16/03/2026 - 12:59
A atriz Paolla Oliveira é apenas mais uma entre os muitos brasileiros que hoje circulam com veículos de marcas chinesas. Em uma postagem em suas redes sociais hoje, ela revelou o GAC GS4 Hybrid como seu novo companheiro de garagem. Mas, para além do brilho das celebridades e embaixadores de marca, o que realmente sustenta a chegada da GAC Motor ao Brasil é uma estratégia de produto agressiva e um plano industrial forte — o site AutoRanking indica que uma parceria com a Mitsubishi para a montagem em Catalão (GO) será anunciada esta semana.
Se o marketing busca gerar awareness, o produto foca no pragmatismo. O GS4 Hybrid é um SUV médio que chega para incomodar os líderes do segmento, como Toyota Corolla Cross Hybrid e GWM Haval H6 HEV, partindo de R$ 191.990 e apoiado por uma promessa de nacionalização até 2026.
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Engenharia e Eficiência Térmica
Diferente de rivais que utilizam a eletrificação apenas como suporte momentâneo, o projeto da GAC inverte a prioridade: o GS4 opera a maior parte do tempo sob propulsão elétrica, deixando para o motor térmico o papel de gerador ou complemento em altas demandas.
Sob o capô, o motor 2.0 a gasolina de 140 cv do GAC GS4 opera sob o ciclo Atkinson. Essa escolha de engenharia privilegia a eficiência térmica ao retardar o fechamento das válvulas de admissão, permitindo uma expansão maior dos gases e melhor aproveitamento da energia. Somado ao motor elétrico de 182 cv, o conjunto entrega uma potência combinada de 235 cv. O torque imediato de 300 Nm garante agilidade incomum para a categoria, superando o desempenho dos híbridos flex nacionais.
Arquitetura e Dinâmica
Construído sobre a plataforma modular GPMA (GAC Global Platform Modular Architecture), o GAC GS4 apresenta um acerto dinâmico refinado. A suspensão é independente nas quatro rodas, com arranjo McPherson na dianteira e multilink na traseira — configuração essencial para manter a estabilidade de um veículo com 1.901 mm de largura e rodas de 19 polegadas.
Com 4.680 mm de comprimento e 2.750 mm de entre-eixos, o SUV equilibra bem o espaço para ocupantes com uma capacidade de carga superior: o porta-malas varia de 638 a 1.586 litros (com bancos rebatidos), colocando-o no topo da categoria em volumetria útil.

Tecnologia e Segurança Ativa
A cabine do SUV da Paolla Oliveira segue a tendência da digitalização funcional, com destaque tecnológico é o head-up display (HUD), que projeta informações vitais no para-brisa. Na versão topo de linha Elite (R$ 209.990), o pacote ADAS é completo, incluindo controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, monitoramento de tráfego cruzado e assistente de permanência em faixa. Sensores de estacionamento nos dois extremos e câmera 360° fecham o pacote voltado ao uso urbano severo.
Outros equipamentos são seis airbags (frontais, laterais e cortina), freios a disco ventilado na frente e sólidos atrás. Internamente, ele tem trava das portas e retrovisores com acionamento elétrico, faróis full LED dianteiro e traseiro, DRL, teto solar panorâmico, ar-condicionado, bancos dianteiros com ajustes elétricos, além de três entradas USB.
Seu sistema de entretenimento reprisa as funções dos modelos elétricos mais sofisticados da marca, com sistema de áudio com 6 alto-falantes na versão Elite, tela multimídia touch screen de 10,1″. O modelo também apresenta câmera 360 graus, carregador de celular por indução, sistema keyless de chave de ignição e um quadro de instrumentos totalmente digital, com tela de 10,25″.
Principalmente urbano
O GAC GS4 registra consumo médio de 14,1 km/l na cidade e 11,8 km/l na estrada. Embora o número rodoviário seja conservador, similar ao de modelos apenas a combustão de mesma categoria, a vantagem no ciclo urbano é clara, fruto de um sistema que recupera energia de forma eficiente em frenagens.
Com bateria de 2,1 kWh e autonomia total que supera os 700 km, o modelo é uma solução racional para a transição energética brasileira, pois une o torque dos elétricos à independência da infraestrutura de recarga. Se a nacionalização se confirmar, a GAC terá em mãos um dos conjuntos mecânicos mais competitivos do mercado.

