Paris sobre rodas

Ao olhar para o novo Citroën DS5, é quase impossível não imaginar que se trata de um carro emocionante. As linhas externas são musculosas e fortes e, no capô, há duas longas peças prateadas que lembram espadas. A bordo, a profusão de botões e comandos – principalmente no teto – faz qualquer criança brincar de piloto de avião sem precisar de muita imaginação. E essa era mesmo a ideia, tanto que, ao dar a partida, o painel se acende em partes, como em uma aeronave. As posições do motorista e do passageiro são bem demarcadas, separadas por um console central alto e com tetos de vidro operados individualmente.

Segundo a marca, o carro dá a sensação de dirigir de um cupê – mas não é isso que se sente. É um familiar ultrassofisticado, com tudo o que isso tem de bom e de ruim. Apesar de usar a plataforma do C4 Picasso e não a do C5 – que, segundo a marca, deixaria suas linhas desproporcionalmente grandes –, ele possui uma excelente distância entre-eixos e o espaço interno foi bem aproveitado, resultando em um habitáculo amplo e um bagageiro de bons 468 litros. Não é enorme, mas suficiente para acomodar a bagagem de todos.

Na dinâmica, o motor 1.6 turbo de 165 cv com câmbio sequencial de seis marchas garante resultados satisfatórios, mas não esportivos. No Peugeot 3008, que tem peso igual, o mesmo conjunto arranca suspiros porque dá ao carro um desempenho acima da média, que surpreende. Aqui, como o design inspira muita esportividade, pode decepcionar. Mas, racionalmente, não há motivos para críticas. O carro anda muito bem, é vigoroso nas acelerações, chega aos 100 km/h em 8,9 segundos e passa dos 210 km/h. A suspensão é um pouco desconfortável em nossas esburacadas ruas, mas é firme nas curvas. A carroceria aderna e, na estrada, sofre muita influência de ventos laterais, que obrigam a correções no volante – com desenho estranho, de base muito achatada, desnecessária para um carro com sua proposta e pouco e ciente em manobras. Mas a assistência elétrica é correta.

O plus oferecido pelos R$ 124.900 do modelo está no luxo. “As pessoas estão acostumadas com os premium alemães; a linha DS propõe a forma francesa de se fazer carros premium. Somos parisienses e, por isso, somos a única marca no mundo que oferece uma sofisticação verdadeiramente parisiense em um automóvel”, a firma Francesco Abbruzzesi, presidente da marca no Brasil. De fato, o luxo aqui vai muito além do que se pode esperar para sua faixa de preço. Os bancos, por exemplo, são cobertos de couro. Couro de verdade, o que é raro hoje em dia, e de primeiríssima linha, vindo de bois criados à base de massagem em fazendas na Bavária (Alemanha). Aliás, todos os materiais de acabamento são “reais”. “Na linha DS, tudo aquilo que você toca é o que parece ser”, a rmou Abbruzzesi. Não existe plástico imitando madeira, cromado ou carbono. Tudo para estabelecer a DS como marca de luxo, ao lado de grifes de relógio e alta-costura. A ideia é que o monograma DS (estampado em alto relevo em várias partes do carro) se torne tão desejado como as letras LV nas bolsas da Louis Vuitton. Por isso, o acabamento tem detalhes como banco com costuras duplas e faixa trançada em alto-relevo (lembrando uma pulseira de relógio) e um relógio analógico no painel. Entre os itens, abertura e partida sem chave, banco do motorista com massageador, ar digital bizone, seis airbags, ABS, ESP, assistente em subidas, GPS e câmera de ré, entre outros.

Com esse nível de sofisticação e sua proposta inovadora, o DS5 não tem concorrentes. Mesmo considerando que, na realidade, se trata de uma station, está quase sozinho no mercado. Ainda assim, a Citroën espera vender só 500 unidades/ano. Há potencial para mais.

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