Com uma nova família de motores, o Punto 2011 agora tem versões e motorizações para todos os gostos. A Fiat passa a oferecer motores 1.4 (turbo e aspirado), 1.6 16V e 1.8 16V – com potências que vão de 86 cv (no 1.4 aspirado) aos 152 cv (1.4 turbo), passando pelos 117 cv do novo 1.6 e os 132 cv do novo 1.8. Desta forma, o hatch premium é oferecido em sete versões, com quatro motorizações e duas opções de transmissão (nos modelos 1.8, pode-se optar pelo câmbio automatizado Dualogic). Fica difícil o consumidor não encontrar uma que goste: ele pode optar pela versão de entrada, Attractive 1.4, passando pelas Essence 1.6 e Essence 1.8, até chegar à esportiva (no visual) Sporting 1.8 e à superesportiva T-Jet (1.4 turbo). Os preços também são diversificados: vão dos atraentes R$ 39.290 do 1.4 de entrada até os salgados, ou apimentados, R$ 64.670 para a versão turbo. E claro que, somados a esses preços, sempre há aqueles opcionais que não se pode deixar de pedir…

A grande notícia está mesmo nas versões com os novos motores 1.6 e 1.8, ambos de 16 válvulas, que foram batizados de E.torQ justamente por suas características de elevado torque máximo (ou força) máximo (chegaram aos 16,8 kgfm no 1.6 e 18,9 kgfm no 1.8, valores bem acima dos 10 kgfm por litro de cilindrada de um bom motor). Produzidos na recém inaugurada fábrica paranaense de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba (leia boxe), os novos motores são a expressão mais recente para motores de boa eficiência e grande produção. Trazem a modernidade construtiva para o dia a dia do consumidor, com unidades leves e compactas e ótimos resultados de potência e torque com consumo contido. Na prática, as novas unidades são bastante semelhantes, diferindo fundamentalmente no diâmetro dos cilindros, ligeiramente maiores (exatos 3,5 milímetros, para quem curte a precisão dos números) na versão 1.8.

Claro que esse aumento exigiu, além de pistões maiores, algumas mudanças nas passagens internas do líquido de arrefecimento pelo bloco, dimensões de juntas, diâmetro de pistões e anéis, área de apoio dos mancais e assim por diante. Esse propulsor nasceu 1.6 (1.598 cm3) e posteriormente os técnicos da FPT (Fiat Powertrain Technologies) o fizeram crescer para 1.8 (na realidade, um exagero na identificação do motor, que é de exatos 1.747 cm3). Provavelmente não se chegou a valores mais próximos a 1.8, o que certamente melhoraria a performance, por questões de limitações do projeto original. Neste caso, seria necessário reprojetar bloco, cabeçote, virabrequim e outros componentes – o que elevaria demais o custo. O resultado final foi bem positivo, chegando-se aos 130 cv com gasolina e 132 cv com álcool, mas aquém dos 136 cv do Corolla e dos 140 cv do Civic, com capacidades cúbicas semelhantes.

Na prática, andando com o Punto com as duas motorizações, sentimos poucas diferenças nas utilizações urbanas. No anda-e-para do trânsito, o comportamento de ambos é parecido, ficando difícil para o consumidor comum diferenciá-los. Nesse caso a melhor opção é o 1.6, que, pelo menos, é mais econômico. Mas o comportamento muda completamente quando se trafega na estrada. Nesse caso, quanto maior a velocidade média e quanto mais carregado o carro, maiores as vantagens da versão 1.8, que sente menos o peso da carga e permite viagens mais rápidas, principalmente por manter mais estável a velocidade nos aclives. No consumo, tanto urbano quanto rodoviário, o 1.6 mostra resultados ligeiramente melhores que o 1.8. Em velocidades altas e carregado, os resultados se invertem: o 1.8 permite ao motorista pegar “mais leve” com o acelerador, economizando em relação ao 1.6.

Nas acelerações, por exemplo, as diferenças são pequenas: o 1.6 acelera de zero a 100 km/h em 10,5 segundos e o 1.8 em 9,8 segundos. Uma diferença pequena, pouco mais de um piscar de olhos. Na velocidade máxima, o 1.6 pode chegar aos 182 km/h enquanto o 1.8 atinge 191 km/h. Na prática, abastecendo o 1.6 com etanol e o 1.8 com gasolina, os resultados ficam quase iguais. Qual o melhor? Depende da utilização que se faz do carro: mais cheio e com ar-condicionado ligado, melhor para o 1.8 – tanto na cidade quanto na estrada. Se o carro é utilizado com frequência apenas com o motorista e um passageiro no máximo, e mais na cidade, a opção mais recomendada é o 1.6.

No interior do carro, não houve nenhuma mudança signi cativa em relação ao modelo anterior

A NOVA FÁBRICA DE MOTORES DA FIAT

Tudo começou com associação da americana Chrysler e da alemã BMW para a fabricação de um motor que servisse a ambas. Assim nasceu a Tritec Motors, que produziria um motor moderno, pequeno, compacto e econômico: o 1.6 16V com comando único no cabeçote, em versões aspirada e superalimentada. Perfeito. A fábrica foi instalada no Paraná e produzia motores para o Mini Cooper (BMW) e para o PT Cruiser (Chrysler), com venda do excedente para marcas chinesas.

Tudo funcionava bem até a Mercedes assumir a Chrysler e as arqui-inimigas BMW e Mercedes se virem sócias de uma fábrica no Brasil! O resultado foi o fechamento da fábrica em curto período de tempo. Depois disso, quase foi vendida a um consórcio chinês que queria levar a fábrica toda, inclusive com o projeto dos motores, para a China. No nal, a FPT acabou comprando tudo.

Os fornecedores estrangeiros foram em sua grande maioria nacionalizados. Nos motores, tudo foi atualizado: pistões gra tados ultraleves (menos inércia e atrito reduzido), anéis de baixo atrito, bielas sinterizadas e fraturadas (reúne resistência, leveza e maior precisão de montagem), coletor de admissão e tampa do cabeçote em plástico, balanceiros das válvulas em alumínio com roletes para redução de peso e do atrito, tuchos hidráulicos e outras soluções que visaram sempre a melhor performance com dirigibilidade, sem comprometimento do consumo. Um motor moderno que substituirá o obsoleto 1.8 que era comprado da GM e ampliará a gama Fiat com a opção do 1.6.