Pequenos prazeres

Apelando unicamente para a razão, talvez nenhum desses dois carros seja uma boa compra. Custo benefício não é o forte do novo Citroën DS3, que acaba de chegar ao Brasil, e muito menos do Audi A1 – que escolhemos para desafiá-lo. Afinal, na faixa de R$ 80 mil a R$ 100 mil, dá para pensar em muitos modelos, de diferentes marcas, que são maiores, mais potentes ou confortáveis. O problema é que é difícil pensar, nessa faixa, em carros mais divertidos ou com maior capacidade de atrair olhares. O que torna esses modelos irresistíveis são fatores emocionais, e é justamente a emoção que fará você decidir entre os dois. Você pode (e sempre é recomendado) argumentar a favor de um ou de outro. Pesar os prós e os contras de uma compra é válido, mesmo que depois você decida ignorá-los. Então, vamos a eles. A razão poderia dizer que o Citroën, além de mais barato, é mais equipado que o Audi. Poderia criticar o A1 por oferecer itens de série como os caríssimos faróis de xenônio, mas cobrar um valor adicional pelo ar-condicionado automático e pelos sensores de chuva e faróis. Claro que se poderia ponderar, ainda racionalmente, que o Audi, pela tradição da marca, vale o que custa a mais, e ainda oferece mais opcionais interessantes, como o teto panorâmico, o som Bose e o GPS. Mas a razão defenderia o Citroën por ter manutenção mais acessível e peças bem mais em conta (leia tabelas), e ainda elegeria o DS3 por ter um banco traseiro mais espaçoso. Nesse quesito a vantagem, na verdade, é pequena, mas existe. Um adulto ficará mais confortável no francês (no Audi o encosto é muito vertical e quem tem mais de 1,60 m já raspa a cabeça no teto).

Depois de guiá-los, porém, o prazer ao volante é tanto que “detalhes” como preços, equipamentos ou custos de manutenção passam a ser quase irrelevantes. Pouco importa a falta de espaço ou a pouca praticidade de se ter duas portas. O Audi, por exemplo, conquista desde o primeiro contato. Seu motor 1.4 turbo tem “apenas” 122 cv, mas o torque de mais de 20 kgfm é igual ao de um bom 2.0 e está disponível quase que a qualquer momento – das 1.500 às 4.000 rpm. O câmbio manual automatizado de dupla embreagem tem borboletas no volante que tornam tudo mais divertido, e uma rapidez impressionante (além de garantir mais conforto na cidade). Com uma caixa de transmissão tão boa, há momentos em que o carro parece muito mais potente. Além disso, a direção é direta, e as suspensões, impecáveis. As pequenas dimensões da carroceria só aumentam a agilidade e parece que poucos carros podem ser mais gostosos do que ele.

Isso até acelerar o DS3. Ele leva tudo isso um pouco mais adiante. A carroceria do Citroën é igualmente pequena e a direção com assistência elétrica progressiva também impressiona pela rapidez e precisão. Mas a agilidade é maior, amparada por um motor ainda melhor. Sob o capô está o brilhante 1.6 turbo desenvolvido em parceria com a BMW, o mesmo que equipa os Mini Cooper S (leia quadro na última página desse comparativo). São 165 cv de potência e nada menos que 24,5 kgfm de torque a 1.400 rpm. O pico de força sobe para mais de 26 kgfm quando o overboost é ativado – o que ocorre automaticamente quando se pisa fundo na terceira, quarta e quinta marchas.

As respostas ao acelerador impressionam; a cada marcha passada e a cada “afundada” de pé no acelerador, vem uma nova surpresa. Na prática, o DS3 é 1,6 segundo mais rápido que o Audi no zero a 100 km/h e também mais veloz (leia fichas técnicas), mesmo sendo oferecido apenas com um câmbio manual tradicional de seis marchas, que depende muito mais da perícia do piloto que a transmissão robotizada da Audi. Para quem curte dirigir (ou pilotar), essa característica chega a deixá-lo até mais tentador que o rival.

*Os preços podem variar dependendo da concessionária. No caso do DS3, os valores (exceto pneus, que a marca não comercializa) foram passados pela Citroën, já que as concessionárias ainda não os têm

As suspensões do Citroën não absorvem tão bem as irregularidades e passam uma sensação de maior delicadeza que as do rival, é verdade. Mas o conjunto é tão competente em curvas quanto o do alemão e não chega a ser duro e desconfortável como o do Mini Cooper S, que, depois de um tempo a bordo, cansa o motorista.

TABELA DE EQUIPAMENTO

A moral da história é simples. Quer status? As quatro argolas na grande dianteira do A1 são poderosas. E é justamente aí que está o maior obstáculo para o DS3. Muita gente, diante da opção entre um Audi e um Citroën, escolheria, sem titubear, o primeiro. Não há como negar que a Audi é uma marca muito mais desejada. Todo o trabalho de marketing da Citroën com a linha DS é justamente para tentar conquistar a mesma “aura mágica” não só da Audi, mas também da Mercedes e da BMW.

Mas, se vale um conselho, antes de fazer sua opção, experimente. A escolha aqui só pode ser tomada ao volante. Se você não está preocupado com status ou com a opinião dos outros, se não faz tanta questão de ter um carro de uma desejada marca alemã e se gosta mesmo de ter o máximo de prazer ao dirigir, não há por que não dar uma chance para o Citroën DS3. Apesar da falta de grife, ele é mais potente, mais rápido e mais divertido. Pura emoção, como eu disse.

REVISÕES OBRIGATÓRIAS DOS PRIMEIROS 30.000 KM*

*Os preços podem variar dependendo da concessionária (o valor mostrado é a média das consultadas). Seguros cotados pela D&G Corretora (11) 3985-3118 junto à Porto Seguro.

 Esta sessão de fotos foi realizada em espaço cedido pelo MOINHO EVENTOS. A Casa conta com salas para auditório, refeitórios e uma Área Verde. Com mais de mais de MIL M2. Fica na av. Borges de figueiredo, 510/580 – são paulo (sp). Telefone: (11) 2698-0765. www.moinhoeventos.com.br

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