O DUELO DOS CROSSOVERS

AUDI Q7 V6 R$ 309.833

SUBARU TRIBECA LIMITED R$ 196.150

Para os fãs da Audi, comparar um Q7 com um Tribeca pode parecer quase uma heresia. Mesmo aqueles que não são tão fanáticos pela marca dos anéis, ao verem a abertura desta reportagem vão imaginar que o modelo alemão venceu de lavada seu concorrente japonês. Mas nem sempre as coisas são como parecem. Apesar de ter um conjunto mais equilibrado que o do Subaru, o Audi não o vence por uma larga vantagem e – quer saber do mais incrível? – ele não é necessariamente a melhor compra entre esses dois SUVs. Duvida? Então vamos aos fatos.


A primeira diferença está nas medidas. O Audi é nitidamente mais parrudo, grandalhão. O modelo alemão, com seus 1,98 m de largura, é 10 cm maior que seu oponente. E isso, na rua, faz uma baita diferença, principalmente se a idéia é dirigir o carro diariamente. Chega a ser cansativo. Mas… isso não é um defeito. Há quem goste. No comprimento o Audi também é maior (5,10 m, contra 4,87 m do Subaru) e aqui as medidas avantajadas representam um ganho. Ajudam o Audi a oferecer mais conforto, mais espaço para as pernas dos ocupantes e maior capacidade para carregar bagagens. Isso porque a distância entreeixos do Q7 é de 3 m contra, 2,75 m do Tribeca, e o porta-malas de 655 litros é 130 litros maior que o do rival.

Em nível de equipamentos, os modelos praticamente se equiparam, mas o Audi oferece um acabamento melhor. A sensação a bordo é de um carro mais refinado. Mas os comandos da central MMI acessados por botão não são fáceis de operar. Nesse ponto, a tela touchscreen do Subaru é mais “amigável”

Ambos utilizam motores seis cilindros de 3,6 litros. O do Audi, em V a 15 graus, tem duplo comando de válvulas variável e gera 284 cv a 6.220 rpm com torque máximo de 36,8 kgfm estáveis de 2.500 a 5.000 rpm. A Subaru aposta no menos comum motor boxer ou com cilindros contrapostos, também um DOHC com comandos variáveis, que entrega 280 cv a 6.000 rpm e oferece 35,7 kgfm de torque a 4.000 rotações. A diferença não parece grande e, de fato, o motorista não irá senti- la com nitidez no dia-a-dia. Os dois grandalhões levam praticamente o mesmo tempo para acelerar de zero a 100 km/h e são espertos nas retomadas . Mesmo o Audi, mais pesado, oferece agilidade em razão de dispor de muito torque em baixas rotações. Mas, quando o assunto é velocidade final, o alemão leva a melhor, apesar da carroceria (e principalmente da área frontal) maior. O principal trunfo do Q7 está na transmissão automática de seis velocidades (no japonês são cinco marchas) eficiente e bem escalonada, que ajuda o carro a se manter sempre na faixa de rotações de melhor aproveitamento do motor e, assim, alcançar a máxima de 225 km/h, contra 207 km/h do Tribeca.

No Audi, o ar-condicionado digital é de três zonas (ou opcionalmente de quatro, como na foto), o que garante independência total dos ocupantes quando o assunto é temperatura

Apesar de seu caráter utilitário, os modelos são extremamente confortáveis no que diz respeito à filtragem das irregularidades do solo e têm bom comportamento dinâmico. Os dois utilizam suspensão independente, mas com receitas distintas. No Subaru, MacPherson na dianteira e multilink no eixo traseiro. Já o Audi vem com braços duplos triangulares sobrepostos na frente e também atrás. Com a motorização V6, o modelo alemão perde a suspensão a ar adaptável, que passa a ser um item opcional. Sem ela, a distância do solo não pode ser modificada de acordo com o piso em que se trafega, o que diminui sua versatilidade em terrenos off-road. A distância do Q7 com relação ao solo é de 20,5 cm, contra 21 cm do Tribeca. Para comparação, a Weekend Adventure Locker tem 20 cm de vão livre, o que demonstra que nenhum dos dois SUVs (ou crossovers, se preferir) deste embate têm a intenção de enfrentar o fora-de-estrada pesado. São muito mais carrões de família do que jipes.

OS COMANDOS PELA TELA TOUCHSCREEN DO TRIBECA SÃO MAIS FÁCEIS DE OPERAR. PENA O SISTEMA NÃO DISPOR DOS DADOS EM PORTUGUÊS

O habitáculo é semelhante ao da geração anterior e o couro claro foge à preferência do brasileiro por carros de interior escuro. Os comandos são dispostos racionalmente e a assistência ao estacionamento com câmera (que no Audi mostra a imagem da traseira na tela de LCD) é de grande ajuda

No Tribeca, apesar dos difusores traseiros, o ar-condicional é bizone. Os passageiros de trás só podem controlar a intensidade do ar, mas não têm como escolher a temperatura

Apesar desse espírito urbanizado, eles contam com a tração integral permanente para os momentos de lazer. Eles dividem o torque entre os eixos de acordo com a situação, através de um diferencial central de acoplamento viscoso. O Subaru oferece ainda diferenciais de escorregamento limitado, que garantem que ambas as rodas de cada eixo recebam algum torque, mesmo quando têm pouca tração.

É difícil lembrar de algum item que tenha sido esquecido na lista de série do Q7 e Tribeca. Em linhas gerais, dá para dizer que elas se equiparam. Contam com airbags dianteiros, laterais e de cabeça, imobilizador, faróis bi-xênon com lavador e regulagem automática, sistema multifunção que abriga todas as as informações de bordo, bancos com regulagem elétrica e memória, sensores de luminosidade e chuva, piloto automático, sistema de som com CD Changer para seis discos e câmera na traseira para manobras.

A retirada da alavanca do freio de mão do meio dos bancos (o freio é acionado com o pé esquerdo e, no caso do Audi, destravado com a mão) libera um belo espaço no console central, que as duas marcas souberam aproveitar. Os carros têm porta-objetos de vários tamanhos com entradas auxiliares de som

OS MOTORES DOS DOIS MODELOS SÃO SEIS CILINDROS DE 3,6 LITROS, MAS O DO SUBARU É BOXER E O DO AUDI É UM V COM INCLINAÇÃO A 15 GRAUS

A maior discrepância entre os modelos não está no que oferecem, mas no que cobram por isso. Segundo a tabela Fipe, o Audi Q7 V6 custa R$ 309.833, enquanto o Tribeca Limited sai por R$ 196.150. Ou seja, quase R$ 114 mil a mais pelo Audi que, além disso, cobra a parte a terceira fileira de bancos (que aumenta sua capacidade para sete ocupantes), item de série no Subaru. Com essa diferença, você pode levar um Honda Civic Si ou um Dodge Journey e ainda sair com troco no bolso. É um preço alto a pagar a mais por um carro que, apesar de ser melhor no conjunto, na prática, não lhe trará vantagens a mais na mesma proporção do aumento de preço.

No Tribeca, os dois bancos auxiliares ficam escondidos sob o assoalho, assim como no Audi. Mas no Subaru são item de série. Já o portamalas do modelo alemão acomoda mais bagagem: são 655 litros contra 525 litros do Subaru. O compartimento sob o assoalho do bagageiro, acomoda o macado e outras ferramentas

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