A Blazer já viveu momentos áureos aqui no mercado brasileiro. Houve um tempo, no final dos anos 90, em que a respeitada SUV da Chevrolet era o sonho de consumo da classe média brasileira. Ela admirava a Grand Cherokee e a Nissan Pathfinder, mas sabia que era a Blazer que estava mais perto de seu bolso.

Mas o tempo foi passando, a Blazer foi aos poucos envelhecendo, e à medida que os SUVs foram se modernizando, os defeitos da velha Chevrolet foram ficando mais aparentes: o motor diesel, apesar da injeção eletrônica, é lento e barulhento; o espaço no banco traseiro é limitadíssimo e seu acesso é difícil (as portas são estreitas); a caixa que contém o câmbio é grande e limita o espaço para os pés do motorista e, principalmente, do passageiro; o sistema de direção, tipo setor/sem fim, é impreciso e provoca uma desagradável instabilidade quando se trafega em estradas; o design de sua carroceria ficou “corroído” pelo tempo, mesmo com sucessivos face-lifts.

Realmente, a Blazer de hoje já sente muito o peso da idade. Mas, claro, ela ainda guarda alguns pontos positivos, que não devemos deixar de ressaltar: é mecanicamente robusta; o motor diesel eletrônico é muito durável e tem consumo contido; sua tração nas quatro rodas, com opção de reduzida, tem acionamento fácil, por meio de botões no painel, e sua vocação para vencer caminhos difíceis é indiscutível.

Com essas características, é um veículo ainda bastante útil nos mais afastados rincões de nossa terra, principalmente onde a assistência técnica é difícil, as peças de manutenção são raras e as marcas menores estão ausentes. O grande número de revendas da Chevrolet é item fundamental quando a preocupação é com a manutenção. Este fator pode acabar sendo decisivo na hora da compra. Mas o fato é que assustador mesmo é o preço dessa Blazer Executive: mais de R$ 135 mil! Em versão simples, Advantage, com o bom motor 2.4 Flex (mas apenas com tração 4×2), sai por cerca de R$ 72 mil!!! Bem mais razoável.

CONTRA PONTO

Aqui no “Contraponto”, tentamos mostrar as diferenças de opinião entre nossa equipe. No caso desta Blazer, é difícil discordar do que diz o Douglas. Realmente, o peso da idade é inegável: até nos botões de acionamento dos vidros e travas elétricas vê-se que a GM está décadas atrasada. A nova Captiva, que será logo importada do México, deveria substituir a cansada Blazer, e não “complementar a linha”, como diz a marca. Mas o novo modelo será mais caro, mesmo importada com isenção dos 35% de imposto de importação. E, se a Blazer continua dando bons resultados de venda para a marca, não podia ser diferente: assim como Fiat Mille, GM Classic e VW Kombi, vai continuar no mercado até que o consumidor passe a rejeitá-la. Morando em São Paulo, eu investiria R$ 15 mil extras em um Hilux SW4, ou economizaria mais de R$ 15 mil comprando o Kia Sorento ou o Honda CR-V 4×4 (veja o comparativo nesta edição). Mas, para quem mora em locais isolados, em que estas marcas estão ausentes, não resta muita opção…

Flávio R. Silveira | Repórter