Q3 A Audi em novos territórios

Pela segunda vez em pouco mais de um ano, a Audi se aventura em território desconhecido. A primeira experiência foi com o A1. Por ser um carro de entrada, havia dúvidas sobre como seria recebido pelo mercado. Até agora, suas vendas mundiais não vão tão bem quanto esperavam os executivos da montadora – e nem tão mal como desejava a concorrência. No Brasil, já é o carro mais vendido da marca (leia mais sobre ele na seção Dirigimos). Agora, é hora de a Audi entrar no segmento de SUVs P compactos premium. O projeto nasceu em 2007, com o conceito Cross Coupé Quattro. De lá para cá, € 250 milhões foram investidos para esse novíssimo Q3, que acaba de ser lançado e foi avaliado por MOTOR SHOW em Zurique, capital da Suíça.

Usando a mesma plataforma do “primo pobre” Volkswagen Tiguan, o Q3 tem 4,39 m de comprimento e apenas 1,59 m de altura, o que lhe dá um ar esportivo, além de baixar seu coeficiente aerodinâmico para 0,32, o melhor da sua categoria. Na dianteira, os faróis com LEDs e a grade com quatro argolas não deixam dúvidas que se trata de um Audi. Na traseira, destaque para as lanternas grandes, também com LEDs.

Com 2,60 metros de entre-eixos, o espaço traseiro é apenas razoável, mas está na média do seu segmento

O porta-malas acomoda bons 460 litros e ainda pode ser ampliado com o rebatimento do banco traseiro (à esquerda) para 1.365 litros. Uma bela capacidade, mas o espaço não fica plano

Se por fora o Q3 não perde o DNA da marca, por dentro ele também honra sua linhagem e exagera nos detalhes. Os bancos dianteiros têm regulagem elétrica e formato anatômico: a impressão é de que o carro “abraça” o motorista. Além disso, os comandos são facilmente visualizados e estão bem à mão. O sistema MMI comanda a central de entretenimento com tela de sete polegadas de alta definição e navegador GPS. O MMI permite ajustar o som (Bose de 465 W com 14 alto-falantes), ver DVD e sintonizar tevê, além de armazenar até 20 GB de música, fotos e vídeos. Muitas dessas funções são acionadas por comando de voz, e os demais ocupantes não ficam apenas olhando o motorista se divertir com o show de tecnologia. Um roteador sem fio permite disponibilizar o sinal da internet, usando um cartão SIM normal de celular, para até oito pessoas. Os passageiros podem se conectar à internet com laptops, smartphones e tablets.

Inicialmente, a Audi disponibilizou carros com motor a diesel e duas versões a gasolina, de 170 cv e 211 cv. Em um futuro próximo, o Q3 ganhará um novo motor 2.5 a gasolina com 300 cv de potência, o mesmo que equipa hoje o RS3. Mas vamos nos ater aos dois primeiros modelos, que chegarão ao Brasil no primeiro trimestre de 2012. Por incrível que pareça, mesmo pesando 1.445 quilos, a versão de 170 cv se mostrou bem ágil. Já a configuração de 211 cv de potência pode puxar mais duas toneladas no reboque. Tudo isso graças ao motor 2.0 turbo com injeção direta. O motorista escolhe, no chamado Audi Drive Select, entre quatro formas de condução (Comfort, Auto, Dynamic e Efficiency). É impressionante como o comportamento dinâmico muda conforme a escolha.

Apesar de ser baseado no Tiguan, é no interior que o Q3 mostra ser um verdadeiro Audi, com muito refinamento e altíssima tecnologia. Abaixo, um detalhe do painel de instrumentos, o console central, a tela de alta definição do MMI e o freio de estacionamento elétrico

Graças a sua ótima aerodinâmica, aos materiais leves usados em sua carroceria e ao sistema start-stop – e com uma bela ajuda do câmbio automatizado de sete marchas, o mesmo do A1 – o Q3 com 211 cv acelera de 0 a 100 km/h em 6,9 segundos e chega a 230 km/h, com um bom consumo médio de 12,9 km/l. Já na versão de entrada, acelera de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos e chega à 212 km/h, com consumo de 13,6 km/l.

Algumas informações ainda são guardadas a sete chaves pela Audi Brasil, principalmente em relação à configuração e aos opcionais que serão oferecidos no País. Mas uma coisa é certa: os dois motores a gasolina lançados em Zurique estão confirmados.

Audi Q3 2.0 TFSI Quattro S-tronic

MOTOR quatro cilindros em linha, 2,0 litros, 16 V, comando variável, injeção direta, turbo, freios regenerativos, startstop TRANSMISSÃO manual automatizada, sete marchas, borboletas no volante, tração integral DIMENSÕES comp.: 4,39 m – larg.: 1,83 m – alt.: 1,59 m ENTRE-EIXOS 2,603 m PORTA-MALAS 460 a 1.635 litros PNEUS 215/65 R16 PESO 1.565 kg

• GASOLINA POTÊNCIA 211 cv de 5.000 a 6.200 rpm TORQUE 30,6 kgfm de 1.800 a 4.900 rpm VELOCIDADE MÁXIMA 230 km/h 0 – 100 km/h 6,9 segundos CONSUMO cidade: 9,8 km/l – estrada: 15,6 km/l (dados da Europa) CONSUMO REAL não disponível

Em relação ao preço, não espere uma briga com a versão de entrada de seu principal concorrente hoje, o BMW X1 – que custa pouco mais de R$ 115 mil. “A nossa política é só trazer carros completos para o País”, disse à MOTOR SHOW o presidente da Audi do Brasil, Paulo Sérgio Kakinoff. “Se começarmos a tirar equipamentos para baratear o produto, acabamos frustrando o cliente Audi, que quer exclusividade”, completa – sem dar nenhuma dica sobre como será a configuração que desembarcará por aqui e qual será seu preço exato. No Brasil, apuramos com fontes ligadas à Audi que o Q3 chegará com preço inicial na casa dos R$ 140 mil. Depois do A1, a expectativa é de que ele seja o carro mais vendido da marca no País. Mas isso não significa que sua vida será fácil: o Q3 chega para brigar em um segmento já dominado pela BMW, com seu X1, e mesmo antes de as vendas começarem, ganhará também a companhia de mais um competidor de peso: o Range Rover Evoque, da Land Rover (cuja avaliação você confere na próxima edição da MOTOR SHOW). A BMW já está neste mercado há dois anos e a Land Rover faz SUVs como ninguém. Leia mais sobre eles ao lado.

OS PRINCIPAIS RIVAIS DO Q3

BMW X1

Hoje é o único concorrente direto do Audi e líder entre as marcas alemãs. Mas isso se deve, principalmente, a uma versão barateada, na casa dos R$ 115 mil, com um pacote de equipamentos mais modesto, tração traseira e motor de apenas 150 cv

RANGE ROVER EVOQUE

A avaliação você confere já em nossa próxima edição. Será mais potente que o BMW e o Audi, com um 2.0 de 240 cv, e também mais refinado, seguindo a tradição do nome Range Rover, mas também deve custar bem mais – algo em torno dos R$ 200 mil