Os bastidores da Nascar

Esqueça o que você sabe sobre corridas de automóveis. A Nascar é diferente de tudo. O número de pilotos e de provas e os milhões que circulam pelos autódromos transformam a categoria em um caso único no mundo. Para entender sua história é preciso voltar no tempo. Conta a lenda que entre as décadas de 20 e 30 do século passado, dezenas de corridas aconteciam nas areias de Daytona, na Flórida. A regra era justamente não ter regra. Foi aí que surgiu a figura de William France, que, acostumado a ver os pilotos levando calotes dos promotores, resolveu criar uma competição com calendário, regras e equipes definidas. Nascia, em fevereiro de 1948, a National Association for Stock Car Auto Racing – a Nascar.

De lá para cá, muita coisa mudou, menos o poder da família France, já na terceira geração com o Brian France, neto do fundador, como CEO. Nesses 65 anos, eles transformaram a Nascar em uma fábrica de ganhar dinheiro. São mais de 75 milhões de fãs. Isso é mais do que toda a população da França. É o segundo esporte mais assistido pela tevê no país, só ficando atrás do futebol americano.

O campeonato dura dez meses e tem provas em 42 finais de semana por ano. Centros de lazer são montados dentro dos 26 ovais. Lá tem comida, jogos e todo tipo de interação. Há diversão para toda a família e ainda é possível comprar de tudo no evento: de uma miniatura de piloto até uma colheitadeira. São US$ 3 bilhões apenas com produtos licenciados. Em média, a Nascar recebe 100 mil pessoas por prova – mas algumas delas, como a de Daytona, que abre o campeonato, tem um público de cerca de 250 mil pessoas. Isso muda completamente o dia a dia das cidades. Bristol, no Tennessee, por exemplo, tem uma população de 26 mil habitantes. Mas recebe mais de 160 mil torcedores no dia em que sedia uma prova do campeonato.

Apesar de não ter uma equipe como na F-1, as montadoras investem milhões fornecendo motores e patrocinando as equipes, que colocam as bolhas com a “cara” do carro de rua. GM, Ford e Toyota gastam boa parte de suas polpudas verbas de marketing aqui. Estima-se que para estampar seu nome em um dos carros da competição uma empresa invista cerca de US$ 25 milhões por ano.

Mas o maior exemplo de poder da Nascar pode ser visto nos meios de comunicação. Existe uma rádio que só fala do campeonato 24 horas por dia e outras sete, via satélite, transmitem em tempo real todas as conversas dos pilotos com suas equipes. Três emissoras se engalfinham pelos direitos de transmissão das provas que hoje chega a 150 países, sendo em 117 ao vivo. As três juntas pagam cerca de US$ 700 milhões, mais do que arrecada a F-1. O retorno, claro, é garantido. Estima-se que essas transmissões gerem negócios que superam os US$ 6 bilhões ao ano.

Entre os pilotos, Dale Earnant Jr. – que nunca ganhou um campeonato – embolsa mais de US$ 30 milhões por ano entre salários, prêmios e patrocinadores. Isso não é raro. Vários pilotos como Jeff Gordon, Tony Stewart e Jimmie Johnson ganham mais de US$ 20 milhões. Na F-1, só Alonso ganha mais  do que um piloto de ponta da Nascar.

Até os nomes das corridas são vendidos. Cada categoria do campeonato, por exemplo, leva nomes de patrocinadores. Camping Word é uma empresa de trailer, Nationwide é uma seguradora e Sprint é uma das gigantes da telefonia celular. Como se pode ver, aqui ninguém perde nada. Nem tempo, nem dinheiro.

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