Pode parecer óbvio que a função principal do óleo lubrificante seja… lubrificar. Até aí, tudo certo. Agora, o que poucos sabem e muito menos ainda praticam, é se atentar aos detalhes e minúcias técnicas de cada óleo lubrificante. Hoje, este componente é tão importante que ele, literalmente, “nasce junto” com o projeto do próprio motor.

Manutenção no carro – Foto: Freepik

Embora suas funções básicas, como reduzir o atrito entre as partes móveis, continuem as mesmas, o óleo lubrificante atual vai muito mais além, como também manter o motor “limpo”, proteger os componentes internos e, até ajudar a controlar a temperatura interna.

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Troca de óleo Motul – Foto: Divulgação

Mas porque o motor a combustão precisa ser lubrificado? Ao formar uma película entre pistões, anéis, virabrequim e comandos de válvulas, o óleo evita o contato direto entre metais, garantindo funcionamento mais suave e silencioso. Essa película também ajuda a dissipar o calor gerado pelo próprio atrito restante, o calor da combustão, atuando em conjunto com o sistema de arrefecimento, algo ainda mais crítico em motores modernos, que trabalham com tolerâncias menores e maior densidade de potência.

Além disso, o óleo tem função ativa na limpeza interna do motor. Os aditivos detergentes e dispersantes mantêm partículas de sujeira e resíduos da combustão em suspensão, permitindo que sejam retidos pelo filtro e eliminados na troca. Sem esse controle, ocorre a formação de borras e depósitos que comprometem galerias, válvulas e componentes sensíveis.

Dutos de lubrificação no motor – Foto: reprodução/Portal Lubes

Qual óleo lubrificante escolher?

Se imaginarmos que uma retífica de motor pode custar mais de R$ 20 mil (quando possível, porque algumas marcas de veículos nem oferecem mais essa modalidade, e aí é só trocando o motor mesmo, deixando a conta ainda mais amarga), a escolha do óleo correto é um passo importante. E aqui, não economize. O manual do proprietário indicada as características corretas do óleo lubrificante, revelando parâmetros que vão além da viscosidade.

Isso porque cada motor é projetado para operar com uma combinação específica de viscosidade e normas técnicas, que incluem padrões internacionais, como API e ACEA, e homologações próprias de cada montadora. Essas especificações garantem resistência térmica e mecânica, estabilidade química e compatibilidade com materiais e sistemas internos. Ah, muito importante: não misture óleos de especificações diferentes, principalmente os de base mineral com sintético ou semi-sintético.

Óleo lubrificante Eurol – Foto: divulgação

E nos motores modernos…

Nos motores turbo e de injeção direta, o óleo assume papel ainda mais crítico. Ele precisa suportar temperaturas elevadas, evitar a carbonização no eixo da turbina e controlar a formação de depósitos, além de lidar com a diluição por combustível. Isso por quê a injeção de combustível diretamente na câmara de combustão (que é muito mais eficiente) traz desafios com relação ao lubrificante, já que a injeção de combustível é feita com altíssima pressão. Por outro lado, o uso das tecnologias de sobrealimentação com injeção direta colocaram os motores em outros patamares de potência e torque.

Renault Boreal Iconic
Motor 1.3 turbo da Renault rende até 163 cv (Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Renault)

E essa densidade de potência cresceu exponencialmente nas últimas décadas. Se pensarmos que motores antigos desempenhavam algo em torno de 40 a 50 cv/litro, motores turbocomprimidos atuais oferecem mais do que o dobro. Por exemplo, carros 1.0 turbo como SUVs de entrada, Tera, Pulse, Kardian etc, já entregam algo em torno dos 115/130 cv por litro, gerando assim muito mais energia num bloco de motor muito menor. Mais energia, mais calor, mais desafios na lubrificação… e, olha o óleo lubrificante aí de novo.

VW Tera TSI manual – Foto: Lucca Mendonça

Com tantas exigências técnicas dos motores atuais, o lubrificante ficou com uma grande responsabilidade. Ele pode ser a diferença entre a lubrificação correta ou muita dor de cabeça, caso de uma quebra de motor como dissemos anteriormente. Por isso importante a escolha ideal do óleo lubrificante na hora da troca e o acompanhamento deste processo. Não aconselhamos o uso de óleo a granel, porque é difícil rastrear a cadeia de produção e fornecimento, garantindo que o produto atenda exatamente às mesmas especificações exigidas pelo fabricante do veículo.

Só viscosidade? Não!

Óleo lubrificante – Foto: Bardahl/divulgação

Escolher o óleo lubrificante apenas pela viscosidade pode ser suficiente em motores antigos, de projeto simples, mas representa risco em conjuntos modernos. Nesses casos, um lubrificante fora da homologação pode acelerar o desgaste, aumentar a formação de resíduos e afetar o desempenho e a durabilidade do motor. Trocar óleo de motor em posto de gasolina está cada vez mais em cheque, embora seja uma operação ainda muito usual pelo brasileiro. Garantia mesmo é na rede de concessionários ou no seu mecânico de confiança.

Troca de óleo Motul – Foto: Divulgação

Na prática, o óleo lubrificante deixou de ser um item genérico para se tornar parte integrante do projeto do motor. Respeitar a viscosidade, as normas técnicas e as homologações definidas pela montadora é fundamental para preservar desempenho, eficiência e vida útil. Dizem os técnicos que óleo é barato, motor é caro. Então é melhor não arriscar!