O X da questão

No verdadeiro show de talentos que é o mercado mundial de automóveis, os SUVs se tornaram as atrações mais populares do mundo. Depois de conquistarem vários mercados como legítimos carros off-road capazes de tudo, começaram a surgir aqui e ali versões pequenas de tração dianteira e vocação urbana, modelos mais aventureiros na imagem do que no conteúdo. Nosso Ford EcoSport, uma criação nacional, foi lançado em 2004 como pioneiro mundial da categoria: apesar de a Fiat ter até de certa forma antecipado a tendência com seu Palio Weekend Adventure, ainda às vésperas do ano 2000, o Eco chegou em 2004 como primeiro modelo com carroceria de SUV e base em um hatch compacto (o Fiesta).


Foi só após a estreia do EcoSport – e de todo o seu sucesso – que outras grandes marcas começaram a preparar modelos similares. Alguns eram simplesmente hatches fantasiados e com suspensão elevada, como o VW CrossFox, lançado em 2005. Mas os concorrentes mais diretos do Eco, com projetos e características mais similares às dele, começaram a surgir só mais recentemente. Na Europa, o Ford EcoSport estreia só este ano, e o pioneiro do segmento foi o Nissan Juke (nascido em 2010, o avaliamos na edição passada e deve virar nacional em 2014). Neste ano, uma nova leva chegou ao Velho Continente e logo virá para cá: Chevrolet Tracker/Trax, Renault Captur (avaliado a seguir), Peugeot 2008 e Mini Paceman são alguns exemplos. E ainda vem mais por ai: em 2013 ou 2014 chegam o Mercedes GLA, o VW Taigun, o Honda baseado no Fit (que, por enquanto, chamamos de HR-V) e um Fiat inédito.

Mas essa leva toda já havíamos adiantado aqui em nossa páginas, e o leitor habitual de MOTOR SHOW já conhece bem. O que mostramos agora é a próxima onda, formada por modelos ainda menores – com pouco mais de 4 m – e feitos pelas mais desejadas marcas de luxo alemãs. As ilustrações que você vê nessas páginas mostram os BMW, Audi e Mercedes de um futuro próximo. O que mais nos interessa é o BMW, que certamente será fabricado no Brasil – na unidade que está em construção em Araquari (SC). Posicionado abaixo do X1, será também menor do que ele. Não que os Audi Q1 e Q2 e o Mercedes “Classe X” (vamos chamá-lo assim por enquanto) não tenham chances de vir para cá – aliás, elas também são bem grandes.

 

Modular e catarinense

Em Munique, desde 1999 os SUVs são parte importante da estratégia da BMW – cuja linha vai do grande X5 ao pequeno X1 (por enquanto, seu menor SUV). Enquanto os números pares serão adotados pelos novos esportivos da marca, as letras e os números para os crossovers urbanos ainda estão para ser definidos. Já que não há nada oficial, chamaremos por enquanto o pequeno BMW de X-City ou X-Zero. A base construtiva será a mesma de pelo menos meia dúzia de futuros modelos da marca (leia mais na página 22) e de todos os Mini do futuro – a plataforma modular UKL (abreviação para Unter Klasse, ou versão de entrada). O mais interessante é que essa plataforma é fortíssima candidata a ser fabricada em Araquari, junto com a do Série 3/X1 – como revelou à MOTOR SHOW o presidente de vendas e marketing da marca, Ian Robertson, no Salão de Detroit, em janeiro deste ano. Assim, o SUV urbano da BMW já tem produção nacional praticamente garantida a partir de 2016, o que lhe garantirá um preço bastante agressivo, que deve ficar na faixa dos R$ 75/80 mil.

O futuro BMW X Zero terá cerca de quatro metros de comprimento (mais ou menos o mesmo do Renault Captur e menor do que o EcoSport) e um design agressivo, como se vê em nossas projeções. Os motores serão transversais, com três ou quatro cilindros, e a tração, dianteira. Para as suspensões, esquema MacPherson na dianteira e multilink com três braços na traseira. Na plataforma UKL, a marca pretende produzir 2,6 milhões de carros até 2020.

 

Modular e paranaense

Também construído sobre uma plataforma modular – a onipresente MQB do grupo VW – e planejado para ser lançado na mesma época do BMW, o SUV da Audi, diferentemente dos concorrentes, não tem problemas com o batizado. Com planos de dobrar sua gama de SUVs, a Audi tem muitos números disponíveis para combinar com a letra Q de seus sport-utilities: deve usar o 1 para seu jipinho urbano e o 2 para a versão cupê. Assim, é fácil concluir que a versão de produção do Coupé Crosslane Concept, apresentado no Salão de Paris em outubro de 2012, será menor do que o Q3 – e terá menos do que os 4,21 m do protótipo. O Q1/Q2 usará alumínio e materiais compostos para reduzir a massa e melhorar o desempenho. As linhas do Q1 serão herdadas do Crosslane, mas ele terá quatro portas (a marca ainda não definiu se a versão cupê terá duas ou quatro portas). No interior, ele terá um cockpit digital e console programável por touchpad.

A tração será dianteira na versão de entrada, mas a Audi não vai abrir mão de oferecer a transmissão Quattro. Quanto aos motores, há muitas opções: vão dos TSI 1,2 e 1,4 litro a gasolina, com desativação de cilindros, ao poderoso 2.0. Não está descartada uma versão híbrida. A transmissão poderá ser manual, com cinco ou seis marchas, ou DSG, de dupla embreagem, com seis ou sete velocidades.

Como a fabricação da nova geração do A3 e do Golf VII já está praticamente confirmada para a fábrica Audi-Volks em São José dos Pinhais (PR), não haveria problema nenhum em fazer lá também o Q1/Q2, que usa a mesma plataforma MQB, já em 2015. Assim como no caso do BMW, os preços devem ficar na casa dos R$ 75/80 mil.

 

Qual plataforma?

Entre as dezenas de lançamentos previstos para até 2020, a Mercedes-Benz planeja para 2017/2018 um SUV urbano com cerca de quatro metros. Uma vez que seria pouco conveniente alongar o smart da próxima geração, a marca está estudando reduzir ligeiramente a plataforma do Classe A (que deverá ter produção nacional). Uma outra possibilidade seria aproveitar o acordo com a Renault-Nissan. A arquitetura do “Classe X” pode ser a mesma da segunda geração do Juke, que chega em 2018. Os técnicos alemães, assim, teriam tempo disponível para tornar a carroceria mais rígida e leve do que a do primo menos sofisticado – diferenciando os dois projetos a partir do zero.

O candidato a ficar alojado sob o capô do Classe X é outro fruto da cooperação franco-nipo-alemã: um motor quatro cilindros a gasolina turbinado de 1,3 litro e injeção direta, com potência que pode variar de 122 a 156 cv, como revelado no último Salão de Paris. Já em relação à transmissão, o mercado tem mostrado que a tração dianteira é suficiente para a maioria dos consumidores desse tipo de carro. Por outro lado, a Mercedes possui clientes exigentes e a plataforma MFA já tem tração integral nos esportivos A45 AMG e CLA 45 AMG. Portanto, deve haver, sim, uma opção 4×4.

Mesmo sendo um modelo de entrada – deve custar cerca de R$ 75/80 mil caso se confirme a produção nacional (ou mais, caso seja importado) –, a cabine não vai trair a vocação da marca. Oferecerá o bom acabamento da Mercedes e as características de conforto, segurança e assistência ao motorista. O estilo do design seguirá como evolução natural da linguagem atual dos modelos da marca. Assim, como mostrado em nossas ilustrações, terá ampla grade vertical, LEDs diurnos e laterais com vincos marcantes.

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