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Fizemos um rápido test drive na cidade com o Fiat Mobi, que começa a ser vendido neste sábado (dia 16). A versão avaliada foi a Like On, a quinta mais cara da gama, que custa R$ 42.300. O único opcional dessa versão é a cor especial (azul, cinza, prata, vermelho oppulence, roxo ou verde), que custa R$ 1.250. Todas as versões do Mobi utilizam motor 1.0 flex de 73/75 cv de potência e 9,5/9,9 kgfm de torque (gasolina/etanol). Veja o preço das demais versões do Mobi aqui.

A primeira coisa que chama atenção ao entrar no Mobi é o banco extremamente macio. O assento é tão fofo que parece que você está no sofá de sua casa. A posição de dirigir é boa e muita parecida com a do Fiat Uno, mas a maciez do banco deixa o corpo um pouco solto. Como o carro tem uma proposta de uso na cidade, que costuma ter buracos, saliências e lombadas, normalmente vencidas em velocidades baixas, esse conforto deve agradar à maioria dos consumidores. Para completar, as suspensões também são macias e dão ao carro um rodar confortável. Isso pode ser um pênalti em curvas fechadas em velocidades maiores, pois a carroceria inclina e o corpo afunda ainda mais no banco, mas no trânsito urbano essa condição é rara.

O câmbio manual de cinco marchas tem engates imprecisos. A embreagem é dura e tem o curso pequeno. Usá-la no anda-e-para de um congestionamento vai ser um pequeno tormento. A direção do Mobi Like On tem assistência hidráulica e responde bem aos movimentos, mas nas manobras de estacionamento ela é meio pesada (nem se compara à leveza da direção elétrica do Volkswagen Up, por exemplo, rival direto do novo Fiat). Apesar de a Fiat ter enfatizado o baixo peso do carro, ele é 51 kg mais pesado que o Uno Vivace, que saiu de linha (946 contra 895 kg). Entretanto, segundo o fabricante, a aceleração de 0-100 km/h dos carros é a mesma: 13,8 segundos abastecido com etanol. O resultado é que o Mobi é menos econômico na utilização rodoviária. Na cidade, faz 11,9 km/l com gasolina e 8,4 km/l com etanol. Na estrada, faz 13,3 e 9,2 km/l, respectivamente.

O motor 4 cilindros 8V do Mobi é o ponto fraco do carro. Se a diferença de quase 1,5 segundo para o Up na aceleração pode passar despercebida no dia-a-dia pela maioria dos motoristas, quando se trata do consumo a situação talvez seja diferente. Com seus números de autonomia de combustível, o Mobi conseguiu nota B na classificação geral do programa de etiquetagem do Inmetro – e isso é bom (mas não excelente). Porém, como a montadora divulga a classificação na categoria específica, surgiu uma situação estranha. Na categoria Subcompacto, o Mobi seria apenas nota C, enquanto carros como o Peugeot 208, VW Up, Renaullt Clio, Smart Fortwo e os próprios Fiat Uno e Palio exibem nota A nas duas classificações. Para sorte do Mobi, ele se livrou da nota C porque o Inmetro criou uma novíssima categoria Micro Compacto, na qual conseguiu nota A. Essa categoria nem aparece ainda no site do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, mas já está na etiqueta colada no vidro do veículo. Carros menores que o Mobi (3,566 m), como o Smart Fortwo (2,695 m), JAC J2 (3,535 m) e Chery QQ (3,550 m), aparecem na categoria Subcompacto na tabela de 2015 (a de 2016 ainda não saiu). Também nesse grupo estão o Up (3,605 m) e o Kia Picanto (3,595 m).

Conversamos por telefone com a Comunicação Corporativa da Fiat Chrysler e perguntamos se uma nova categoria de consumo havia sido solicitada para enquadrar o Mobi. Segundo a assessoria, “a FCA jamais pediu uma categoria Micro Compacto” e essa iniciativa partiu do próprio Inmetro, “sempre na tentativa de ter uma classificação mais coerente e mais clara para o cliente do segmento automotivo”. A Fiat também nos enviou por e-mail uma tabela na qual aparecem, além do Mobi, os modelos Smart Fortwo, Chery QQ, Kia Picanto e Fiat 500. Das 14 versões presentes na tabela, oito são da Fiat. O Mobi aparece nas versões Easy (sem ar-condicionado), Easy On, Like e Like On (todas com ar). As versões Way e Way On não constam. Em contato com o Inmetro, a assessoria de imprensa não soube dizer se a categoria Micro Compacto vai aparecer na tabela oficial de 2016, nem quando ela será divulgada. [Estamos aguardando uma resposta oficial do Inmetro e atualizaremos esse texto quando ela chegar.]

No rápido test drive que fizemos nas ruas de São Paulo, o Mobi mostrou-se agradável para quem anda na frente. Seu console central tem dois ótimos porta-copos e não bate na perna do motorista, pois é bem baixo. O sistema de som com bluetooth é bom e fácil de usar, com botões. O quadro de instrumentos traz acoplado um pequeno display digital LCD (monocromático), com informações do computador de bordo. O volante tem boa pegada e controles do áudio. Atrás, o carro é apertado como todos os subcompactos. Sentimos falta também da abertura externa do porta-malas sem a chave, apesar de ele abrir por dentro.

Quanto ao design, as pessoas que viram o Fiat Mobi pela primeira vez tiveram opiniões divididas. A maioria achou o carro bonito, principalmente na parte dianteira. Mas também ouvimos opiniões discordantes sobre as caixas de rodas “muito ressaltadas” e sobre as lanternas traseiras “exageradas”.

Leia mais sobre o Fiat Mobi na próxima edição da revista Motor Show, que trará também um comparativo com o Volkswagen Up.

FICHA TÉCNICA

FIAT MOBI LIKE ON 1.0
Preço: R$ 42.300
Motor: 4 cilindros em linha 1.0, 8V
Cilindrada: 999 cm3
Combustível: flex
Potência: 73 cv a 6.250 rpm (g) e 75 cv a 6.250 rpm (e)
Torque: 9,5 kgfm a 3.850 rpm (g) e 9,9 kgfm a 3.850 rpm (e)
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: hidráulica
Suspensões: McPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco sólido (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 3,566 m (c), 1,633 m (l), 1,500 m (a)
Entre-eixos: 2,305 m
Pneus: 175/65 R14
Porta-malas: 215 litros (235 litros na versão Easy)
Tanque: 47 litros
Peso: 946 kg
0-100 km/h: 14s6 (g) e 13s8 (e)
Velocidade máxima: 153 km/h (g) e 154 km/h (e)
Consumo cidade: 11,9 km/l (g) e 8,4 km/l (e)
Consumo estrada: 13,3 km/l (g) e 9,2 km/l (e)
Emissão de CO2: 107 g/km
Nota do Inmetro: B
Classificação na categoria: A (Micro Compacto*)
* Ainda não divulgada pelo Inmetro.