Quando jornalistas viram consumidores

Quando você olha a Strada cabine dupla, não consegue entender por que alguém a compraria. Ora, se você não precisa de um espaço enorme para cargas, carece de bancos extras e tem na conta cerca de R$ 45 mil, por que comprar uma picape? Por esse preço, pode levar uma Palio Weekend, que oferece muito mais conforto e transporta suas bagagens bem protegidinhas. O problema é que ter uma picape não é questão de necessidade. É gosto. E, sendo assim, vale tudo.

Sempre acreditei em uma Strada com quatro assentos, porque via as pessoas carregando crianças – e até adultos – ilegalmente na cabine estendida. Imaginava que não seria difícil adaptar os bancos com relativo conforto, e que a Fiat teria ousadia para tentar. Minha grande dúvida estava no design. Jurava que ficaria desproporcional, mas estava errada. Os designers fizeram um belo trabalho e, para mim, essa foi a grande surpresa. Outra desconfiança era em relação ao preço. Se fosse cara demais, não se justificaria. Mas ela custa menos de R$ 2 mil a mais que a estendida. Uma diferença tolerável, apesar de se perder o Locker (aqui é opcional).

No dia a dia, há alguns detalhes que desagradam. Os bancos da frente estão posicionados muito no alto e não têm regulagem de altura. Isso incomoda. Para se ter uma idéia, eu tenho 1,60 m de altura e minha cabeça fica a quatro dedos do teto! Além disso, visto dessa posição, o retrovisor forma uma área de ponto cego no centro do para-brisa, o que compromete a visibilidade em manobras à direita.

Apesar dessa sensação ter ficado nítida, a Fiat afirma que a altura é a mesma da versão Adventure estendida. Para quem vai atrás, o conforto é bastante razoável. Espaço de sobra para crianças e um bom “quebra-galho” para adultos. Difícil mesmo é entrar e sair sem contorcer o corpo, mesmo com o banco dianteiro deslizante. O teto solar diminui a sensação de claustrofobia, mas é opcional. Outro item que deveria ser de série é a capota marítima. Em um carro desses, a caçamba vai ser usada mesmo como um porta-malas – e é bom que a bagagem fique segura.

Ainda que picapes não me falem tanto ao coração, gostei da proposta e acho que vai vender bem. Afinal, para quem quer uma picape e precisa de uma cabine para quatro, não há outras opções por esse preço.

O espaço para quem vai atrás é bastante limitado, e o acesso exige uma boa dose de contorcionismo. Na frente, quem tem mais de 1,80 metro também tem dificuldade para sentar sem raspar a cabeça

Como o banco do motorista é alto, o retrovisor interno fica na altura dos olhos e prejudica a visibilidade nas curvas à direita

Contra Ponto

Quando fui ao lançamento desta Strada, assim como a Flávia, achei que veria uma cabine dupla meio forçada. Mas a equipe de design está de parabéns, gostei do desenho. A posição de dirigir de fato é alta, mas muitos consumidores gostam da sensação de estar acima dos outros. Mas foi nas estradas de terra que a Strada cabine dupla mais me agradou: embora a suspensão chegar ao limite de curso em alguns momentos, os terrenos irregulares são superados com conforto. O motor 1.8, apesar do consumo um tanto alto quando se exagera na velocidade, agrada pelo bom torque em baixas rotações – mas, como não gosta de girar alto, exige trocas de marchas constantes. Para meu uso, prefiro uma Palio Adventure, com mais espaço para passageiros e um porta-malas de verdade. Mas para quem gosta do estilo das picapes – ou leva cargas altas – é uma opção única (e interessante) em nosso mercado.

Flávio R. Silveira | Repórter

Na traseira um robusto santantônio, que serve para amarrar cargas. O estepe fica no meio da caçamba, roubando um pouco do espaço

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