05/05/2026 - 8:00
A produção nacional dos SUVs da Omoda & Jaecoo começa já no ano que vem, como noticiamos aqui, e tudo indica que será em Itatiaia (RJ), com os híbridos plenos (HEV) Omoda 5 e Jaecoo 5 (este último será lançado, ainda importado, em julho, e já avaliamos na China). E a melhor notícia é que eles já vão estrear a linha de produção bem adaptados ao Brasil, com inéditos motores flex de nova geração.
Foi o que a MOTOR SHOW apurou em viagem à sede da Chery Automobile, dona das marcas na cidade de Wuhu, na China, após o Salão de Pequim. Lá, conversamos com Yunfei Luan, engenheiro e diretor de Desenvolvimento de Powertrain da Chery Automotive, com passagens pela GM e pela SAIC e atual responsável pelo desenvolvimento dos motores e sistemas híbridos flex em todo o mundo.
Tivemos acesso ao planejamento dos novos produtos e motores e todos os detalhes técnicos deles, e podemos dizer que a Omoda & Jaecoo não quer perder tempo: após alcançar a marca de 1 milhão de veículos vendidos globalmente em apenas três anos de vida (um recorde mundial), a “dupla marca” agora quer vender 1 milhão de carros por ano, e o Brasil é uma peça fundamental deste plano.
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Elétricos, híbridos… e além!
A primeira grande notícia, que foi confirmada à MOTOR SHOW por diferentes fontes ligadas à marca, é que a prioridade continuará nas versões elétricas e híbridas, pois são parte fundamental da imagem de modernidade e vanguarda da Omoda & Jaecoo.
Além da questão da imagem, tanto Yunfei quanto Xu, entre outras fontes, deixaram bastante claro que o consumidor brasileiro quer potência, mas também deseja economia — e essa combinação só dá certo com o uso de sistemas híbridos.
Ou seja, os modelos fabricados no Brasil no ano que vem — tudo indica que inicialmente serão Omoda 5 e Jaecoo 5 — terão versões elétricas e híbridas, exatamente como ocorre hoje, com bons resultados. Afinal, em time que está ganhando não se mexe.
As opções 100% elétricas não terão surpresas: serão mantidas as especificações atuais. O Omoda E5 continuará com motor de 204 cv e 340 Nm, com 0-100 km/h em 7,8 segundos e bateria de 61,1 kWh garantindo autonomia na faixa de 350 quilômetros.

Já o Jaecoo 5 estreará como híbrido HEV (leia aqui a avaliação) em julho com o mesmo conjunto híbrido do Omoda 5 e também terá as mesmas especificações dele na configuração 100% elétrica, que deve chegar junto ou logo depois.
Antes de detalhar como os híbridos vão virar flex, e o que vai mudar, outra grande notícia sobre o planejamento da marca está nos motores que o Yunfei nos mostrou no quartel-general da marca em Wuhu: inéditos motores flex 1.5 e 1.6 turbinados sem eletrificação se juntarão ao conjunto híbrido SHS.No total, portanto, as três novas mecânicas flex que conhecemos e desvendamos na China ficarão prontas no início do ano que vem e equiparão seis modelos diferentes. Mais tarde, apenas em 2028, um motor 1.0 turbo equipará o Omoda 2, modelo ainda não revelado (leia mais aqui) e possivelmente o Omoda 4 (mais detalhes aqui).
Abaixo, vamos detalhar as novas opções híbridas. Para mais informações e mais detalhes sobre os modelos da Omoda e da Jaecoo sem eletrificação, clique neste link para ler nossa outra reportagem.
Novos híbridos: mudanças vão além de aceitar etanol
Entre os SUVs híbridos, a estratégia se mantém: de modo geral, os modelos até Omoda 5 e Jaecoo 5 (subcompactos, compactos e compacto-médios) terão sistemas HEV, e os maiores, como Jaecoo 7 e Omoda 7, continuarão sendo PHEV — versões HEV deles são oferecidas em outros mercados, mas não entregam desempenho tão vigoroso, pois são menos potentes, e não devem, ao menos inicialmente, chegar aqui.
As mudanças vão além de modificações para aceitar etanol e nossa gasolina com 30% (ou mais) do combustível extraído da cana. Claro que todos os motores estão sendo adequados com alterações como atualização de materiais do motor para resistência à corrosão, calibração de software específica, modificações em bomba de combustível de alta pressão, sedes de válvulas, catalisador e sistemas de alimentação e admissão, além de mudanças na ECU, com adição de módulo de controle do sistema de aquecimento de combustível (nos próprios bicos) e sensor de identificação da concentração de etanol.

Além disso, o novíssimo motor 1.5 (código H4T15) exclusivo para sistemas híbridos virá com ciclo Miller, mas sem injeção direta para evitar problemas com o uso do etanol — que têm sido bastante frequentes em modelos da Honda e da Toyota no Brasil — e, como um benefício adicional, reduzir custos, deixando os carros ainda mais competitivos.
Este motor 1.5 para os híbridos flex terá picos de 122 cv e 210 Nm (contra os atuais 135 cv e 200 Nm), mas não se preocupe: se perder a injeção direta traz desvantagens em termos de consumo e potência em modelos só a combustão, quando se trata de conjuntos eletrificados — ainda mais este SHS que prioriza a eletrificação — o novo conjunto DHT160 (transmissão DHT+motor elétrico de tração) com até 217 cv e 310 Nm (hoje são 204 cv e 310 Nm) preenche “buracos” e compensa o consumo extra do motor a combustão.
A marca ainda não informou potência e torque combinados, mas devem ficar não muito distantes dos atuais, na faixa de 220 cv e 300 Nm. Por fim, o conjunto DHT160 traz outro motor elétrico, que age apenas como gerador e é capaz de carregar a bateria a uma taxa de 60 kW, o que equivale mais ou menos à média dos carregadores rápidos DC que encontramos hoje no Brasil. Todos os sistemas são série-paralelo.
Modelos e mecânicas Omoda & Jaecoo flex
Em resumo, considerando os sistemas híbridos flex e os motores 1.5 flex (leia mais aqui), temos como provável line-up da Omoda & Jaecoo no Brasil os seis veículos abaixo, alguns já começando com a produção nacional, outros inicialmente importados:

Omoda 5 e Jaecoo 5
- Elétricos a bateria (BEV) com 204 cv e 340 Nm, bateria de 61,1 kWh
- Híbridos plenos (HEV) com novo motor 1.5 flex sem injeção direta (H4T15) com 122 cv e 210 Nm associado a conjunto transmissão-motores DHT160 com 217 cv e 310 Nm e uma marcha. Potência/torque combinados na faixa de 225 cv e 300 Nm.
- Combustão: novo motor 1.5 turbo flex (G4T15) de 143 cv e 225 Nm associado à transmissão 6DCT260 (dupla embreagem, seis marchas e limite de 260 Nm). Taxa de compressão de 14,5:1.

Omoda 7 e Jaecoo 7

- Híbridos plug-in (PHEV) com novo motor 1.5 flex sem injeção direta (H4T15) com 122 cv e 210 Nm associado a conjunto transmissão-motores DHT160 com 217 cv e 310 Nm com uma marcha. Potência/torque combinados na faixa de 275 cv e 360 Nm (os números combinados são maiores que nos HEVs por causa da bateria maior, de 18,3 kWh, que consegue entregar mais potência e torque que nos HEV, que têm baterias de cerca de 1,8 kWh).
- Combustão: novo motor 1.6 turbo flex (F4J16C) de 180 cv e 280 Nm associado à transmissão 7DCT300 (dupla embreagem, sete marchas e limite de 300 Nm). Taxa de compressão de 15:1
Jaecoo 8 (estreia em agosto com motor a gasolina, vira flex no ano que vem)
- Híbrido plug-in (PHEV) com novo motor 1.5 flex sem injeção direta (H4T15) com 122 cv e 210 Nm associado a conjunto transmissão-motores elétricos dianteiro de 217 cv e 310 Nm e um motor traseiro adicional. Esse conjunto terá três marchas e potência/torque combinados na faixa de 420 cv e 570 Nm e 0-100 km/h em torno de 6 segundos.

Omoda 4
- Elétrico a bateria (BEV) com 204 cv e 340 Nm, bateria de 61,1 kWh
- Híbrido pleno (HEV) com novo motor 1.5 flex sem injeção direta (H4T15) com 122 cv e 210 Nm associado a conjunto transmissão-motores DHT160 com 217 cv e 310 Nm e uma marcha. Potência/torque combinados na faixa de 220 cv e 300 Nm. Esse conjunto deve ficar restrito à versão Ultra, uma série especial limitada.
- Combustão: novo motor 1.5 turbo flex (G4T15) de 143 cv e 225 Nm associado à transmissão 6DCT260 (dupla embreagem, seis marchas e limite de 260 Nm).

Novos Omoda & Jaecoo para 2028 e além
Depois de finalizar essas mecânicas flex acima, o Dr. Yunfei vai finalizar seus próximos projetos já em andamento, com previsão de conclusão em 2028: um motor 1.0 de três cilindros turbo flex que deve ficar sendo desenvolvido especialmente para o mercado brasileiro e pode equipar também o Omoda 4 de entrada e outro 2.0 turbo, também flex, para modelos maiores (quem sabe o Jaecoo 8 a combustão).
Omoda 2 e Jaecoo 3
- Os futuros SUVs subcompactos para encarar VW Tera e Fiat Pulse (leia mais aqui) terão comprimento na faixa de 4,20 metros — ou menos — e provavelmente serão apenas a combustão, com motores 1.0 turbo flex e potência na faixa de 120 cv, também sem injeção direta para evitar problemas e cortar custos.
- Versões 1.0 HEV são incertas, uma vez que o desenvolvimento só para o mercado brasileiro pode não compensar no segmento de entrada.
Como funcionam os “super híbridos” da Omoda & Jaecoo
1. Modo elétrico (EV) – 0 a 40 km/h
- O veículo é impulsionado apenas pelos motores elétricos usando a energia da bateria.
- Ideal para uso urbano, com emissão zero e silêncio total.
2. Modo híbrido em série – 40 a 70 km/h
- O motor a combustão funciona apenas como um gerador de energia.
- Ele não está conectado às rodas; sua única função é alimentar a bateria ou fornecer eletricidade diretamente para os motores elétricos de tração.
3. Modo híbrido paralelo – 70 a 80 km/h e situações de maior exigência de potência
- O motor a combustão e os motores elétricos trabalham juntos para tracionar as rodas.
- É o modo de “força máxima”, usado em ultrapassagens ou subidas íngremes, onde a potência combinada é entregue ao eixo.
4. Tração direta (engine drive) – em “cruzeiro” acima de 80 km/h
- Em velocidades de cruzeiro (como em rodovias), o motor a combustão se conecta diretamente às rodas através da transmissão DHT.
- Isso evita a perda de energia da conversão para eletricidade, sendo o modo mais eficiente para manter velocidades constantes na estrada.

