O novo hatch da Hyundai

A fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP) está instalada em uma área de 1.390.000 m² e consumiu um investimento de US$ 600 milhões. O terreno foi doado e os empréstimo do BNDES chegaram a R$ 370 milhões. É de lá que sairá o HB20, um novo hatch para competir, no segmento de entrada, com VW Gol e Fiat Palio. As letras HB vêm de Hyundai Brasil. Já o número 20 é o código usado pela marca para denominar as plataformas desse porte. “A Hyundai Motors do Brasil funciona independente do grupo Caoa (hoje importador o cial da marca). Eles importam e fabricam em CKD. Mas, se quiserem, podem comercializar o modelo como concessionários. Nossa operação inicia com cerca de 100 lojas no país”, explica Chang-Kyun Han, presidente e CEO da Hyundai Motors do Brasil.

O primeiro contato de nosso repórter com o carro foi na Coreia onde foi desenvolvida a plataforma que dará origem, também, a um substituto para o i20

O carro terá duas opções de motores flex, importados da Coreia, e calibrados para o nosso combustível. O 1.0 tricilíndrico é o mesmo do Kia Picanto e o quatro cilindros 1.6 é o mesmo usado nos Kia Soul e Cerato. A plataforma escolhida é do segmento B, que, em breve, dará origem a um substituto para o coreano i20. Mas ela foi adaptada às nossas condições, com reforços nas suspensões e melhora no consumo. Não haverá versão com duas portas.

No alto, o painel do Elantra, que lembra o design e o acabamento do compacto. Acima, a fábrica da Coreia, usada como “modelo” para a unidade de Piracicaba

Nosso primeiro contato com o carro foi na Coréia do Sul e menos de um mês depois avaliamos o modelo no campo de provas da fábrica brasileira. Nos dois momentos, pudemos ver o carro sem disfarces, mas não pudemos registrar nenhuma imagem. As fotos que ilustram esta reportagem foram fornecidas pela própria Hyundai. Por fora, o carro lembra o i20, mas o interior tem o refino e as linhas semelhantes às do Elantra. Seu porte é o mesmo de um VW Gol.

Entre os dois modelos, a sensação foi de evolução, principalmente, nas suspensões. O conjunto dianteiro independente (MacPherson) e traseiro com eixo de torção é simples, mas assegura estabilidade nas curvas, fazendo a carroceria rolar pouco. A mecânica 1.0 provou a sua e ciência e a entrega de potência é bastante progressiva, garantindo boas retomadas. Destaque para os engates precisos e macios do câmbio manual de cinco marchas. O airbag duplo é de série, mas ABS, ar-condicionado e direção hidráulica são opcionais.

 

No test drive do Brasil, o carro já estava com novo acerto de suspensão

O disfarce tipo burca esconde as linhas de nitivas do carro. Mas as imagens de detalhes liberadas pela Hyundai ajudam a decifrar o mistério

No 1.6 o funcionamento é silencioso e elástico e as respostas e cientes. Pode vir também com o câmbio automático de quatro marchas, usado anteriormente pelo Soul. Bem que poderiam ter usado a nova caixa de seis velocidades do Kia para melhorar o nível de ruídos e baixar o consumo. Mas, venceu o menor custo.

Mesmo sob forte chuva no test drive brasileiro, o isolamento acústico foi um destaque. Além disso, a qualidade dos materiais empregados no acabamento está acima da média. Por dentro, há bom espaço para as pernas no banco traseiro e muita amplitude. Coopera a boa posição de dirigir e o volante com ajustes de altura e profundidade. Dependendo da versão (são seis ao todo), o estepe é de liga leve, um diferencial pouco encontrado mesmo em carros de segmento superior. De acordo com a Hyundai, o porta-malas é 10% maior que o do VW Gol. Ou seja, próximo dos 300 litros.

Quando a fábrica estiver a pleno vapor, a capacidade produtiva será de 150 mil unidades divididas entre o HB20 hatch, um sedã e uma variante aventureira – que será apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo deste ano. Segundo os executivos da marca, 100% dos modelos produzidos passarão pelo campo de provas para assegurar a qualidade. Nesta primeira fase, cerca de 1.200 funcionários trabalharão em dois turnos e, dependendo da demanda, a fabricação poderá ultrapassar as 180 mil unidades e empregar até dois mil trabalhadores divididos em três turnos de trabalho. “O polo de Piracicaba não produzirá veículos da Kia e não há planos de exportação”, explica Chang Kyun Han.

 

 

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