Quase um fórmula

Uma das grandes novidades deste ano no automobilismo brasileiro é a Copa Brasil Spyder Race. Realizada desde 2003 como campeonato paulista, a modalidade agora será disputada nacionalmente com oito etapas em cinco capitais. Um dos destaques de seu calendário é a realização de uma prova de rua em Guarulhos, que deve acontecer no dia 12 deste mês. Com este novo formato, a competição passa a ser a única categoria de protótipos ncional. Os carros são exatamente iguais e as corridas têm 45 minutos, sendo que aos 20 minutos o safety car entra na pista para que os pilotos que competem em dupla possam fazer a troca sem perder a posição que ocupavam. Na mesma corrida, a competição é dividida entre as categorias Super e Light. Não há distinção de equipamento entre elas. A diferença é que a Light foi criada para pilotos iniciantes, que ainda não foram campeões nem vice-campeões, e que não participem de outra competição nacional.

A modalidade utiliza um carro fabricado pela empresa PW1 Tecnologia em Protótipo para uso exclusivo em competições. Trata-se de um chassi tubular, com carenagem de fibra de vidro. O motor é o já conhecido VW AP 2.0 com injeção eletrônica combinado ao câmbio de cinco marchas VW Gol GTi. Já o conjunto de suspensão é específico para competição e usa amortecedores holandeses. Para fechar o pacote, os pneus são do tipo slicks, da marca argentina NA. Com essas características, o peso do carro somado ao do piloto é de 700 kg e sua potência é de 230 cv. O protótipo completo custa R$ 50 mil, mas, se o comprador já quiser adquirir o carro com o instrumento de telemetria, o preço pode chegar a R$ 70 mil. Este equipamento, além de passar informações básicas como temperatura de água e pressão do óleo, transmite dados de quase tudo o que acontece na pista, como ponto de freada, picos de giro, o trabalho da suspensão e do sistema de direção. De acordo com o organizador Peter William Januário, o custo por prova varia de R$ 15 mil a R$ 20 mil, sem contar os gastos pessoais do piloto com transporte e hospedagem.

Ainda nos boxes de Interlagos, fiquei sabendo que no final da reta o bólido chega a 218 km/h e que seu tempo de volta fica em 1m42s. Como comparação, um Stock Car, com motor V8 de 520 cv, costuma ficar na casa de 1m39s. O Spyder tem estrutura bastante parecida com a de um fórmula, porém com as rodas cobertas. Até por isso sua condução proporciona total conectividade do piloto com o asfalto e todas as reções do carro.

Diferentemente de um fórmula, o habitáculo é espaçoso. Seus pedais são próximos uns dos outros e, com exceção do acelerador, duros e curtos, facilitando a pilotagem, principalmente nas reduções, quando é recomendado o uso do punta-taco. Os engates do câmbio, apesar de justos, exigem precisão nas trocas. Por ser tração traseira é preciso dosar a aceleração nas saídas de curvas de baixa. No começo da subida da junção, acelerei e pude desfrutar da força dos 230 cv durante toda a reta, trocando as marchas aos 5.000 rpm. Nessa hora, colei no banco e curti bastante o ruído agudo do propulsor. A boa aerodinâmica do modelo não deixa nenhuma turbulência de vento atingir o capacete. Um carro muito rápido e divertido de guiar. Um prato cheio para quem gosta de acelerar!

Chassi tubular, carroceria de fibra de vidro e motor 2.0 de 230 cv. O protótipo Spyder Race pode ser adquirido já com um sistema de telemetria que transmite dados de tudo o que acontece com o carro na pista. Seu tempo de volta em Interlagos, é praticamente o mesmo de um Stock V8 de 520 cv

Agradecimento: Centro de Pilotagem Roberto Manzini

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