O fenômeno contra-ataca

Roberto Assunção

O Kia Cerato já foi fenômeno de vendas. Ficou durante meses, em 2011, à frente do Civic, e fechou aquele ano com 10,34% do segmento. Isso era excepcional porque, além de importado, tinha motor menos potente e não era ex. Seu trunfo era o preço. Em 2012, porém, perdeu fôlego. A chegada de novos rivais, como o Cruze, o Jetta e o Civic atualizado, derrubou suas vendas. Para piorar, o imposto dos importados aumentou. E aí ele fechou 2012 com cerca de 3% do mercado.

Agora, o sedã quer reconquistar seu espaço. E tem data marcada para o contra-ataque. Na segunda quinzena de março, a nova geração, exibida no Salão de São Paulo, chega às concessionárias. Disso já se sabia. Na verdade, sua “cara” era conhecida desde julho, quando apareceu na Coreia do Sul como K3. Nos EUA, foi mostrado em novembro como Forte 2014. A novidade é tão quente que quase ninguém o dirigiu. Com exceção de um vídeo em coreano do K3 1.8 no YouTube, pouco se sabia sobre como ele é ao volante. Até agora.

MOTOR SHOW acelerou o novo Cerato Flex 2014 nas versões manual e automática. Usando uma base totalmente nova, a mesma plataforma que serve de base para o Hyundai Elantra, a Kia corrigiu erros do Cerato que é vendido hoje, cometeu outros, e aprimorou seus pontos positivos. Além de agora aceitar etanol, o sedã  ficou mais espaçoso e equipado. Rodamos mais de 120 quilômetros com as versões manual e automática, em trechos urbanos, rodovias e estradas sinuosas.

Logo de cara, o design chama a atenção. O sedã ganhou a nova cara da marca, mas sem parecer um Optima menor ou uma cópia reduzida do Cadenza. Deixa claro que é um Kia, mas tem personalidade própria. Tem um quê de cupê quatro portas e a assinatura de Peter Schreyer, um dos designers mais aclamados do mundo.

Ao volante, como no Cerato atual, o fôlego do motor 1.6 16V impressiona. Não empolga, mas é bastante competente. Por isso mesmo, foi mantido. A (boa) diferença é que agora passa a ser  ex e, com etanol, chega a 128 cv e 16,5 kgfm (tinha 126 cv e 15,9 kgfm). Ainda não arranca suspiros, mas é ajudado pelas boas transmissões, também mantidas. A automática tem trocas suaves e borboletas no volante. No modo sequencial, não reduz quando o motorista pisa fundo (o que é bom), mas sobe de marcha ao atingir a faixa vermelha do conta-giros (o que é ruim). Várias vezes acabamos comandando as trocas juntos, e aí se passavam duas marchas de uma vez só. A manual permite extrair mais do motor e tem engates precisos e curtos – como a alavanca –, mas não suaves. Uma solução para melhorar o desempenho seria usar o 1.8 do Elantra, de 150 cv. Mas, para reduzir custos, o Cerato segue só com o 1.6. O consumo da versão com o pedal da embreagem melhorou para 10/14 km/l (cidade/estrada), ganhando nota A do Inmetro (era B), mas o da automática piorou para 9,5/12,4 km/l, mantendo seu B. De modo geral, são números similares aos do Civic e do Corolla. Podiam ser melhores, considerando o tamanho e a potência menores.

O volante en m ganhou ajuste de profundidade – por sinal bastante amplo –, melhorando a posição de dirigir, mas seu sistema de auxílio passou de hidráulico a elétrico. É até legal, com três níveis de rigidez que são selecionados por um botão no volante, mas seu acerto ficou estranho. O modo Comfort é bom só para manobras e baixas velocidades, o Sport adiciona peso exagerado e o Normal é… normal. Em qualquer um deles, as respostas são lentas e artificiais, embora até precisas. Já as suspensões seguem exemplares: firmes, robustas e silenciosas. Apesar do mais barato eixo de torção na traseira, trazido do modelo anterior, garantem uma boa pitada de esportividade e curvas seguras.

Merecem destaque também, dentro da cabine, o acabamento e o espaço oferecido. O primeiro melhorou muito (embora o isolamento acústico siga ruim, deixando o som do motor incomodar na cabine quando o motor gira mais alto): plásticos rígidos foram substituídos por materiais emborrachados e o design do painel e das portas  ficou mais elegante. Há mais espaço para os ocupantes e a bagagem e, para completar, a lista de equipamentos foi melhorada. A versão topo de linha avaliada tinha itens antes indisponíveis: faróis automáticos com lâmpadas de xenônio, bluetooth, piloto automático, retrovisor interno eletrocrômico, retrovisores externos com rebatimento elétrico, airbags laterais e de cortina e ar digital bizone com saídas traseiras, além de um volante cheio de funções.Pena que as rodas diminuíram para aro 16, o computador de bordo não indica consumo e os bancos de couro continuam ausentes. Mas os pacotes definitivos ainda estão sendo definidos.

O Cerato 2014 deverá ter três versões para cada transmissão. Os preços oficiais não foram definidos, mas as configurações automáticas chegam em março e devem partir de R$ 67 mil; as manuais, que chegam um pouco depois, devem custar a partir de R$ 58 mil. Mesmo pagando mais IPI por ser importado, é bom que a Kia consiga manter o sedã nessa faixa, um pouco abaixo da dos concorrentes, porque o preço, novamente, vai definir seu sucesso.

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