O lado negro da força

Roberto Assunção

Palpitações, taquicardia. Respiração ofegante, pupila dilatada. Meu corpo é tomado por pesadas descargas de adrenalina. Não há paz, calma ou tranquilidade. Não há responsabilidade, civilidade. Ao volante, me sinto um piloto, embora tenha consciência de que estou longe disso. Na verdade, mais um louco do que um piloto, um tarado por velocidade tomado por impulsos destrutivos. Um perigo. Foram três dias insanos, mas sobrevivi. E devolvi o carro inteirinho. Tratando-se de prazer ao volante, talvez tenham sido os melhores dias da minha vida. Acho que isso traduz bem o que é esse C 63 AMG Coupé Black Series.

As tais das “Séries Pretas” nasceram ainda em 2006 e são, por definição, algo muito além do normal. Quem já teve ou guiou um Mercedes AMG sabe que a preparadora oficial da marca alemã não brinca em serviço. Só faz superesportivos de respeito. Mas mesmo dentro dessa divisão esportiva há uma subdivisão que consegue ir além. Os engenheiros responsáveis pelos Black Series, modelos sempre de produção limitada, transformam os apimentadíssimos AMG em verdadeiros carros de corrida autorizados a circular legalmente nas ruas. E isso define de uma vez o tipo de carro do qual estou falando.

Com um enorme motor aspirado V8 de 6,2 litros que produz 517 cv e 63,2 kgfm de torque, ele é o mais poderoso Classe C já produzido. Com componentes emprestados do asa de gaivota SLS AMG e naturalmente aspirado, ele garante respostas imediatas e gosta de girar alto – a potência máxima é entregue a 6.800 rpm. A transmissão automatizada multidiscos (MCT) de sete marchas também é rápida – nos modos Sport e Sport Plus, efetua as trocas em apenas 100 milissegundos, acompanhadas de explosões causadas pela desativação parcial dos cilindros. Casam bem com o som espetacular e escandaloso do motor.

Aqui, as bitolas foram alargadas – a dianteira em 40 mm e, a traseira, em 79 mm – e, por isso, as caixas tiveram que crescer para acomodar as enormes rodas aro 19 com pneus também larguíssimos (255 na dianteira, 295 na traseira). Outras alterações na carroceria incluem asas, saias e extratores para melhorias aerodinâmicas, além de tomadas de ar no capô, para o motor respirar melhor, no parachoques dianteiro e na caixa de roda – para resfriar com mais eficiência os freios especiais Já as suspensões ganharam barras estabilizadoras modificadas e suspensões do tipo coil-over, como as de competição, totalmente ajustáveis.

São tantas as alterações que o carro nem vira direito: o diâmetro de giro aumentado torna as manobras de estacionamento mais difíceis. Mas quem liga para isso? As respostas aos comandos do volante, todo “quadrado” e revestido de Alcantara, são extremamente diretas e precisas, e a comunicação entre o solo e o motorista é absolutamente clara – como deve ser em um esportivo que deseja ser respeitado (mas muitas outras marcas parecem se esquecer disso).

Já havia guiado esse Black Series no autódromo de Interlagos, mas o que tornou esses três dias tão divertidos foi uma característica que não tive a oportunidade de experimentar lá: esse C 63 é um carro que se costuma chamar de “tail-happy” (traseira feliz). A combinação entre a enorme potência jogada no eixo traseiro, seu diferencial autoblocante e uma apertada no botão do controle de estabilidade (que aciona o handling mode) deixa a traseira escapar por alguns instantes em qualquer curva ou rotatória que se contorne com o pé no afundado no acelerador; aí, uma contraesterçada corrige a trajetória facilmente – e, mais importante, se você não o fizer, o ESP volta a atuar. Mas nunca – repito, nunca – desligue totalmente o sistema, pois você vai acabar mal.

Para os defeitos, não preciso de mais de um parágrafo: a interface do sistema de som e o freio de estacionamento por pedal precisam de uma atualização urgente (outros reclamariam da falta de alguns ajustes elétricos, do sensor de ré e das frequentes raspadas no chão, apesar de as prioridades do carro serem outras).

A princípio, seriam produzidos apenas 650 unidades do C 63 AMG Coupé Black Series, mas, devido à grande procura, a Mercedes fez 800. As destinadas à Europa logo se esgotaram. Aqui para o Brasil, vieram apenas dez. Até o fechamento desta edição restava apenas uma disponível para venda. Que já pode ter sido vendida. Mas diz-se, nos bastidores, que a Série pode ser relançada este ano. Tomara! Aí, quem sabe, consigo dar mais umas voltas…

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