Precisão cirúrgica

Roberto Assunção

Fazia tempo que eu não sentia um “frio na barriga” antes de dirigir um carro. Por três dias seria o proprietário desse Jaguar F-Type R, a versão mais radical do esportivo. Mãos suando, coração acelerado e todos os meus sentidos explodem ao dar a partida no motor V8 5.0, sobrealimentado com compressor volumétrico com 550 cv de potência. O berro emitido pelas quatro saídas de escape invadiu a cabine e meus ouvidos. Altíssimo, estridente, encorpado – confesso que deixei cair uma lágrima ao escutar essa sinfonia. Quando contei isso para minha namorada, ela achou exagerado (claro, ela é porschista). 

O F-Type R não é um carro qualquer. Você simplesmente não sai dirigindo o “Jag” por aí. É preciso ter sensibilidade, pois suas reações são brutas. Uma alavanca no console central aciona o modo dinâmico, deixando o felino ainda mais agressivo. Mesmo com todos os controles eletrônicos acionados, ao afundar o pé no acelerador, é possível sentir os pneus lixando no asfalto ou a traseira tentando escapar
– igual ao F-Type V8S, que dirigi na ocasião de seu lançamento na Espanha. Sua relação peso-potência é de apenas 3 kg/cv. Ele acelera de 0-100 km/h em 4,2 segundos e atinge 300 km/h. O câmbio automático muda as oito marchas com muitíssima precisão e agilidade. As suspensões copiam perfeitamente o piso e são dignas de aplausos. Você pensa em apontar o carro na curva e ele já contornou. “Realmente, tudo nesse esportivo é cirúrgico”, pensava comigo. Por meio da tela multimídia, é possível mudar a velocidade de troca das marchas, as respostas ao volante e o nível de rigidez da suspensão. 

Os bancos têm ajustes elétricos até para o apoio lateral – a posição de dirigir é elogiável. Como no roadster, só existe lugar para dois no cupê F-Type R. No trânsito, eu me senti um artista, tamanha a quantidade de fotos e de olhares disparados em minha direção. Tudo “culpa” das suas linhas sexy – inspiradas no clássico modelo E-Type dos anos 60. Se eu compraria esse “Jag” ou seu concorrente Porsche 911? Bom, nesse caso peço licença para usar uma clássica resposta, que sempre evita polêmicas com minha namorada: “Não acho que isso mereça ser discutido”. Gosto é gosto. Mas que o F-Type R deixou saudades, deixou!