O Fusca da discórdia

Quando o Brasil ganhou o tricampeonato mundial de futebol, no México, o País ficou eufórico. Os jogadores da Seleção Brasileira que ganharam a Copa do Mundo de 1970 voltaram como heróis. A primeira parada do avião da Varig que trouxe a delegação foi em Manaus, para reabastecimento. Em seguida, a delegação voou para Brasília, onde foi recebida pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. Naquela época, os prefeitos das capitais eram nomeados.

Na euforia do título, os políticos tentavam “tirar uma casquinha” da popularidade dos jogadores. Foi então que o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, decidiu doar, com dinheiro da prefeitura, 25 VW Fusca zero-quilômetro para os 22 jogadores e mais três membros da comissão técnica. Houve até uma cerimônia, na qual os jogadores compareceram para receber a chave e a documentação de seus Fuscas. Já naquela época, a generosidade de Maluf foi contestada em Ação Popular movida pelo advogado Lopes Enei. O tema se arrastou por décadas. Maluf chegou a depositar o valor dos 25 Fuscas em juízo, mas finalmente foi absolvido em 2006 – nove Copas do Mundo depois, quando o Brasil já era pentacampeão – pelo Supremo Tribunal Federal, e não precisou devolver o dinheiro.

Em 1970, quando os 25 Fusca para os tricampeões do México foram comprados, a Prefeitura de São Paulo deu um cheque de Cr$ 315.000 para a Volkswagen. Hoje o gesto de Maluf seria absolutamente impensável.