O poderoso chefão

A receita é tentadora: cinco metros de comprimento, motor seis cilindros em V com quase 300 cv de potência, transmissão automática de oito marchas, tração traseira e distribuição de peso de 52% para o eixo da frente e 48% para o de trás. Um típico sedã executivo, valente, luxuoso e confortável. Se há uma década alguém dissesse que um modelo coreano seria capaz de desafiar os alemães da Mercedes, da BMW e da Audi, pareceria uma piada. Mas a evolução foi muito rápida, e o Hyundai Genesis chega ao Brasil para provar que suas metas podem até ser audaciosas, mas têm muito fundamento.

A já renomada marca coreana soube muito bem jogar o jogo desse segmento. Com o objetivo de conquistar os compradores norte-americanos (e realmente vem fazendo sucesso entre os consumidores mais exigentes do mundo), criou um carro grandalhão e confortável, mas trouxe para o projeto uma bem-vinda influência europeia, que freou os exageros e garantiu uma pitada de emoção. Isso fica claro tanto no design quanto na dirigibilidade. Por fora, o Genesis é imponente, sem ser espalhafatoso. É robusto, sem deixar de ser elegante. As linhas se distanciam um pouco da agressividade de Sonata e Elantra – dando personalidade diferenciada ao topo de linha da marca – e revelam traços aparentemente inspirados nos modelos alemães. Durante a avaliação, algumas pessoas chegaram a perguntar se aquele seria uma nova geração do Mercedes Classe S. Uma confusão alimentada pela curiosa ausência do logotipo da marca Hyundai na dianteira.

Os bancos dianteiros são elétricos e, para quem viaja atrás, há espaço generoso em duas poltronas individuais também com ajuste elétrico e aquecimento. No apoio de braço traseiro, abaixo, há diversos comandos, incluindo os do som. O bom porta-malas tem tampa motorizada

O interior impressiona: há couro macio por todos os lados e uma infinidade de itens de conforto e conveniência. A sensação é de que não falta nada. No começo, são tantos recursos que é difícil se adaptar. Mas, depois de algum tempo, tudo se torna mais intuitivo e fácil de manusear. A central multimídia é comandada por um botão giratório no console central. Nele, estão reunidos quase todos os comandos, visualizados na tela de oito polegadas. A começar pelo sistema de som com 17 alto-falantes e 528 watts de potência. Aliás – para quem estava curioso – o conjunto, da Lexicon, é justamente o que a Hyundai alardeou na propaganda como “uma coisa que só o Rolls-Royce Phantom tem”. De fato, a qualidade sonora impressiona. A partida é feita por botão e há luzes de cortesia com diferentes intensidades. O painel de instrumentos é 3D, há sensores de estacionamento e câmeras na dianteira e na traseira. O freio de estacionamento tem acionamento elétrico, assim como a cortina da janela traseira e o encosto de cabeça. Os bancos dianteiros podem ser refrigerados ou, em dias frios, aquecidos (inclusive o volante). O assento do motorista conta ainda com memória para dois condutores. Quem usa motorista e viaja atrás, tem conforto extra. O Genesis acomoda dois adultos em poltronas individuais. No lugar do quinto passageiro, um apoio de braço com botões que servem para reclinar o banco, acertá-lo longitudinalmente, aquecê-lo ou comandar o sistema de som. Dá até para colocar o assento dianteiro mais para a frente.

Sob o capô, um motor V6 totalmente em alumínio com 3,8 litros, que desenvolve 290 cv com 36,5 kgfm de torque. Aliado a um eficiente câmbio automático de oito marchas, o propulsor garante não só que o carro se movimente com desenvoltura, mas que proporcione certas doses de prazer. Diferentemente de outros modelos do segmento, com o Genesis não se tem a sensação de carro pesado, como se o motorzão fosse só su ciente. O Hyundai acelera com vigor e deixa o motorista conectado ao piso.

Abaixo, a câmera na grade dianteira, acionada pelo botão com o desenho do carro (acima), mostra o tráfego de pedestres. Muito útil ao sair de garagens e uma prova de so fisticação

Apesar de as suspensões independentes (multilink na dianteira e na traseira) serem voltadas ao conforto, a opção Sport ajusta os amortecedores a gás e permite uma dirigibilidade mais esportiva. Para quem gosta de dirigir, é um diferencial e tanto em relação aos típicos sedãs americanos que, de tão confortáveis, acabam deixando o motorista isolado do mundo. Para garantir a segurança, controles de estabilidade, de tração e de frenagem em curvas, oito airbags, freios ABS, sensor de chuva, desembaçador automático e faróis de xenônio.

Se você realmente busca um sedã grande de luxo, o Genesis é uma boa opção no mercado. Com cinco anos de garantia, seu preço de R$ 220 mil, um pouco elevado por conta do IPI, acaba justificado pelo nível de equipamentos que ele oferece e pelos cinco anos de garantia. E ainda é uma alternativa mais acessível aos alemães tradicionais.

Hyundai Genesis

MOTOR seis cilindros em V, 3,8 litros, 24 V, duplo comando variável de válvulas TRANSMISSÃO automática sequencial, oito marchas, tração traseira DIMENSÕES comp.: 4,98 m – larg.: 1,89 m – alt.: 1,48 m ENTRE-EIXOS 2,935 m PORTA-MALAS 510 litros PNEUS 235/50 R18 PESO 1.729 kg ● GASOLINA POTÊNCIA 290 cv a 6.200 rpm TORQUE 36,5 kgfm a 4.500 rpm VELOCIDADE MÁXIMA não disponível 0 – 100 KM/H não disponível CONSUMO não disponível CONSUMO REAL não disponível

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