Prova de fogo

O Rally dos Sertões é atualmente a maior prova fora-de-estrada da América Latina e a terceira maior do mundo em número de participantes. São nove dias de corrida entre Goiás e Bahia – passando por Tocantins, Maranhão, Piauí e Sergipe – nos quais os participantes enfrentam todo tipo de terreno: poeira, terra, lama, pedras e água.

Os vencedores são tidos como verdadeiros heróis: a resistência física de piloto e navegador (no caso das picapes e dos caminhões) deve se somar à resistência mecânica e à performance dos veículos. Um conjunto que certamente se aproxima do ideal apenas com muito tempo de experiência tanto da dupla piloto/ navegador quanto da equipe que prepara e adapta os veículos. Nessa versão 2007, a largada será dada no dia 09 deste mês em Goiânia e sua chegada é prevista para o dia 17 em Salvador. Uma verdadeira prova de fogo, para homens e máquinas.

A equipe Território 4X4, coordena

da pelo piloto Edu Piano, participará esse ano da prova com cinco veículos diretamente ligados à equipe: três picapes (duas Ford Ranger 4×4 e uma Mitsubishi L 200 4×4) e dois caminhões (ambos Ford F 4000 4×4). A preparação desses veículos é extrema para poder superar a dureza das provas. A gaiola que protege piloto e navegador é exigência de regulamento para todos.

Nas Ranger, baseadas no modelo original com longarinas, todo o sistema de suspensões é substituído por outro de origem norte-americana que troca a barra de torção original por molas helicoidais. Imagine o que passa a suspensão de um veículo de quase duas toneladas que anda a 150 km/h em uma estrada sem pavimento! Somente uma suspensão desenvolvida para isso suportaria tais exigências que, vez ou outra, fazem a picape decolar e aterrizar em alta velocidade. Um batente hidráulico na suspensão evita que ela bata em fim de curso.

Para andar tanto, o motor International 3.0 eletrônico original de 163 cv se transforma em um monstro com cerca de 300 cv que gera mais de 70 kgfm de torque. O freio é a disco nas quatro rodas e os pneus Goodyear ATS especialmente desenvolvidos para rally com as laterais reforçadas para evitar rasgos por pedras, por exemplo. O câmbio Eaton de cinco marchas suporta até 80 kgfm de torque máximo e os diferenciais (dianteiro e traseiro) são Dana com blocante. A caixa de direção é mais rápida graças à adaptação de um dispositivo que permite que as rodas estercem mais com menores movimentos do volante.

A S10 mantém muito de sua originalidade, mas os amortecedores são Bilstein e os pneus Goodyear ATS

Na Equipe Chevrolet Rally Team, o piloto Marlon Koerich acredita que quanto mais original mais confiável é o veículo dos Sertões. É por isso que a S-10 4×4 guarda muito de seus componentes originais, devidamente reforçados para suportar a prova. Claro que alterações de suspensão são fundamentais. Os preparadores utilizam a base original com alterações nas molas e amortecedores (Bilstein com hidrogênio e reservatório separado). São dois amortecedores por roda, totalizando oito. Isso sem contar um terceiro amortecedor colocado junto com cada par dianteiro, cujo objetivo é funcionar como batente hidráulico.

Os motores envenenados passam a contar com 300 cv no caso da Ranger e 290 cv na S10. Mas no modelo Ford, da equipe Território 4×4 (que conta ainda com uma Mitsubishi L200 e dois caminhões F4000), a preparação é mais severa. São revistas as suspensões, o câmbio, os diferenciais, a caixa de direção e os pneus. A gaiola de proteção da cabine é exigência do regulamento e aparece em todos os modelos que disputam a prova

O motor MWM 2.8 sai dos cerca de 140 cv e chega aos 290 cv com torque máximo de 68 kgfm. Apesar da caixa de câmbio original suportar bem o novo torque, os preparadores refazem as relações de marcha e a caixa de transferência da tração 4×4 é reforçada. A S-10 também compete com pneus Goodyear ATS 255/75 R15 reforçado para rally e de alta performance. Aliás, tudo que compete nos Sertões deve ser resistente. Até pilotos e navegadores.

O modelo ATS da Goodyear foi desenvolvido pela experiência com o Rally dos Sertões, que exige a utilização de pneus mais resistentes e que, ao mesmo tempo, ofereçam alta performance para a competição off-road

COMPARTILHAR
Notícia anteriorFusquinhas do Mal
Próxima notíciaInvasão chinesa