Quem foi mais rápido na terra?*

A busca pela velocidade máxima na superfície do planeta fascina a humanidade há mais de um século. Com o passar do tempo, houve uma mudança dos carros elétricos para os “mísseis” movidos a foguete. E a corrida ainda não acabou...

Dos 63 aos 1.228 km/h: a história de recordes de velocidade para veículos terrestres teve como marcos esses extremos, separados por pouco mais de um século. Uma tarefa maluca, mas que sempre atraiu os humanos. Foi iniciada ainda no alvorecer do automóvel, e reforçada pela superação da barreira dos 100 km/h em 1899 por um “torpedo” elétrico. Essa corrida teve seu primeiro momento épico na década de 1930, e o segundo nos anos 1960, quando os bólidos trocaram os motores tradicionais pelos de avião, a pistão. Aqui resumimos os principais registros, veículos e pilotos. Entre estes, destaque para Malcolm e Donald Campbell, pai e filho detentores de recordes – com trinta anos de diferença entre eles –, Gary Gabelich, o primeiro a passar dos 1.000 km/h, e Andy Green, o único até agora a quebrar a barreira do som. Mas nos próximos anos… Veja no texto abaixo.

*RESPOSTA: ANDY GREEN, O PRIMEIRO HOMEM QUE SUPEROU A BARREIRA DO SOM EM UM VEÍCULO SOBRE RODAS: 1.227 KM/H


Chegaremos às mil milhas?*

Um inédito veículo terrestre foi projetado para quebrar a barreira dos 1.609 km/h. Chama-se Bloodhound SSC e tem três motores, sendo dois aeronáuticos. Os primeiros testes foram feitos, mas o futuro é incerto

A busca por mais velocidade nunca acaba. Assim, primeiro os pilotos quebraram a barreira simbólica de 1.000 km/h, depois superaram a velocidade do som, e hoje a nova meta é passar das também simbólicas “mil milhas” por hora, ou 1.609,344 km/h. Há alguns anos, uma equipe de especialistas da Grã-Bretanha trabalha na construção do veículo que seria usado na tentativa. O Bloodhound SSC é equipado com três motores, dois de uso aeronáutico – os EuroJet EJ 200, utilizados em caças Eurofighter Typhoon. São ajudados por uma turbina, montada na cauda e fabricada pela norueguesa Nammo.

A potência total do sistema de propulsão é de 135.000 cv, e o consumo estimado – para cada tentativa – é de 400 litros de combustível de aviação e 800 litros de peróxido de hidrogênio aeroespacial. Para parar, o Bloodhound SSC utilizará, além dos freios a carbono, aerofreios (freios aerodinâmicos, geram seis toneladas de arrasto) e pára-quedas especiais para evitar turbulência. As rodas, pesando 95 kg cada, são de uma liga de alumínio e zinco. A primeira tentativa de atingir as 1.000 mph estava prevista para 2020, mas a empresa entrou em concordata e seu futuro agora é incerto.

*RESPOSTA: DEPENDE DE ALGUÉM RESGATAR o PROJETO BLOODHOUND SSC


O PILOTO

UM PASSADO NA AERONÁUTICA

O piloto treinado para tentar o recorde com o Bloodhound SSC é o inglês Andy Green, que já foi piloto da RAF (Força Aérea Britânica) com aeronaves Phantom F4 e Tornado e é o homem mais rápido do mundo. É seu o atual recorde de velocidade terrestre (1.227,952 km/h, registrado em 1997, leia na página anterior) e de veículos a diesel (563 km/h em 2006 com o JCB Dieselmax). Green conseguiu seu recorde na superfície do deserto de Black Rock; hoje, no entanto, a superfície dessa região de Nevada é muito acidentada para outra tentativa. Agora a equipe se voltou para outra área considerada adequada: o Verneuk Pan, localizado na África do Sul.