como mostramos na edição passada), o que pode indicar que a substituição desse modelo hoje vendido aqui (e nos EUA) esteja bastante próxima. Ou seja, se você fizer questão de um desempenho mais vigoroso, deverá pagar o valor a mais pedido pela Toyota em seu SUV. Agora, se o desempenho apenas satisfatório do CR-V não for um problema, em princípio, ele parece uma compra mais racional e segura neste momento.

No RAV4, como no rival, há dois porta-luvas. Os comandos do som ficam no volante e os do piloto automático, em uma alavanca na coluna de direção

No Toyota, o painel de instrumentos privilegia os mostradores analógicos. Há uma interessante disposição dos comandos do ar-condicionado – digital dual zone. O espaço traseiro é um pouco maior e o porta-malas tem uma rede para colocar objetos

No CR-V, a localização do câmbio libera mais espaço no assoalho entre o motorista e o passageiro, mas o sistema de som é mais simples que no rival

No Honda, o painel tem mais elementos digitais, como o prático indicador de consumo instantâneo. O ar-condicionado é analógico (com a mesma temperatura para motorista e passageiro). No porta-malas, uma solução mais prática: uma prateleira removível divide o espaço em dois, facilitando a organização

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