O quarto elemento

A viagem seria longa. Mais de 800 km dirigindo o Renault Duster, de Campinas (SP) até São José dos Pinhais (PR). Encaramos chuva, lama, frio e longos trechos de pista seca para conhecer as aptidões do SUV da Renault. O “jipinho” é montado sobre a mesma plataforma de Logan e Sandero. Mas, em relação ao modelo europeu, produzido pela divisão romena Dacia, ganhou mudanças no design e nos motores para se adequar ao gosto dos brasileiros. Ao todo são 774 peças novas.

Mesmo com a demora no lançamento, o Duster estreia em um momento propício. Segundo Frédéric Posez, diretor de marketing da marca, entre os anos 2000 e 2010, o volume de vendas do segmento de SUV cresceu 16 vezes, enquanto o mercado total, no mesmo período, cresceu apenas 2,2 vezes. As perspectivas da Renault são de comercializar 2,5 unidades/mês. E, quem sabe, mais para frente, destronar o Ford EcoSport da liderança. “Nossa grande vantagem está na relação custobenefício”, comenta Julio Oro, diretor de engenharia de powertrain da marca.


O time da Renault Design América Latina providenciou mudanças para adaptar o carro ao gosto local. A nova grade dianteira, os para-lamas mais pronunciados, as rodas de 16”, a régua cromada na tampa do porta-malas e no desenho do pára-choque traseiro foram itens criados exclusivamente para o nosso mercado. “Com esse lançamento vamos mostrar o nosso jeito de fazer carros para o Brasil”, diz Jean-Michel Jalinier, presidente da Renault do Brasil.

O SUV será comercializado nas versões Duster, Expression, Dynamique e a topo de linha Dynamique 4×4, com a qual fizemos boa parte da viagem. Todas elas saem equipadas de série com direção hidráulica, ar-condicionado, vidros e travas elétricos. Os motores podem ser o conhecido 1.6 16V de 115 cv utilizado pelo Sandero Stepway (leia quadro) e o 2.0 16V (de 142 cv versão avaliada) que recebeu aprimoramentos antes de ser adaptado ao Duster. O chefe de produto de marketing do Duster, Fabiano Souza, explica que entre as modificações mecânicas foram empregados novos aneis, pistões, válvulas, calibração da central eletrônica, cabeçote e o aumento da taxa de compressão para melhorar o desempenho com etanol. “No total, instalamos 44 novas peças nesse motor”, diz. Apesar de já existir dentro da Renault, o câmbio manual com seis marchas também teve um desenvolvimento específico para o nosso mercado.

O modelo arranca de maneira vigorosa, mas o engate da sexta marcha poderia ser mais preciso. Mesmo assim, faz ultrapassagens com rapidez e sem sustos.

Por dentro, fica a impressão de que você está em um sedã pelo bom acabamento e também pelo espaço amplo para acomodar as pernas de quem vai atrás. O modelo avaliado, topo de linha, tem tração nas quatro rodas com três acertos possíveis

O design e a engenharia trabalharam muito para fazer do duster um produto bem acertado para o gosto brasileiro

Assim como nas versões equipadas com motor 1.6 16V, esse propulsor também pode vir acoplado à transmissão automática de quatro velocidades, que coopera para o conforto no anda e para dos congestionamentos dos centros urbanos. Esse câmbio (o mesmo que equipa o Sandero) só está disponível para as versões 4×2. Curiosamente, a caixa não equipa o modelo com tração integral, que representa o topo da linha.

Agora, se você resolver mudar a direção e se aventurar pelas trilhas nos fins de semana… Da aliança Renault- Nissan, veio todo o sistema de tração nas quatro rodas da marca nipônica. O botão seletor no painel tem três modos: 2WD (para pisos secos), Auto (que atua conforme as condições do piso) e Lock (para terrenos com baixa aderência). O Duster 4×4 traz os faróis com pintura máscara negra, rodas com pintura grafite e os emblemas 4WD no portamalas e no volante.

Outro ponto positivo do utilitário são os bons ângulos de entrada e saída: 30° e 35°, respectivamente. Os 21 cm de altura livre do solo permitem vencer os obstáculos sem sustos. Além disso, toda a calibração de suspensão (MacPherson na dianteira e multilink na traseira) recebeu atenção especial. Molas e carga dos amortecedores foram adequados ao gosto brasileiro.

No 4×4, a estabilidade é um ponto forte. Ao contornar curvas rapidamente, a carroceria inclina pouco e o Duster mostra até um toque de esportividade.

Por dentro, também há novidades. “O interior foi completamente reformulado e melhoramos o revestimento acústico”, diz Jean-Michel. Há um novo quadro de instrumentos, CD com MP3, entradas auxiliares e bluetooth e um prático porta-objetos de teto. Ele derrapa na má localização dos comandos dos retrovisores, debaixo do freio de mão, e na localização dos botões dos vidros elétricos, que ainda poderiam ser iluminados. Em contrapartida, um de seus grandes trunfos é o portamalas de 400 litros (no EcoSport são 269 litros).

“Estamos com grandes expectativas no Brasil. Na Europa, o Duster já é um grande sucesso”, finaliza Alain Tissier, vice-presidente da Renault do Brasil.

SHARE
Artigo anteriorMoss se aposenta
Próximo artigoContato