O visível “estilo Range Rover” do design do Jaecoo 7 fez sucesso no Reino Unido, talvez por lá ser a terra natal da mais famosa marca a unir 4×4 e máximo luxo. Além disso, claro que os preços da fabricante chinesa são bem mais acessíveis.

O modelo, que também é vendido no Brasil, marca o ápice da “invasão chinesa” no mercado europeu: o Jaecoo 7 assumiu o primeiro lugar nas vendas de março no Reino Unido, superando o Ford Puma.

No terceiro mês do ano, foram emplacados na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte 10.064 unidades do SUV chinês, contra 9.193 do MHEV (micro-híbrido) Ford Puma – que ainda lidera no total do trimestre, mas por muito pouco (16.128 unidades, contra 15.569 do Jaecoo 7).

Jaecoo 7 bate Ford Puma
Ford Puma ST – Foto: Divulgação

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Linha ampla e petróleo em alta

Parte do grupo Chery, a marca Jaecoo conseguiu o feito de colocar seu SUV médio no topo de vendas de um mercado Europeu exigente como o britânico, enfrentando marcas premium e o preconceito. O resultado evidencia a rápida aceitação de novas tecnologias e marcas asiáticas pelo consumidor britânico — a Jaecoo estreou por lá há menos de dois anos.

Vale frisar que março foi também o melhor mês da história para veículos eletrificados no Reino Unido, com 196.059 unidades: os híbridos plug-in (PHEV) tiveram a maior alta percentual, de 46,9%, detendo 13% do mercado, enquanto os híbridos autocarregáveis (HEV) cresceram 7,3%, com 15,8% de participação, e os elétricos a bateria (BEV) atingiram o recorde de 86.120 unidades, uma alta de 24,2%.

O aumento nos preços internacionais do petróleo causado pela Guerra do Irã certamente ajudou a impulsionar as vendas dos modelos eletrificados, mas cabe apontar que, diferentemente do que ocorre aqui, onde só temos o Jaecoo 7 PHEV de 339 cv, no Reino Unido o modelo é vendido em uma gama mais ampla: além dela, tem versões apenas a combustão (147 cv), híbrida HEV (224 cv) e 100% elétrica (BEV).

Jaecoo 7
Jaecoo 7 – Crédito: Divulgação

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Meta problemática

Apesar dos números altos de eletrificação, a fatia de mercado dos elétricos puros (BEVs) foi de 22,6% no mês, valor significativamente abaixo da meta de 33% estabelecida pelo governo britânico para este ano.

A indústria aponta que as bases econômicas que fundamentaram as metas de emissão zero mudaram drasticamente. No início de 2026, os custos de produção de baterias estão 30% acima do previsto, enquanto os preços da energia industrial subiram 80% em comparação a 2021. Para o consumidor final, o custo de carregamento em postos públicos aumentou 140% nos últimos cinco anos.

O cenário é agravado pela crise no Irã, que gera incerteza sobre os custos de logística e energia, afetando diretamente a confiança do consumidor. As fabricantes estão sendo obrigadas a oferecer descontos agressivos e insustentáveis para tentar escoar o estoque de mais de 160 modelos eletrificados disponíveis e evitar multas regulatórias.