Papa-poluição

Acima, o motor com combustão interna movido a hidrogênio líquido, forma mais eficiente de uso do novo combustível limpo encontrada até hoje

O Série 7 Hydrogen não é novidade: desde novembro de 2006, cem unidades têm sido usadas em um programa de test-drive com clientes na Europa e nos Estados Unidos. Ele não é movido só a hidrogênio: tem motor híbrido gasolina/hidrogênio – por isso suas emissões de poluentes não eram tão baixas assim.

Agora em abril, a BMW mostrou uma nova versão do carro, o Hydrogen 7 Mono-Fuel, no Congresso Mundial SAE (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade). O novo modelo aposenta a gasolina e foi otimizado para rodar só com hidrogênio (com desempenho e conforto dos demais Série 7, segundo a marca).

O principal destaque do novo carro não é usar apenas o combustível revolucionário e limpo nem conseguir, segundo a marca, uma autonomia maior que a versão “bicombustível” (os modelos híbridos, criados em 2006, tinham autonomia, com ambos os combustíveis, de cerca de 640 km). A maior novidade é que a versão Mono-Fuel, além de quase não poluir, consome poluentes encontrados no ambiente.

Abaixo, o botão para ativar o uso do hidrgênio na versão híbrida, aposentado no Mono-Fuel. Junto ao velocímetro, o carro indica a autonomia disponível. No mais, o interior é igual ao dos demais Série 7

“O Hydrogen 7 Mono-Fuel é resultado de mais de 25 anos de desenvolvimento de motores a hidrogênio pela BMW”, diz Tom Baloga, vice-presidente de engenharia da marca nos EUA. “Ele demonstra o apoio da BMW ao uso de hidrogênio, produzindo um motor de combustão interna que emite quase nenhuma poluição e, ao mesmo tempo, limpa o ar de outros poluentes”, completa. As emissões medidas na saída de escape são tão baixas que forçaram os limites da tecnologia de medição de poluentes existente hoje, mesmo para os SULEV (Super Ultra Low Emission Vehicle, ou veículo de emissões “super ultra baixas”), como os híbridos eletricidade/gasolina. Para se ter uma idéia, o padrão SULEV tem limites de 76% a 97% mais baixos que os para carros comuns (nos EUA). Mesmo em relação aos SULEV, o novo Hydrogen 7 emite pouco: 3,9% do NOx, 0% do NMHC e 0,3% do monóxido de carbono do limite estabelecido.

Abaixo, detalhes do tanque de hidrogênio, entre o porta-malas e a cabine. Mais à direita, o bocal do tanque (já há postos do combustível em vários países) e o escapamento que emite água e ar, mais limpo do que o que consome

Quanto a limpar o ar que o motor recebe, é o doutor Thomas Wallner, engenheiro-chefe de testes com veículos movidos a hidrogênio do Argonne National Laboratory, instituição americana totalmente independente em prol do uso de novos combustíveis, que diz: “O motor da BMW de fato limpa o ar. Nossos testes em laboratório mostram que o motor do Hydrogen 7 Mono-Fuel mostra níveis de emissões de ar que, para alguns dos componentes medidos, como gases orgânicos sem metano e monóxidos de carbono, é mais limpo que o ar ambiente que entra no seu motor. Sem dúvida, uma promessa espetacular para o futuro próximo do planeta Terra, cada vez mais poluído.

Veja também

+ A biblioteca básica do motociclista cool

+ Tomografia revela que múmias egípcias não são humanas

+ Homem compra Lamborghini após fraude em auxílio emergencial

+ Restaurar um carro: quanto custa e quanto ele pode valorizar