O futuro é MQB

APENAS UMA MEDIDA É IMUTÁVEL

Todos os modelos baseados na plataforma MQB podem ter os balanços dianteiro 1 e traseiro 5, a distância entre-eixos 3 e a distância entre o banco traseiro e o centro das rodas traseiras 4 diferentes. Apenas a medida que vai do centro das rodas dianteiras aos pedais 2 será igual em todos os modelos com essa mesma base construtiva.

UMA PLATAFORMA PARA QUATRO MARCAS

A base construtiva com a arquitetura modular MQB será usada em quase todos os carros futuros da Volkswagen, da Audi, da Seat e da Skoda de motor transversal – exceto o Up!

Quarenta anos atrás, em 1972, o revolucionário Audi 80 rompeu com o passado. Apresentou ao mundo uma nova geração de motores e transmissões e estreou uma inedita plataforma, dois anos antes de nascer o primeiro Golf, em 1974. Agora, mais uma vez, um modelo da marca dos anéis foi o escolhido para inaugurar uma nova era dentro do grupo Volkswagen. O A3 antecipa todas as soluções técnicas da sétima geração do Golf, que chega no m deste ano. A revolução anunciada alcançará todos os carros com motor transversal do grupo (exceto o Up!). Uma mudança enorme condensada em uma sigla: MQB (arquitetura modular transversal). Sobre esta base, nascerá o futuro da VW, começando pelos novos A1 e Polo. Uma plataforma que será, na verdade, a espinha dorsal da organização alemã, produzindo milhões de veículos em todo o mundo.

Basta dizer que apenas com o logotipo VW serão nada menos do que 60 variantes de modelos sob esse guarda-chuva criado para nivelar, em larga escala, componentes e processos produtivos de modo vantajoso tanto para o cliente quanto para o grupo, permitindo oferecer produtos de qualidade a preços mais atraentes.

Para se ter uma ideia da abrangência do programa, somente no ano passado o grupo vendeu mais de oito milhões de unidades, divididas em 22 modelos diferentes produzidos em 90 fábricas ao redor do mundo por 450 mil funcionários. E, no futuro, o impacto da MQB será ainda maior, porque a gama de produtos no portfólio do grupo aumentará ainda mais, ocupando nichos até agora não explorados. Nesses casos, um investimento elevado não se justi caria por conta do baixo volume de produção.

Para lidar com números dessa magnitude, é preciso ter uma plataforma que permita sinergia e que seja modular, com uma base mecânica, elétrica e eletrônica que permita produzir modelos diversos em dimensões, estilo e motorização. É exatamente o que ocorre com essa nova plataforma. A única medida imutável será aquela entre a roda dianteira e os pedais. Fora isso, tudo pode ser adaptado, dependendo do projeto. Tudo mesmo, das suspensões ao entre-eixos, passando pelas bitolas dianteiras e traseiras. E tudo na forma de módulos combináveis, como em um Lego, no qual muitas peças, de cores diferentes, podem ser encaixadas no mesmo local, gerando diferentes resultados.

Uma das grandes vantagens da MQB está no fato de poder receber sistemas de propulsão alternativos, a partir da versão a gasolina. Seja com motor a gás, seja com motor elétrico (inclusive plug in) – como será uma das versões do Golf VII. Com a economia gerada pelo uso de uma base comum, os modelos poderão até ganhar mais equipamentos. O A3, por exemplo, terá uma série de funcionalidades em termos de segurança, assistência à direção e conforto próprias de categorias superiores.

COMPONENTES E PROCESSOS PRODUTIVOS UNIFICADOS EM TODAS AS FÁBRICAS

Redução de custos, melhor qualidade e exibilidade e maior oferta de produtos serão obtidos uni cando as fases e processos de produção em todas as 90 fábricas do grupo Volkswagen no mundo. Um dos objetivos principais é a possibilidade de fabricar, em uma mesma linha, modelos de marcas diversas. Um exemplo pode ser visto abaixo: hoje (nos esquemas à esquerda), os formatos dos componentes dos painéis são variados. Com a MQB, todos eles partirão de um mesmo componente básico (à direita)

Audi A1

Volkswagen Polo

Skoda Fabia

Seat Ibiza

Audi Q1

Volkswagen Golf

Audi TT

Skoda Roomster

Skoda Yeti

Volkswagen Scirocco Volkswagen Bettle

Seat Altea

Seat Leon

Volkswagen Cross Coupé Audi Q3

Volkswagen Touran Volkswagen Caddy Volkswagen Tiguan

Skoda Octavia

Volkswagen Passat Volkswagen CC

Skoda Superb

Seat Alhambra

Volkswagen Sharan

Exemplos? Câmeras que lêem placas de trânsito, identi cação de faixas de rolamento, identi cador de cansaço do motorista, piloto automático adaptativo e sistema pré-colisão, que fecha as janelas e o teto em caso de acidente iminente. Outro sistema interessante: após uma batida, a centralina que controla o airbag ativa automaticamente os freios depois do primeiro choque, evitando que o carro continue acelerando e invada a pista oposta.

Com esse Audi A3 e a plataforma MQB, estreia ainda uma nova família de motores TDI e TSI. Neles, mais um exemplo da sinergia dessa nova era: a angulação dos motores a gasolina e a diesel agora são iguais para uni car a montagem das unidades nos carros. Um detalhe que parece pequeno, mas que, ao lado de muitos outros, ajudará a reduzir tempo e custo na fabricação dos automóveis do grupo. A MQB não só será um grande auxílio para a Volks chegar à liderança mundial como será um alerta para os grandes fabricantes de que quem quiser sobreviver no futuro terá que racionalizar custos. No Brasil, de uma mesma unidade produtiva com a MQB funcionando, provavelmente em São José dos Pinhais (PR), sairão o Golf VII e o novo Audi A3 – e, quem sabe, o novo Polo, o Audi A1, o Tiguan…

A SEGURANÇA AUMENTA E O PESO DIMINUI

A plataforma MQB implica uma total reformulação da base do chassi, que deve ser alongada e alargada sem problemas. Para isso, serão usados materiais diversos, combinando resistência e leveza. Destacados no esquema, os pontos reforçados para proteção em acidentes. Assim, a sétima geração do Golf pesará tanto quanto a quarta, e com mais desempenho e segurança.

A MUDANÇA NA INCLINAÇÃO DO MOTOR TSI FACILITA TUDO

Um exemplo da unificação introduzida com a migração para a plataforma MQB: até agora os motores da família TSI (gasolina com injeção dreta, usados no Tiguan, no Passat, no Jetta Highline…) eram inclinados 10o para a frente e tinham a aspiração virada para o habitáculo (no esquema da esquerda). A nova geração dos TSI, entretanto, ca inclinada para trás 12o, com o sistema de escape virado para o habitáculo – como acontecia com o TDI até hoje. Dessa maneira, se pode uni car completamente a instalação dos motores, sejam a gasolina, sejam a diesel, reduzindo em 88% o número de variáveis nos motores e sistemas de transmissão do grupo. E já é prevista para a aplataforma a instalação de sistemas de alimentação alternativos e ecológicos, como as versões híbridas, elétricas, e a gás natural.