Puramente emocional

BMW M3 SEDAN R$ 405.726

A compra de um determinado carro pode ser motivada por razões racionais, emocionais, às vezes pela oportunidade de negócio, outras por confiabilidade na marca ou até por uma oferta tentadora. Na Série 3 da família BMW, cujo porte pode ser considerado como médio, a versão sedã do M3, com seus 4,52 m de comprimento, custa hoje cerca de R$ 406 mil.

Pela cifra, não se poderia dizer que essa seria uma compra racional e muito menos que a oferta seria tentadora. Quem compra um M3 Sedan o faz por pura emoção. Só isso. Agora convenhamos: se você pode dispor desse montante e curte dirigir, principalmente de maneira mais esportiva, não vacile, pois essa M3, sob esse aspecto, é só alegria. Iria mais longe, diria que ela (me permita tratá-la no feminino?) chega a ser tentadora.

Ingredientes para isso não lhe faltam: suspensão eletronicamente comandada de dentro do carro, câmbio manual de seis marchas, motor V8 de quatro litros que produz 420 cv com variador de fase e coletor de admissão que permite que seus 40,8 kgfm de torque máximo surjam a baixos 3.900 rpm. Alguém poderia contestar que 3.900 rpm não é uma rotação tão baixa… É verdade, mas não quando consideramos que sua potência máxima se dá a 8.300 rpm.

Essa configuração de motor proporciona 4.400 rpm (diferença entre as rotações de torque e potência máximos) de utilização em sua máxima capacidade ou rendimento. Esse sedã faz de zero a 100 km/h em 4s7 e é capaz de retomar dos 70 km/h até os 140 km/h em sexta marcha em rápidos 13,1 segundos. Um míssil…

É confortável? Não, pois sua suspensão é áspera e até desconfortável na rua. É um bom negócio? Pelo que custa, não. Oferece um alto custo operacional? Sim, pois sua manutenção e consumo são proporcionais a seu valor. Você o compraria? Eu, certamente, sim. Por quê? Porque esse BMW M3 é pura emoção. E emoção não tem lógica, não se explica.

O painel é limpo, elegante e racional. O pedal da embreagem é pesado e os engates do câmbio são bem duros e ruidosos. Abaixo, à esquerda, o botão que comanda as funções do computador de bordo e que tem uso um tanto complicado. O ar-condicionado é digital e tem duas zonas

CONTRAPONTO

Concordo plenamente com o Douglas quando ele diz que “emoção não tem lógica, não se explica”. Mas não dá para dizer que essa compra seja irracional. Emocional sim, irracional, não. Apesar de custar mais de R$ 400 mil, você leva para casa uma obra-prima da tecnologia sobre rodas e paga um preço igual ao de seus concorrentes de mesmo nível. Irracional, para mim, seria pagar 50% a mais do que cobram por modelos similares justificando que você gosta mais de BMW ou que seu design é mais atraente. Isso é irracional. Não é o caso. Esse BMW custa o que vale. Eu o compraria, sim, mas seria meu segundo (ou terceiro carro). Um brinquedo reservado para horas de diversão. É que, apesar do motor elástico, que facilita o uso diário, a embragem pesada, a suspensão dura e os engates justos, obviamente se justificam na proposta do carro, mas não fazem sentido no dia a dia. Só para ser chata, me incomodou o couro das portas, que parece frouxo, como se estivesse mal-aplicado. É procurar pelo em ovo!

Ana Flávia Furlan | Chefe de Reportagem

Na cidade, esse BMW não oferece muito conforto. Mas na estrada ele recompensa o motorista com uma tocada absolutamente esportiva

 

Veja também

+ iPhone 12: Apple anuncia quatro modelos com preço a partir de US$ 699 nos EUA

+ Veja mudanças após decisão do STF sobre IPVA

+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos

+ Tomografia revela que múmias egípcias não são humanas

+ Homem compra Lamborghini após fraude em auxílio emergencial

+ Restaurar um carro: quanto custa e quanto ele pode valorizar



COMPARTILHAR
Notícia anteriorMelhor trimestre da história
Próxima notíciaA moda 2010