Pequenos grandes pilotos

Aos 15 anos de idade, a carioca Luana Pedrosa já compete nos mais disputados campeonatos do País

Muitos esperam ansiosamente atingir a maioridade para tirar a carteira de habilitação. Mas há outros que resolvem matar essa vontade antes de completar 18 anos. Nestes casos, a saída é acelerar nas pistas. Em pelo menos dois finais de semana por mês, a carioca Luana Pedrosa, de 15 anos, arruma as malas para ir a São Paulo disputar o Campeonato Paulista de Kart e Paulista Light de Kart. Seu kart tem motor de 125 cilindradas e é preparado para competição. Com ele, Luana alcança 130 km/h no final da maior reta do Kartódromo de Aldeia da Serra. Disputando posições com os demais karts da categoria Sprinter B, que reúne pilotos de sua idade, ela mostra que, apesar de ser a única mulher da corrida, não fica intimidada. Seus resultados falam por si só. Correndo há apenas um ano e meio, Luana já conquistou o título Interestadual do Rio de Janeiro e acumula excelentes resultados na categoria em que compete atualmente. Mesmo assim, as piadas feitas pelos adversários são inevitáveis. “Uma coisa que acontece bastante comigo é os outros pilotos brincarem dizendo que lugar de mulher é na cozinha, e não na pista. Mas eu nem me abalo, adoro ver a cara deles depois que acabam a prova atrás de mim”, conta a piloto.

“Eles dizem que lugar de mulher é na cozinha, mas eu nem me abalo. Adoro ver suas caras depois de acabarem uma corrida atrás de mim”

Luana Pedrosa, sobre as provocações dos adversários

Seu irmão Alfredo, de seis anos, é prova disso. Assistindo às corridas dos boxes, ele não poupa elogios e se mostra bastante preocupado. “Às vezes, na hora da largada, minha perna começa a tremer sem que eu possa controlar”, diz o caçula. Outro incentivo importante é o do preparador e chefe de equipe Beto Leandro. “Seus conselhos e a estrutura da equipe são muito relevantes para um bom desempenho”, diz Luana.

“Quando comecei a correr, tinha medo. Agora já me acostumei. No acidente mais grave que tive, apenas luxei meu ombro”

Eric Granado, 11 anos, sobre os riscos do esporte

Embora faltem três anos para poder tirar sua CNH, não há como negar que Luana já seja uma piloto profissional, assim como Eric Granado, que também faz parte dessa turminha precoce. O garoto seria uma criança normal de 11 anos, não fosse sua profissão de piloto de motovelocidade. Atualmente, ele compete na Espanha, e é uma das mais promissoras feras do motociclismo brasileiro. A paixão por velocidade sobre duas rodas vem de família. Marco Antônio, seu pai, também era piloto de moto, e desde pequeno Eric já demonstrava muito interesse pelo esporte. “Lembro que ele colocava meu capacete e ficava brincando de piloto”, conta Marco. Com cinco anos de idade, Eric ganhou uma minimoto de 50 cc. A empreitada do pai deu certo e o garoto mostrou que realmente tinha um futuro promissor. Dois anos mais tarde, ele já era campeão paulista, e aos oito anos de idade foi correr na Espanha pela primeira vez. Era um novo desafio, pois, diferentemente das minimotos que estava acostumado a pilotar aqui, as de lá tinham marchas. Mais uma vez, Eric surpreendeu. “Foi engraçado, porque não demorou nada para ele se adaptar. Ele pegou o jeito de primeira”, conta o orgulhoso pai.

“Correr de kart é o que mais gosto de fazer. Na minha opinião, é muito mais seguro do que andar de carro nas ruas”

Fernando França, nove anos, piloto de kart que disputa o Campeonato Paulista Light

Hoje, já com um esquema profissional, o piloto leva no currículo grandes conquistas, como o Mundialito de Motovelocidade. A moto com a qual compete na Espanha tem 70 cc e chega a 180 km/h. Mas, como Eric sempre esteve à frente de sua idade, já arrisca treinar numa 125 cc, que alcança 220km/h. “No começo eu tinha medo, mas agora estou acostumado. Nunca me machuquei feio, apenas luxei o ombro”, afirma o piloto.

Os irmãos Fernando e Leonardo correm no Campeonato Paulista Light de Kart. Leonardo, de seis anos, estreou este ano. Já Fernando, nove anos, apesar da pouca idade, acumula uma experiência de dois anos nas pistas. Ambos competem com karts de motor quatro tempos, com 6,5 cv

Mesmo sendo um esporte arriscado, os pais quase sempre são os maiores incentivadores. “É muito emocionante ver seu filho correndo e superando os próprios limites. Mas isso não quer dizer que meu coração quase não saia pela boca de tanta preocupação”, é o que diz Fernando Bernardes França, que tem dois filhos correndo de kart no Campeonato Paulista Light. O mais novo, Leonardo França, de seis anos, estreou este ano na categoria Mirim, de crianças com idade entre seis e oito anos. Já o mais velho, Fernando França, de nove anos, começou a correr há dois anos e agora disputa a categoria Cadete, de crianças entre oito e onze anos. Nas duas categorias, são usados motores da Honda, de 6,5 cv. A diferença é que, na Mirim, os karts têm limitadores, que não deixam que o piloto passe dos 70 km/h, enquanto na Cadete, dependendo da pista, dá para ultrapassar os 80 km/h. “Correr de kart é o que mais gosto de fazer. E, na minha opinião, é muito mais seguro do que andar de carro na rua”, diz o irmão mais velho.

“Dependendo de seu desempenho, com certeza trabalharemos para que possa chegar à Fórmula 1”Maurício Diegues, sobre o futuro do filho Gregory Diegues (abaixo), que começou no kart este ano

A categoria Mirim é uma das principais modalidades de base para um piloto. Gregory Diegues, de sete anos, também estreou este ano. Ele corre na mesma categoria que Leonardo. Seu pai, Maurício, sempre gostou de automobilismo, por isso colocou o filho para correr e promete que, se ele tiver bons resultados, apoio é que não faltará. “Dependendo de seu desempenho, com certeza trabalharemos para que ele possa, quem sabe, chegar à F-1”, promete. Esse, certamente, é o sonho de cada um desses pequenos pilotos, que um dia até poderão representar o Brasil acelerando fundo.

Os GRANDES começaram assim

Ayrton SENNA

Aos quatro anos, ganhou um kart de presente do pai. Tinha apenas 1 cv e Senna andava no quintal da fábrica da família. Aos oito anos, ele competiu pela primeira vez. Na foto acima, com 17 anos, ele já estava bastante envolvido no esporte

Felipe MASSA

Começou a andar de kart com oito anos de idade, em 1990. Depois de ganhar muitos títulos, o brasileiro foi para os autódromos. Com 16 anos, em 1998, Massa foi competir na Fórmula Chevrolet. Em baixo, o piloto alinhado no grid de largada, ainda na época em que competia de kart

Nelsinho PIQUET

Começou a andar de kart aos oito anos de idade. Este ano, o piloto fará sua primeira temporada na F-1 como piloto titular. Na foto, Nelsinho comemora uma das muitas vitórias que conquistou de kart

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