04/04/2026 - 16:00
O início da história do Puma GTB remonta a 1971, quando Rino Malzoni, sócio da Puma, decidiu tirar do papel a ideia de um esportivo maior, mais robusto e com proposta diferente dos modelos que a marca produzia até então. O projeto previa o uso da mecânica do Chevrolet Opala, que ainda era novidade no Brasil, e seguia claramente a influência dos muscle cars americanos, com capô longo, traseira curta e carroceria de duas portas, além de um discreto espaço traseiro.
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Primeiro protótipo do Puma GTB
O primeiro protótipo do Puma GTB, sigla para Grã-Turismo Brasileiro, adotava o conhecido motor seis-cilindros de 3,8 litros com carburador simples, o mesmo utilizado nas versões iniciais do Opala. A estreia pública aconteceu no Salão do Automóvel de 1972, onde o modelo causou impacto imediato. Acostumado aos esportivos compactos da marca, com motor traseiro e refrigeração a ar, o público se deparava com um carro maior e de configuração totalmente diferente.

Apesar da boa recepção, a Puma ainda operava em escala reduzida, o que atrasou a chegada do GTB ao mercado. A comercialização começou apenas em 1974, ano em que o modelo foi oficialmente lançado. Entre os destaques, estava a possibilidade de equipá-lo com o motor 250-S, de 153 cv líquidos, recém-apresentado pela GM e voltado ao uso em competições.
Concorrência aquecida

O cenário da indústria nacional naquela época era bastante movimentado. Em 1973, o mercado recebeu uma sequência de lançamentos importantes: o Chevette chegou em abril, seguido pelo Dodge 1800 em maio. Junho trouxe o Volkswagen Brasília e também o Ford Maverick, que incluía a versão GT com motor V8.
Foi nesse ambiente competitivo que o Puma GTB passou a disputar espaço com modelos de peso. Entre eles estavam o Maverick GT, o Opala SS e o Dodge Charger R/T, todos com forte apelo esportivo e motores de grande cilindrada. Ainda assim, o modelo conquistou seu público, impulsionado pela exclusividade e pelo caráter artesanal. Em seu melhor momento, chegou a registrar fila de espera de até um ano, mesmo sendo o esportivo mais caro à venda no país.
As fases

A primeira fase do Puma GTB seguiu até 1978, com produção superior a 700 unidades. Naquele mesmo ano, o modelo passou por atualização e deu origem ao GTB Série 2, conhecido como S2. As mudanças incluíam uma dianteira mais afilada e novo conjunto de lanternas traseiras, enquanto a estrutura básica era mantida.

O interior também evoluiu, incorporando itens como bancos de couro, ar-condicionado, direção hidráulica e vidros elétricos, reforçando a proposta de um esportivo mais sofisticado. A produção continuava limitada e artesanal, fator que mantinha o modelo exclusivo no mercado. O S2 permaneceu em linha até 1984 e teve cerca de 900 unidades produzidas.

Puma GTB virou AMV
A trajetória da Puma mudou em 1986, quando a empresa foi vendida para a Araucária S.A., de Curitiba. Dois anos depois, o ferramental passou para as mãos da Alfa Metais, também paranaense. Já nos anos 1990, a Alfa Metais tentou reposicionar a marca, relançando modelos com novas denominações: ali surgiram o AM3 e o AM4, nas versões coupê e conversível, equipados com motor Volkswagen AP 1.8. O Puma GTB também retornou, agora como AMV, trazendo um visual frontal redesenhado.

Mercado se modernizava
Mesmo com essas tentativas, os carros já não acompanhavam a evolução do mercado. O desempenho ficava abaixo de concorrentes como Escort XR3, Gol GTS e GTi, além do Kadett GS e GSi. Somava-se a isso o custo elevado, resultado da produção em pequena escala e da utilização de um chassi próprio, mais complexo que o monobloco adotado em modelos como o Opala. A situação se agravou em 1992, com a morte de Nívio de Lima, responsável pela Alfa Metais, em um acidente envolvendo um AM3. O episódio teve impacto direto nas operações da empresa.

Carreira emblemática
Ainda assim, a linhagem formada por GTB, GTB S2 e AMV garantiu seu lugar entre os entusiastas. Com estilo marcante e proposta ousada para a época, o Puma GTB se consolidou como um dos projetos mais emblemáticos da indústria automotiva brasileira, mesmo com produção total inferior a 1.600 unidades ao longo de sua trajetória.
