Para todos os bolsos

1. KANGOO 1.6 SETE LUGARES A PARTIR DE R$ 44.890

2. DOBLÒ 1.8 SETE LUGARES A PARTIR DE R$ 51.701

3. ZAFIRA 2.0 SETE LUGARES A PARTIR DE R$ 65.399

Não estranhe. Este é mesmo um comparativo diferente. O Kangoo, modelo que acaba de chegar às lojas reestilizado, tem motor 1.6 de 98 cv (álcool) e, na versão sete lugares, custa a partir de R$ 44.890. Ao seu lado, o Doblò, veículo de proposta semelhante (ambos são furgões multiuso), mas com motor maior, 1.8 de 114 cv (álcool), e que, na versão ELX, custa R$ 51.701. Mais estranha ainda pode ser considerada a presença da minivan Zafira, que com o motor 2.0 de 127,6 cv (álcool) não sai por menos de R$ 65.399 na versão Comfort, de entrada.

Por mais que essas características distanciem os modelos deste embate, uma coisa eles têm em comum: são as opções mais acessíveis para famílias que precisam de um carro para sete ocupantes, com exceções feitas ao exótico Chana Family e à cinqüentona Kombi. Este ano, o mercado nacional viu o segmento dos veículos para sete pessoas engordar consideravelmente. A Kia voltou a comercializar a Carens e surgiu com uma renovada Carnival. A mesma Renault que vende o Kangoo passou a oferecer a Grand Scénic e a também francesa Citroën iniciou a comercialização do C4 Pi

A Zafira fica devendo as portas assimétricas, típicas de furgões. Elas garantem melhor acesso aos bancos extras

casso. A Hyundai atacou de Tribeca, a Dodge trouxe o Journey (veja reportagem nesta edição). Mas as opções baratas ainda são poucas entre os zero-quilômetro.

Em princípio, é bom ponderar que um carro de sete lugares não se resume, nem de longe, aos assentos extras no portamalas. É muito mais do que isso. Quem precisa de mais bancos, certamente, tem uma família grande, cheia de crianças ou – quem sabe – com pessoas de mais idade. Então, o primeiro problema desse consumidor está no acesso ao habitáculo. E, nesse contexto, a Zafira perde pontos por não oferecer as portas laterais corrediças e por ter o teto mais baixo entre os concorrentes.

Comparando as versões mais baratas com sete lugares, o Doblò ELX oferece a porta lateral de série apenas no lado direito e a do lado esquerdo é opcional (R$ 1.668), assim como no Kangoo Authentique (R$ 1.600). O modelo da Renault, no entanto, traz as portas traseiras assimétricas de série. Outra pequena vantagem do Kangoo no quesito acessibilidade se dá por conta da altura livre do habitáculo: são 97 cm do assento do banco auxiliar ao teto, contra 96 cm do Doblò. Uma diferença mínima.

ESPAÇO EXTRA

Quando for utilizar os sete assentos de seu carro, seja qual for a sua escolha, não sobrará muito espaço para carga. Na Zafira, restam apenas 150 litros no compartimento de carga. Já no Kangoo, sobram míseros 60 litros. A Fiat não declara a capacidade de seu bagageiro com os sete assentos, mas também é bastante restrito. O jeito é optar por um bagageiro de teto (como estes das fotos). Em geral, para instalar o acessório você precisa apenas dispor das barras de teto e fazer um investimento de aproximadamente R$ 1.500. A capacidade de carga do seu carro aumentará cerca de 450 litros.

Partindo para a questão dos bancos auxiliares, os modelos não mostram muitas diferenças entre si. Mas o Chevrolet Zafira se destaca por oferecer mais espaço para os joelhos (2 cm a mais que o Doblò e 3 cm a mais que o Kangoo) e poltronas mais largas. O que, pelo menos em tese, permite que pessoas mais altas usufruam dos bancos adicionais. Mas há um inconveniente. A altura do chão até o assento da poltrona é pequena (o Kangoo sofre do mesmo mal) e isso faz com que as pernas fiquem mais altas, em uma angulação incômoda quando se deseja rodar por mais tempo. Já o espaço livre do encosto de cabeça ao teto é maior no Kangoo (40 cm, contra 31 do Doblò e 28 da Zafira), o que garante uma sensação maior de conforto. Mas o modelo da Chevrolet vence no quesito dos bancos extras pela sua versatilidade.

Uma das vantagens da Zafira está na flexibilidade do sistema de bancos, que são guardados sob o assoalho

Se apenas seis pessoas estiverem no habitáculo, por exemplo, o sétimo banco do Kangoo ficará vago, ocupando um espaço que poderia servir para carga. Isso porque os assentos suplementares não são individuais e precisam ser rebatidos conjuntamente. No Doblò é diferente. O consumidor pode até inutilizar uma das poltronas extras, mas ela ficará presa na lateral do porta-malas e também ocupará espaço de carga. Na Zafira – a melhor solução -, o sistema permite que cada um dos assentos seja rebatido individualmente sob o assoalho, liberando um espaço amplo e sem obstruções para as bagagens.

Em relação aos principais itens de série, por R$ 65.399 a Zafira Comfort oferece mais. Ar-condicionado, direção hidráulica, travamento automático das portas, trava dos vidros traseiros, vidros elétricos, banco traseiro bipartido e barras de teto. Em seguida vem o Kangoo, que sai por R$ 44.890, na versão Authentique, e traz ar quente, direção hidráulica, vidro elétrico apenas na dianteira, portas traseiras assimétricas, travamento automático das portas e trava de segurança nas portas corrediças. O Fiat Doblò tem praticamente os mesmos itens que o Kangoo, mas, pelo que custa, poderia oferecer gratuitamente itens como vidro elétrico dianteiro (R$ 450), ar quente (R$ 312) e banco bipartido (R$ 345). Se a intenção for equiparar todos os concorrentes pela lista de itens de série da Chevrolet, que é a maior, o Kangoo ficará em R$ 54.790 (mas nessa configuração traz itens a mais como air bag) e o Doblò chegará próximo dos R$ 57.000.

Dos três, como transporte familiar, o Renault Kangoo oferece uma boa relação custo/benefício. Já para quem estiver disposto a investir um pouco mais e quiser um motor melhor, a escolha recai entre Doblò e Zafira, e nesse caso é preciso pensar bem. Se você curte uma dirigibilidade mais próxima a de um modelo convencional e se os sete ocupantes, em seu caso, forem esporádicos, a Chevrolet Zafira pode ser a escolha mais adequada, principalmente pela versatilidade do sistema de configuração de assentos. Já se seu carro vive mesmo lotado de crianças, babá, sogra e papagaio, o Fiat Doblò será melhor. Na hora da escolha, suas necessidades devem falar mais alto.

SEGMENTO CONTINUA CRESCENDO

As opções de veículos que carregam sete pessoas têm crescido bastante no Brasil. Hoje as opções partem do curioso Chana Family, que, com ar-condicionado, custa R$ 33.028, e chegam aos automóveis de alto luxo, como BMW X5 e Audi Q7. O consumidor que estiver disposto a desembolsar cerca de R$ 100 mil, por exemplo, poderá escolher entre novidades como o crossover Dodge Journey (veja nesta edição) e as minivans Grand Scénic e C4 Picasso (essas até mais em conta, por volta de R$ 90 mil). Na faixa dos R$ 200 mil, a Subaru ataca de Tribeca, com propulsor 3.6 de 270 cv e a Chrysler oferece sua inigualável (se a necessidade for espaço) Town & Country. Quem precisa de um modelo mais barato não terá muita opção de escolha. Além dos protagonistas deste comparativo (e do já citado Chana), o consumidor ficará limitado à Kombi, com motor 1.4 flex (R$ 41.455), ou terá que partir para modelos seminovos.

Na edição 300 de MOTOR SHOW, publicamos um comparativo com duas novidades sete lugares: Grand Scénic e Grand C4 Picasso. Acesse o link e leia na íntegra

//motorshow.com.br/edicoes/300/artigo75645-1.htm

 

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