Parque de diversões

Roberto Assunção

Como jornalista especializado, coleciono algumas experiências com veículos esportivos. Só que o meu relacionamento (curto, mas duradouro) com o Toyota GT86 foi diferente. Primeiro, ele é o único carro equipado com motor dianteiro boxer (cilindros contrapostos) e tração traseira. Segundo, esse japonês foca suas qualidades no prazer de dirigir. Nele, motorista e máquina convivem como se fossem um a extensão do outro. A minha ansiedade em guiá-lo tinha explicação. O GT86 aguça os sentidos e me fez lembrar de outros esportivos feitos pela Toyota no passado, como o AE86, o Supra e o Celica.


Tudo nesse carro é sedutor. A começar por suas apaixonantes linhas ousadas e dinâmicas. Segundo a marca, ele carrega no DNA uma herança do modelo 2000 GT, dos anos 1960. A dianteira deixa escapar um “Q” do superesportivo Lexus LFA e a traseira chama a atenção para as lanternas do tipo Altezza e para as duas enormes saídas de escapamento. Nos dias em que fiquei com o carro para fazer esta avaliação, perdi a conta de quantas vezes fui abordado no trânsito por curiosos querendo saber informações detalhadas a respeito do “meu” GT86.

Sim, as formas desse cupê 2+2 são instigantes e, para entrar na cabine, precisei flexionar as pernas – como num Lamborghini ou numa Ferrari – devido à baixa altura da carroceria em relação ao solo. Lá dentro, o corpo do motorista é abraçado pelos bancos esportivos com generosas abas laterais. Apesar do desenho – e ao contrário do que possam imaginar –, esses assentos não são desconfortáveis no dia a dia. A posição de dirigir é baixa e a disposição dos pedais com pedaleiras de alumínio facilita o punta-tacco – manobra em que se acelera e freia ao mesmo tempo durante as frenagens. O volante de três raios é pequeno e oferece ótima empunhadura. Já o quadro de instrumentos tem rápida visualização e traz o conta-giros com luz indicadora de troca de marcha montado no centro do cluster. Você realmente veste o carro! Além disso, o Toyota oferece dois assentos traseiros, mas lá viajam somente crianças com razoável conforto.

A partida é sem chave. Talvez esse seja um dos poucos mimos que o GT86 oferece. Ele é um carro sem frescuras. E esqueça um pouco do estilo de condução “conservador” dos carros da marca, a exemplo do Corolla ou até do Etios. Aqui, a pegada é mais radical. Ao contrário dos irmãos, o GT86 é divertido de guiar. Um legítimo fun to drive! Para ser provocante, a Toyota buscou uma parceria com a Subaru. Não é à toa que o GT86 ficou conhecido lá fora pelo apelido de “Toyobaru”. Ah, só para constar, o GT86 é vendido pela Subaru como BRZ e no mercado norte-americano como Scion FR-S (divisão “jovem” da Toyota).

Sob o capô, está o motor aspirado 4 cilindros boxer 2.0 16V enviado pela Subaru. São 200 cv de potência e 20,9 kgfm de torque. Fazendo uma conta rápida tem-se 100 cv/l muito bem distribuídos. O GT86 é manso nos giros mais baixos, mas entre 4.500 rpm e 7.500 rpm ele mostra todo o seu ímpeto. O câmbio manual de seis marchas (há opção de transmissão automática também de seis) oferece engates curtos e muito precisos. Para a alegria de todo viciado em carro, a tração é traseira. Então, nada mais legal do que desligar os controles eletrônicos de estabilidade e de tração para sentir como a traseira escapa de maneira fácil e deliciosa. É um parque de diversões para adultos. Mas não se arrisque a fazer isso sem um instrutor.

As suspensões são um show à parte. Com calibração firme, na medida certa, elas permitem que o carro seja usado até para tarefas diárias. As rodas são de aro 17 e a frente, apesar de baixa, não raspa com facilidade nas lombadas ou nas valetas. As suspensões, sim, copiam muito bem o piso e cooperam em uma estabilidade irretocável – sem deixar a carroceria rolar ou pregar sustos inesperados no motorista. A distribuição de peso é perto do ideal, na ordem de 53% para o eixo dianteiro e de 47% atrás. Junte tudo isso aos e_ cientes freios com ABS e EBD. Em segurança, o GT86 também oferece os airbags dianteiros, laterais, de cortina e para os joelhos.

Por enquanto, não há uma definição da vinda oficial do GT86 para o Brasil. Se isso acontecer, o preço do carro ficará entre R$ 140.000 e R$ 150.000. Se depender de mim, não pensaria duas vezes em assinar um polpudo cheque com esse valor. Ao final do meu teste, a melhor expressão que define o GT86 veio de uma empolgada criança de apenas 5 anos de idade ao ver o carro sendo abastecido:

– Olha, pai, uma Ferrari!

– Onde?

– Não, pai! Você acredita que é um Toyota?

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