Paradas em fábricas de veículos devem se estender até o 2º semestre, aponta Anfavea

Falta de semicondutores ainda é o principal problema enfrentado pelo segmento

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Linha de produção
Linha de produção

A indústria automobilística brasileira fechou abril com um total de 175.942 carros de passeio e comerciais leves produzidos. Queda de 5,3% em relação às 185.718 unidades de março e reflexo direto da paralização de fábricas por conta dos problemas na cadeia de componentes desencadeados para a pandemia da covid-19. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (7) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

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“Considerando tudo o que estamos enfrentando, avalio que é um número muito razoável”, afirma o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes. Ele explica que o cenário atual é bem diferente do ano passado, quando o mês de abril foi marcado pela interrupção generalizada da produção em todo o país.

Embora o risco de longas paradas esteja descartado no setor, a situação ainda é de instabilidade e deve seguir assim até o 2º semestre. “Temos atualmente paradas pontuais, provocadas pela falta de um ou outro componente, principalmente de semicondutores. As empresas estão trabalhando para resolver isso com as matrizes e fornecedores. Mas é um problema global”, ressalta Moraes.

Um levantamento realizado pela Anfavea indica que um carro leva atualmente cerca de 600 chips, que estão em componentes como a central de controle do motor, sistema multimídia e até na chave. Número que aumenta quanto mais equipado é determinado veículo. O que ajuda a explicar as filas de espera mais longas para determinados modelos e versões de alguns veículos.

Na avaliação do presidente da Anfavea, a falta de semicondutores é um problema que deverá estar solucionado até o fim deste ano. “A indústria vai aumentar a sua produção, mas vai tomar um tempo. Os semicondutores tem uma cadeia logística complicada. Mas até o final do ano vamos ter uma situação mais estabilizada”, completa.

Exportações
Volkswagen
Volkswagen Polo esperando embarque para exportação

A associação dos fabricantes reforça mais uma vez a necessidade de políticas que permitam aumentar a competitividade da indústria automobilística brasileira no mercado externo. Números apresentados durante a coletiva de imprensa apontam que, apesar de ter fechado 2019 como o 8º maior produtor de automóveis do mundo, o Brasil ficou apenas com a 26ª colocação no mesmo período entre os exportadores, atrás de países com menos capacidade produtiva como Polônia e África do Sul.

“Aqui nós temos as mesmas montadoras e as fábricas brasileiras têm padrão internacional e mão de obra qualificada. Nós conhecemos fábricas de nossas empresas em diversos países e podemos afirmar isso. O problema é da porta da fábrica para fora”, destaca o presidente da Anfavea.

Atualmente a Argentina é o principal mercado para os veículos brasileiros, com uma participação de 51,6% no total de automóveis comercializados. Percentual que cai para 7,0% no México e para apenas 0,01% na Europa.

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