Paixão de pai para filho

LUIZ RAZIA

“Não consigo me imaginar fazendo outra coisa que não seja ser piloto de corrida”

“Quem acredita sempre alcança” – o trecho da música “Mais uma vez”, de Renato Russo sintetiza a trajetória do brasileiro, atual piloto de teste da Lotus na F-1. Nascido em abril de 1989, na cidade de Barreiras, na Bahia, Luiz Razia, influenciado pelo pai, Luiz Tadeu Razia, que também era piloto, sonhava em chegar à Fórmula 1. “Ele corria na década de 1970 e voltou a participar de campeonatos nos anos 90 e 2000”, conta. Não tinha jeito, a vontade de correr estava no sangue. Mesmo crescendo em uma cidade pequena, o menino queria se profissionalizar no automobilismo. “De Barreiras vieram pilotos como Franciosi, campeão do Rali dos Sertões, e outros pilotos de kart que hoje são campeões brasileiros”, afirma Razia.

Seu primeiro carro de corrida foi um Autocross, no ano de 2001. Com apenas 11 anos de idade, já participava dos campeonatos e mostrava-se um talento promissor, sempre inspirado pelos ídolos Ayrton Senna e Nelson Piquet. Além deles, Emerson Fittipaldi, Rubens Barrichello e Felipe Massa fizeram a cabeça de Razia. “Eles devem servir de exemplo para qualquer pessoa que pretenda seguir a carreira de piloto profissional”, acrescenta.

Desde criança, a paixão pelos carros de corrida já fazia parte da vida de Razia. Abaixo, o início da carreira no Autocross, onde foi vicecampeão baiano em 2003, e a vitória na GP2

Para seguir na carreira, em 2004, mudou-se de sua cidade natal para Brasília. No mesmo ano, foi campeão brasileiro de kart. A oportunidade, o talento e a dedicação ao esporte começavam a gerar bons frutos e logo surge o convite para pilotar na F-3 Sul-Americana. Na primeira temporada, já conquistou dois primeiros lugares. Dois anos depois, em 2006, passou a competir no campeonato de maneira independente com a Equipe Razia. “Para realizar esse projeto fizemos uma parceria com o Dragão Motorsport no Brasil”. O projeto deu certo e resultou no título mundial. Porém, os altos custos inibiram a continuação da equipe. “Na época, valia a pena ter um time próprio, mas aqui na Europa tornou-se inviável”, lamenta.

Mudou-se para a Itália em 2007 e participou da Fórmula 3000 e dos testes da A1 GP e GP2. Em 2009 foi convidado para ocupar o cargo de piloto de testes da Virgin Racing. Enfim, o sonho de virar piloto de F-1 ficava cada vez mais próximo. Seu talento foi percebido pelo time Lotus. Também no cargo de piloto de testes, atualmente divide o seu tempo entre as rodadas de avaliações e o campeonato de GP2. “Tenho duas atividades bastante pesadas, tanto na Fórmula 1 como na GP2. O trabalho é muito intenso e preciso dedicar muito do meu tempo para trabalhar em conjunto para adquirir o máximo de informação possível. É preciso estar sempre atualizado”, explica o piloto que mora em Bicester, na Inglaterra.

O início da carreira no Autocross, onde foi vicecampeão baiano em 2003, e a vitória na GP2

Para os jovens que pretendem seguir carreira no automobilismo, Razia tem conselhos importantes: “Não desista de procurar patrocínio, dedique-se 110% ao aprendizado técnico, aceite críticas e aprenda com os seus erros e os dos outros. E o mais importante: seja curioso.”

A paixão pelo automobilismo resultou em outro projeto, mas dessa vez “longe” das pistas. Criou o programa Drive Riot, transmitido pela internet, no qual aborda os temas relacionados ao esporte a motor. “Sempre gostei de filmagem e tudo aquilo que envolve o cinema. Tinha que criar alguma coisa para praticar. Encontrei com os meus fãs uma oportunidade de passar as informações sobre o automobilismo. Estou adorando fazer”, comemora.

Com nove anos de carreira, já alcançou um de seus objetivos profissionais. Chegou à F-1 como terceiro piloto da escuderia Lotus. Pessoalmente, ainda sonha em comprar uma Ferrari